sábado, 3 de agosto de 2013

Legalizar o aborto é preciso! Mais uma vez, história repetida.

 

Legalizar o aborto. Tratar o aborto como saúde pública.

Abortar não é jogar o bebê fora, abortar não é esperar nove meses para enfiá-lo em uma lata de lixo, isto é assassinato. Abortar não é interromper o processo de ser mãe, abortar é interromper o processo de gestação.

Eu acho degradante deparar com a ignorância alheia ou a manobra da ignorância alheia através de imagens como essa:

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As pessoas têm que tentar entender que a legalização do aborto será regulamentada, as pessoas no Brasil precisam começar a compreender o que são normativas, as pessoas têm que parar de achar que tudo no Brasil só é feito através do jeitinho que o outro deu.

Matar um bebê recém nascido jogando-o no esgoto, no lago ou no lixo não é aborto. Essa imagem não retrata um aborto. O aborto legalizado é para ser feito no hospital, o embrião será descartado de maneira segura e, moralmente, aceitável. Como é feito com um seio de uma mulher com câncer ou com uma perna que foi amputada. Abortar deve ser um procedimento médico/terapêutico, não uma ação assassina, de um açougueiro que não se preocupa com a saúde daquela mulher fragilizada pelo risco. O aborto legalizado deve ser realizado por pessoas conscientes do que querem no momento que descobriram sua gravidez, pois é raro alguém descobrir que está grávida já com 8 ou 9 meses.

Muitas coisas que são ditas e feitas quando o assunto é aborto são consequências da sua ilegalidade e criminalização. Mulheres não sabem que podem gerar filhos e no hospital mesmo o entregarem para adoção, sem nenhum ônus, não é crime se recusar a ser mãe. Talvez não o façam, talvez prefiram jogar a criança no esgoto, por acharem que estão abortando, quando na verdade estão parindo. Essa criança já foi abortada há muito tempo na cabeça dessa mulher, que finaliza o processo jogando-a fora. Isso é problemático, aborto legal e no hospital tem precisão, é preciso.

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Eu não julgo as pessoas religiosas por quererem propagar o não aborto, eu não condeno os religiosos por considerar o aborto um ato demoníaco, mas eu acho que as pessoas religiosas devem minimamente ter compaixão e misericórdia (usando suas próprias categorias) daquelas mulheres que de qualquer maneira irão realizar o aborto e que, inevitavelmente, irão cair nas mãos de um açougueiro, de uma pessoa que irá colocar sua vida em risco para realizar o aborto. Vocês, religiosos, podem continuar propagando sua crença, sua fé e manter-se fiel a ideia de que não se deve abortar. Vocês podem manifestarem-se pacificamente na frente de futuras clínicas especializadas em interrupção voluntária da gravidez, suplicando as mulheres que terminem a gestação e entreguem essas crianças a adoção. Mas não imponham sua perspectiva restrita ao Estado, não forcem o sistema de saúde público do Brasil à cuidarem dessas mulheres depois que elas já foram maltratadas pela ilegalidade desse procedimento.

As mulheres sempre interromperam voluntariamente suas gestações e vão continuar fazendo isso, com ou sem saúde pública. No final, quem sofre mais com essa ilegalidade e criminalização são as mulheres pobres, são elas que morrem quando abortam, são elas que morrem quando decidem que não querem mais um filho, são elas que morrem por não poder ter acesso ao sistema de saúde para realizar esse procedimento.

Ao meu ver, religiosos que lutam contra o direito de mulheres de interromper voluntariamente a gravidez de forma legal e com atendimento médico não passam de pretensos assassinos, não passam de pessoas que estão dispostos a condenar essas mulheres e, quiçá, dar a elas uma sentença de morte.

Legalizar e descriminalizar o aborto não quer dizer obrigar todas as mulheres não casadas que engravidarem a abortar, o aborto é e continuará sendo uma opção particular e contextual, acreditar que manter a normativa referente a isso no Brasil como está seja uma maneira de proteger gestações é apenas ignorância de pessoas que não se informam direito.

A mudança que nós, mulheres e homens, que somos pró-escolha e pró-vida da mulher lutamos prevê que o texto da lei seja redigido da seguinte maneira:

Art. 1º Toda mulher tem o direito à interrupção voluntária de sua gravidez, realizada por médico e condicionada ao consentimento livre e esclarecido da gestante, nos termos desta Lei.

Parágrafo único. No caso de gestante relativa ou absolutamente incapaz, o procedimento deverá ser consentido por seu representante legal.
Art. 2º Fica assegurada a interrupção voluntária da gravidez:
I- até doze semanas de gestação;
II- até vinte semanas de gestação, no caso de gravidez resultante de crime contra a liberdade sexual
III- no caso de grave risco à vida ou à saúde integral da gestante
IV- no caso de diagnóstico fetal de malformação incompatível com a vida ou de doença grave e incurável.
Prevê a cobertura dos procedimentos pelo SUS e pelos Planos privados de Saúde
Necessário a autorização dos pais ou responsáveis legais, além da autorização da gestante.

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Se informar não dói…

See u!