sexta-feira, 17 de junho de 2016

Parecia uma feminista, mas era só uma bruxa.

Divulgação do filme: Elvira, a rainha das trevas (1988)

Não é minha intenção começar esse vídeo me explicando, mas eu tenho que dizer que eu era uma criança e assistia a Elvira na sessão da tarde, logo eu não sou uma adulta muito equilibrada. Minha inconstância, desequilíbrio e, até mesmo, fixação com planos/ideias que estavam claramente fadadas ao fracasso já me deixaram um tanto quanto insatisfeita comigo mesma, contudo hoje eu me importo menos do que já me importei com essas minhas características malucóides.
Daí que você pode não estar entendendo nadica de nada, mas eu vou começar esse texto assim mesmo, para que vocês saibam que eu sei que eu mudei.
(Beba água em um rio, volte em um ano e beba água no mesmo rio. Contudo saiba, o rio já não é o mesmo e nem você é mesmo! - Já diria o filósofo Patropi ou seria... era um filósofo.)
Entonces... O rio já correu um bocado e eu já andei um bocado por aí. E esse bloguizinho bunitinho aqui, agora é um blog de muié conversadeira e feminista.
Vai ter safadeza quando tiver que ter, vai ter rebelião quando tiver que ter e ainda vai ter o muro das lamentações (eu não sou de ferro, né?!).
Eu já falei por aqui, tenho quase certeza, que eu não era "feminista", mas eu era anti-sexista.(Dãããã...)  E com isso eu queria dizer que eu não estava em luta constante com os homenzinhos heterossexuais e/ou com pessoas machistas.
Eu fazia uma leitura errada sobre o que era ser feminista e, por isso, não queria ser. Porque eu não queria ficar brigando com os homenzinhos heterossexuais e nem com pessoas machistas.
- O quêêêêê? Tá falando que é feminista, mas não briga com machistas???
Brigo não, porque eu já não tenho paciência para brigar hoje em dia. Já estou um tanto madura (hastagVelha), minha energia é pouca e quando eu sinto cheiro de briga, eu sinto lágrimas arderem em meus olhos e cheiro de sangue, pois é um misto de "se continuar eu mato!" com "sou serumanazinha demais para matar alguém". Então faço opção por não brigar, mas tento conversar com as pessoas até onde vai o meu limite ou o limite delas.


https://drive.google.com/file/d/0B-WwPW--XJ0mNG1qQjNXLUN3ZWM/view
Clica na imagem, queridoan!!

Hoje eu já entendo que ser feminista não é ser a louca que quer cortar todas as picas e jogar numa fogueira, ser feminista é só dizer: "êêêÊÊÊÊPPPaaaaaaaaaa! Dá cá o que eu tenho direito!"
E além de entender tal afirmativa, entendi também que existem vários feminismos e eu não preciso me identificar com todos eles (devo indiscutivelmente respeitar cada um deles), pois a minha trajetória tem especificidades que talvez não caibam em todos os feminismos possíveis e existentes. [Clica na imagem ao lado que tem um link para um documento com definições breves de diferentes tipos de feminismos].
Minha luta não é contra o falo (simbólico e físico), minha luta é contra o Estado e sua mania de reforçar e reproduzir condições específicas da vida em sociedade que afetam negativamente e diretamente as mulheres e quem mais seja identificado com o gênero feminino.
Quais condições específicas são essas?
- Permitir que religiões que tem um histórico de opressão das mulheres influenciem na forma como determinadas temáticas são disciplinadas pela legislação nacional.
- Não criar mecanismos jurídicos/administrativos que assegurem a dignidade da mulher. Quando digo dignidade eu não quero dizer a "dignidade da mulher" estereotipada e representada pela virgindade, pelo recato, pudor, domesticidade e silêncio. Falo de dignidade como valor humano, igualdade e respeito.

"Feminina sim, feminista jamais!": Pelamor!!!!


- Ei molierrrrres!!! Tão malucas, felhas?!
Eu passo mal quando eu vejo esse tipo de afirmação, sim! Me desculpem meninas que acham que essa afirmação é válida e me desculpem também meninas que acham que eu não deveria pedir desculpas paras as meninas que acham essa afirmação válida!  Ah!! PáPorra, vou pedir desculpa porra nenhuma!! Cês são livres e a porta da rua é serventia da casa! (Baixou a loka!)

Voltando aqui! Prestenção... Feminista não é antônimo de feminina (lembra da aula da segunda série? Alto/baixo, cheio/vazio). Mas se você queria que fossem sinônimos, olha o cheirinho de frustração no ar, não são. Entretanto, apesar de não serem sinônimos não quer dizer que não possam ficar juntinhas, tomar umas biritas e até dar uns pegas uma na outra. Ser feminista e feminina é uma possibilidade real. Você não precisa ser pessoa com machezas para ser feminista, basta que você não se cale quando sentir que está sendo injustiçada por ser mulher, especificamente.
Por exemplo, quando alguém tenta lhe proibir de usar aquele vestido com um decote maravilhoso, porque se você usá-lo vai parecer que você é uma mulherzinha qualquer. Isso aí é injusto, pois a roupa que você veste não define quem você é como pessoa. Estar sexy é um direito seu, um direito sobre o seu próprio corpo.

Então não pira, mina! Seja feminina ou não seja feminina, porém  faça escândalo sempre que alguém disser que você não deve, não consegue, não pode, está proibida de ser ou fazer seja lá o que for.

Saiba, menina! Você não é obrigada a ser feminista e nunca será. Pois estaremos sempre lutando para que você não seja obrigada a NADA. É para isso que o feminismo existe.

Seja livre! Seja louca! Seja recatada! Seja cristã! Seja vadia! Seja solteira! Seja poliamor! Seja erótica! Seja pudica! Seja caseira! Seja baladeira! Seja tudo o que você quiser!
Mas por fim, não seja apenas um rótulo, seja capaz de se repensar, de ler o outro na sua essência e respeitar a trajetória da outra pessoa. Aprenda a ler vivências! Aprenda a respeitá-las!
Comece pela sua própria trajetória. Compreenda suas próprias experiências. Quem sabe assim você encontra uma pessoa poderosa aí dentro que queira sair e se juntar à luta pelos nossos direitos.

Seja ciborgue, não se apegue à deusa dentro de você.
Melhore você mesmoan!


Um comentário:

  1. Primeiramente quero dizer que fico feliz em vê-la por aqui novamente. Já disse que gosto de seus escritos. Agora falando do textículo; digo texto. É mais um meio de opressão classificar pessoas em etero, heteros, gaya= gays, etc. Não houve confusão... Somos livres,mas sempre há um grupo querendo ser mais livres que os demais, que o sol brilhe mais para eles que para outros. Enquanto não temos outro meio de lutar pelo que acreditamos, vamos sendo feministas, orgulhosos por ser gay, latino-americano, sei lá. Eu sempre ensinei aos meus filhos; duas meninas e um menino, que eles podem fazer o que quiserem, absolutamente tudo, somente que seriam responsáveis pelos próprios atos.
    Em princípio quero dizer que concordo com o que diz, sem tirar e nem por uma vírgula. Seja bem vinda, novamente.

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