quinta-feira, 30 de junho de 2016

Põe mais açúcar: sobre não priorizar sexo

Se joga, garota!
Elas se casaram, tiveram bebês e o sexo sumiu. Breve e grosseiramente é esse o assunto da postagem de hoje. 
E o que uma mulher que não vivenciou tal situação tem a contribuir sobre isso? Talvez muito pouco ou nada, mas vou expor minha reflexão sobre isso.
Vou falar diretamente com as mulheres que vivenciam tal situação nesta postagem, mas você que não vivencia essa situação ou que é homem, fique! Será uma boa reflexão.
Para começar vou falar sobre minha concepção de casal e ao ler a minha concepção, considere pensar sobre qual é a sua concepção de casal e se ela está funcionando atualmente na sua relação com seu marido. Para mim, um casal deve manter diálogos longos, sou adepta de discussões longas e com exercício constante da paciência, porque eu também não gosto de DR - como alguns homens também alegam não gostar.
Então, é um assunto de cada vez, expurgando demônios externos que muitas vezes tumultuam nossa forma de relacionar com o nosso homem/marido/namorado/namorido (seja lá qual denominação você utilize). Devemos falar sobre nossas fraquezas, sobre o que nos deixa tristes e, até mesmo, dizer a ele que não o perdoa por algumas atitudes, mas que isso não lhe impede de continuar amando-o. Perdão é algo muito mais complexo do que supomos e aceitar que não perdoamos fará muito mais bem do que mal à relação, pois quando você acionar aquela situação que lhe magoou profundamente, mas você afirmou ter perdoado, não vai parecer que você está procurando briga, já que está usando razões que já são passado. Se a magoa ainda está no presente, comunique que ali ela ficará por um bom tempo, é melhor assim, pelo menos comigo anda funcionando.
E aí, você vai pensar sobre qual é a sua concepção de casal? Vai tentar ter aquela conversa longa com o seu homem/marido para formular uma concepção comum? Eu tentaria fazê-lo.

- Tá bom, mulherzinha!! O que tem isso a ver com o fato de que ele não me procura mais? Tem certeza que isso vai ajudar no que diz respeito à voltarmos a fazer sexo com mais frequência?

Sinceramente, não sei! Talvez não ajude, pois talvez não tenha sido só o sexo que vocês perderam, mas tenham perdido aqueles diálogos longos que vocês tinham na cama, quando ainda eram só vocês dois. Contudo, se vocês nunca tiveram isso, eu não conseguirei falar com você sobre esse assunto, pois não considero possível um casal existir sem diálogo.

Recuperem (ou iniciem) os longos diálogos primeiro.

Make, make, make love!  Algumas hipóteses possíveis

Sobre a falta de sexo atual, eu tenho algumas hipóteses (que sei, não são as únicas possíveis).
Vamos a elas:



1. Você começou a se sentir um tanto quanto cansada quando começou a vivenciar a rotina de casada - trabalho remunerado, trabalho doméstico e trabalho emocional para cuidar de tudo. Sentindo-se cansada de uma maneira que nunca havia sentido antes de ser casada, você começou a dispensar o sexo frequente, pois a prioridade era dormir, não o sexo. Iniciou-se um processo de frustração, pois você começou a perceber que seu marido não sabia como ser marido, ele sabia como ser filho e você foi se adaptando às demandas dele, pois o ama. E se tornou uma mãe sobrecarregada, pois além de cuidar do marido como de um filho, cuidava da casa e do bebê que chegou. O sexo tornou-se cada vez menos sua prioridade. Diante de tantas negativas, seu marido aquietou-se, quem sabe numa tentativa de respeitar suas negativas.



2. Depois do casamento seu marido achou que tinha adquirido uma máquina de sexo. Começou a lhe cutucar nos horários mais estranhos possíveis. Ora você lá dormindo o terceiro sono, sono profundo e o amor da sua vida acordando você com a piroca dura lhe roçando. Ora você acabando de acordar pela manhã e o amigão já ereto, querendo um sexo matinal antes de partir para o trabalho. Ora você na beira do fogão, fazendo uma comidinha e a pomba rola querendo fazer cena de filme do telecine action.  Pode ser que uma ou duas vezes você cedeu, ou por receio de negar ou porque se excitou também. Porém, depois você começou a negar, ou por não ter prazer com aquilo, ou por considerar que não é um tipo de sexo que você queira ter como rotina. Como na hipótese anterior, várias negativas levaram à um homem quieto.



3. Ele começou a se sentir sobrecarregado com a função de marido e pai, pois o sistema patriarcal educou nossos homens para serem provedores e bem-sucedidos como machos da casa. O surgimento da criança pode ampliar essa ânsia por prover a casa. Então, como você na hipótese um, seu marido está priorizando descansar no lugar do sexo. Ou seja, ele vai tentar dormir bem para conseguir trabalhar bem no próximo dia.



4. Acabou o tesão e o interesse sexual dele em você, porém ele é tão conservador que não tem capacidade de admitir que vocês devem se separar por causa disso. Daqui uns dias estarão utilizando uma frase que eu já ouvi várias vezes de pessoas casadas da família: "sexo não é importante no casamento, importante mesmo é cuidar da nossa família".  

Colocando açúcar

A primeira coisa que eu tenho à dizer sobre tudo isso é: FALEM SOBRE ISSO.

Falar sobre isso não é fazer uma ceninha com as seguintes frases: "você não me procura mais!" (lágrimas) ou "você deve estar com outra mulher, pois não me procura mais" e o que mais sua criatividade possa inventar para falar sobre esse assunto.

Pense comigo, eu limitei as razões em quatro hipóteses e essas quatro hipóteses demandam enfrentamento. Já que não é possível quebrar uma barreira que foi colocada de forma habitual por motivos que talvez já tenham ficado no passado, mas o hábito formatado fica. Lembra daquele ditado "o uso do cachimbo coloca a boca torta"? Pois bem, talvez o cachimbo nunca mais seja utilizado (ou as razões de negativa já não existam mais, depois de um longo período de adaptação à vida de casada), mas a boca já ficou torta (vocês pararam de fazer sexo com frequência).

Que tal desentortar essa boca?

Então PROCURE, moillherrrrr!!!!

(E cá pra nós, esse trem de "não me procura" é muito dona de 60 anos, num é não?! Pára com isso! Mulher não tem que ser procurada, você não é presa esperando predador. Um casal não pode se manter com orgulhos arcaicos).

Voltem a namorar. Faça um memorial mental do namoro de vocês. Como eram os carinhos, os beijos, os afagos, a transa. Exercite o namorar. Se vocês estão casados, eu suponho que conheçam minimamente o que excita um ao outro.
Uma relação é feita de forma colaborativa, se você estiver aberta para conversar sobre o assunto, diga que acha que no período de adaptação à vida de casados vocês começaram a se cansar mais do que o habitual, por causa da rotina de "gente grande" e que o sexo foi deixando de ser prioridade, mas que agora você está sentindo falta de vocês dois como namorados que são. [Eu quero SEEEXXOOOO! Me dá SEEXXXO! Como eu fico sem sexo?!]  O cansaço ainda está presente, mas ele se tornou tão rotineiro que ele escapa ao cotidiano. E é quando as coisas começam a escapar ao cotidiano que são evidenciados alguns vazios, a falta de sexo entre o casal é um vazio que ficou grandão quando a rotina da vida de casados já não é mais um fardo.

E lembre-se... Não há culpa, nem em você e nem nele em nenhuma das hipóteses. Culpada ou culpado irá existir se você não tomar a iniciativa de esclarecer as coisas - já que você pode ter sentido primeiro esse vazio - ou ele se negar a falar sobre o assunto. 
Reflita sobre outro ponto: se ele não "sente" a falta de sexo como você, talvez seja porque os homens estão adaptados com o prazer gerado pela masturbação muito mais do que algumas mulheres, se você não se masturba vai sentir falta de sexo de uma maneira muito mais dramática do que alguém que se masturba e goza consigo mesma satisfatoriamente.

Entretanto, contudo, todavia... Se o seu caso é a hipótese 4, é melhor sair fora. Casal sem prazer sexual não é coisa de deus não. HiHiHiHiHi...

Espero ter provocado vocês um tiquinho...

ps.: Reitero que eu nunca vivenciei essa experiência, estou apenas elucubrando sobre o assunto, não criando um manifesto da verdade. 

6 comentários:

  1. Sinceramente, gosto de seus textos.Porém, entretanto, todavia, este esta um pouco recatado e do lar, como manda a 'santa amada igreja' e o patriarcado. O padre Fabio de Mello iria gostar muito. Agora que já tasquei a madeira, falemos do escrito. Há vários motivos que levam uma pessoa a aposentar o sexo e cada caso tem suas particularidades. É preciso entender o que foi combinado antes do casamento, se é que teve um acordo ou simplesmente se valeu do que diz o "roteiro sócio-patriarcal-religioso". Há muitas coisas que são perdidos por ambos após o casamento.E, na maior parte das vezes, o "omem" recupera parte disto ou toma para si algumas coisas a mais e a mulher, seguindo o convencional social, aceita.Ela dificilmente busca para si algo que a possa empodera-la na relação. Meu pensamento é diverso deste, mas demandaria mais tempo. Por ora, paro aqui.

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    1. Oi Omar. Obrigada pelo comentário, mas queria entender melhor seu pensamento. Pois não entendi como incentivei o recato e o patriarcado nesta postagem.

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  2. Olha, já vi amigas passarem por isso de formas bem diferentes. Algumas reclamavam que lá pelos 3, 4 meses do bebê já estavam menos cansadas e queriam sexo sim... mas o marido parecia não querer, vê-la como mãe, ter menos desejo, achar que era roubar atenção do bebê ou sei lá. Para essas, o conselho era tranquilo: "Pula em cima, ou cai de boca, tome a iniciativa e mostre que continua sendo mulher, não só mãe".

    Mas outras amigas meio que piraram e não queriam mais sexo e se irritavam com o marido quando ele tentava. Acho que há mil motivos possíveis, alguns você já comentou no texto. Outros que consigo pensar.... Uma certa raiva não assumida do sexo que foi a causa daquele bebê que agora toma tanto tempo dela, que não pode ter mais sua vida... Ou se ver só como mãe mesmo, assexuada, totalmente voltada para o bebê. (Nesse caso beleza, se é uma fase, que seja... mas francamente, não espere que o marido embarque na mesma fase, porque ele não é obrigado a sentir da mesma forma.) E a última, meio triste: na realidade ela nunca gostou muito de sexo e agora já tem o filho e o usa como escudo... :(

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  3. É.. eu acho que eu não consegui me expressar nesse texto. Vendo os comentários de vocês dois.
    Por que eu estou falando para mulheres que querem sexo, mas o marido "não procura mais", então tentei pensar em motivos para ele não procurar mais. E tentar pensar uma maneira de reverter essa situação.
    Tomar iniciativa é obviamente a ação necessária, mas muitas mulheres não se sentem confortáveis com tomar a iniciativa sempre. Devemos respeitar isso. E se elas não se sentem confortáveis em tomar iniciativa, talvez conversar sobre o fim do período "celibatário" seja o melhor a fazer.

    Enfim... Como eu disse, eu ainda não passei por isso e nem sei se passarei, mas foi só uma reflexão a partir de algumas reclamações que já ouvi de amigas.

    Valeu por contribuir, Bá!

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  4. Pensei várias vezes em responder seu questionamento, mas os acontecimentos dos últimos dias me deixam um tanto entristecido pela falta de poder para mudar algumas coisa.Estou falando da violência contra as mulheres que não tem fronteira, classe social ou condição financeira.Sinto-me envergonhado pelas ações dos "omes" que apenas reproduzem o que aprenderam durante seu período de educação. Penso como é possível uma pessoa agir e pensar de maneira tão mesquinha... Vivi e aprendi com a mesma sociedade machista, religiosa/paternalista e não me vejo com nenhum direito diferente daquele que tem a mulher ou qualquer pessoa diferente de mim.
    Para mim, um casal, voltando ao assunto, é a junção de dois mundos diferentes que formarão um terceiro, é um produto químico diferente do inicial.Então são três elementos distintos e não deveriam perder a essência da base, ou seja; Não deveria perder aquilo que se teve ao longo do tempo. Mas infelizmente a mulher deixa de existir para que o homem fique mais forte ou tenha uma "mãe" com algumas vantagens: A mãe lava, passa, cozinha e o trata da melhor forma que um macho deseja. A Mulher/esposa, lava passa, cozinha, dedica-lhe o melhor que pode e ainda o satisfaz com sexo, sempre bom para ele, nem sempre bom para ela. Há várias coisas que levam as pessoas a diminuir a quantidade de sexo. Muitas vezes o homem não é tão chegado assim como dizem e se sente bem com uma ou duas vezes na semana e com pouca variação de posições, o mesmo vale para algumas mulheres e por fim o casal se acomoda e vivem bem. Em outros casos, um deles quer mais e o outro não corresponde, então teremos as insatisfações que vemos. É um assunto muito complexo e merece atenção detalhada de cada caso.
    Talvez não tenha respondido tudo que gostaria, mas por ora...

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  5. Então, Omar! Lendo esse último comentário acho que nós estamos falando da mesma coisa de formas diferentes. Eu só estou dizendo no texto que quem está se sentindo "prejudicada" na relação deveria tomar iniciativa de conversar sobre o assunto, sem rancor excessivo ou chantagem emocional. É isso! E obrigada, mais uma vez, por suas colaborações. beijocas!

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