sexta-feira, 14 de junho de 2013

Conto n. 12: Esperando pela Fogueira


gemeos
Nós nos conhecíamos desde de bebezinhos. Eu nasci em novembro e ela nasceu em abril do mesmo ano. Lembro que eu sempre pensava ter a lembrança de nós dois deitados no mesmo berço, balbuciando coisas sincronizadas aos rostos que nos contemplavam de cima. Brincávamos sem cessar pela fazenda do meu avô, ela era a neta de um grande amigo e o melhor capataz que me avô tivera e por isso sua mãe havia herdado um sítio dentro das terras do meu avô que antes pertenceu ao avô dela. Crescemos como dois primos, até os sete anos nos víamos com uma constância que poderia ter nos tornado irmãos. Contudo, quando ela completou sete anos de idade sua mãe e seu pai consideraram que seria bom para ela ter educação na cidade vizinha, que não era a mesma que eu vivia com meus pais. Ela, então, foi morar com a madrinha e até que acontecesse o caso que logo relatarei se passaram sete anos.
Cheguei na fazenda do meu avô no final do mês de junho para a grande fogueira, como tradicionalmente fiz durante todos os meus quatorze anos. Já na chegada, Dona Joana, (a jovem senhora que passou a cuidar da casa e do meu avô logo depois da morte da minha avó, que ocorreu dois anos antes de eu nascer) eufórica pela possibilidade do encontro entre os herdeiros da amizade do fazendeiro com o capataz, veio me contar que Aline estava na fazenda, pela primeira fez, durante anos, aconteceria o reencontro. Eu gostei da possibilidade, pois eu tinha muita curiosidade sobre como ela era, se tinha continuado loira, se os cachinhos ainda existiam, se o olho esquerdo dela ainda vibrava sutilmente quando ela se envergonhava e se ela se lembrava desse velho amigo.  No entanto, não fiquei eufórico como Dona Joana, que logo quis pegar minha mochila e me enxotar para a casa de Aline. Não tive escolha, as 9 horas da noite, cansado e com sono, caminhei até a casa de Aline no escuro da fazenda que eu bem conhecia. Quando cheguei próximo da casa dela, percebi que havia apenas um luz fraca acesa em um dos quartos, pensei em desistir da viagem e ir dormir, mas por desejo do destino continuei meu caminho.
Quando cheguei, a porta principal da casa estava aberta e eu chamei pela dona da casa, que nada respondeu, acreditando que não havia ninguém ali entrei para verificar e fui em direção ao quarto que tinha aquela fraca luz acesa. Quando me aproximei comecei a ouvir uma respiração constante e ritmada. Aproximei-me da porta semi-aberta e ouvi um suspiro exatamente quando coloquei meu olhar sobre a imagem dentro do quarto.
[Toyen Marie Čermínová - Young Girl Who Dreams 1930]Era Aline, nua sobre a cama, aberta, com a mão ainda na buceta e os cabelos loiros e cacheados espalhados pelo lençol. Seu corpo brilhava muito mais do que a luz do abajur que estava aceso. Foram eternos 30 segundos de estupefação diante daquele quadro que me esfriou a espinha e fez urgir uma vontade de consumir todo aquele brilho, até que ela levantou o rosto para olhar em direção a porta e encontrou aquele rapaz estranhamente familiar. Puxou rapidamente o lençol que estava debaixo do seu corpo e se enrolou com uma técnica que me fez pensar que ela já havia feito aquilo pelo menos 76 vezes.  Diante daquela cena eu não consegui fugir e parado na frente dela eu disse: – Sou eu, não lembra? De sobressalto ela levantou da cama e veio me abraçar enrolada no lençol. Eu não sabia o que fazer com minhas mãos, quer dizer, na verdade eu sabia o que eu queria fazer com minhas mãos, mas eu achava que não deveria. E no afã daquele abraço ela me beijou o canto da boca. Senti meu rosto queimar e o desejo de consumir rugiu tão alto que quase acreditei que ela ouvira.
Ela fez de conta que havia acabado de tomar banho e me pediu para esperar um tempo na varanda enquanto ela se trocava. Porém não saia da minha cabeça: eu escutei o gozo de Aline, meninas se masturbavam também, como ela é gostosa, que horror, ela é quase minha irmã. Eu pensava e sentia meu pau ficar duro: que beleza eram aqueles seios, a barriga, a virilha, a mão que tampava os detalhes da buceta repleta de pentelhos. Enquanto eu tentava pensar em outra coisa para esfriar os ânimos nas minhas partes baixas Aline vinha em minha direção com aquele sorriso lindo, os olhos verde amarelados, como os de uma jaguatirica. Eu estou morto, pensei, maldita hora que eu ouvi a Dona Joana. Perguntei pelos seus pais e ela explicou que haviam ido para a fogueira na casa de Seu Jacinto e que a folia seria até o dia raiar. – Fiquei com preguiça de sair de casa e além do mais, o filho de seu Jacinto todo ano diz que está me esperando crescer pra gente casar, essa conversinha me cansa. [Georges Pichard]
Ela iria passar a noite sozinha e eu teria que voltar para a casa do meu avô, resolvi perguntar se ela não queria dormir na casa sede, assim nós dois poderíamos conversar mais e ela não ficaria sozinha em casa. Com um olhar que me perturbou ela disse que preferia se fosse ao contrário e me convidou para dormir na casa dela. – Vá lá na casa do seu avô e diga que você vai dormir comigo, onde já se viu uma mocinha dormir sozinha? Ela disse, riu e eu pude ver seu olho esquerdo sutilmente vibrar. Eu obedeci, fui e voltei pensando na imagem dela dizendo “diga que você vai dormir comigo”.  Era o que eu mais queria, mas eu sabia que fazer sexo não era bem assim, todos os meus amigos que já haviam transado o fizeram com meninas mais velhas do que eles, as meninas da nossa idade são mais difíceis, não conheço uma que não diga que é virgem. Concentrei-me na missão e voltei como um irmão que volta para fazer companhia para a irmã que está sozinha, entretanto, quando eu entrei na casa ela já estava com uma camisola rosa, de um pano tão levinho e fino que marcava todo o seu corpo, eu consegui ver até o volume sutil de uma pequena calcinha fio dental. – Eu vou morrer! Pensei novamente. Seria a noite mais longa que eu teria. Ela me conduziu até o quarto de seus pais e me informou que dormiríamos os dois ali, na cama de casal. Eu gelei e até pensei em dizer que não seria certo, mas me silenciei. Conversamos sobre os desencontros que aconteceram, nos impossibilitando de nos vermos até então. Ela falou da cidade que morava, eu toquei um pouco de gaita para ela. Até que ela bocejou e disse: – Vamos para a cama! E eu fui. Deitamos. Ela disse que estava com as pernas geladas e me pediu para aproximar as minhas pernas das dela. Mais uma vez obedeci. No momento que nossas peles se encostaram eu comecei a tremer e logo tratei de dizer que eu estava com frio. Ela se levantou e foi buscar mais um cobertor, jogando-o sobre nós dois, perguntou: – É verdade que homem quando não goza fica com dor nas bolas? Fiquei em silêncio e a olhei nos olhos, aquele momento era decisivo, ou eu iria dizer a ela o que eu desejava naquele momento ou eu me levantaria e iria embora. Eu respirava profundamente e pensava, foi quando ela falou: “O que foi? Vai passar mal?”
No ímpeto, não decidi nem por falar e nem por fugir, ainda olhando em seus olhos, eu me aproximei e beijei sua boca. Ela me afastou. Eu me levantei subitamente e pedi perdão, peguei minha gaita e me direcionei a porta de saída. Ela veio até mim e me abraçou pelas costas, sem me soltar ela falou: – Fica, eu quero você aqui. Eu me virei e a beijei novamente, ela me beijava e ia me levando para fora da casa. Eu perguntei para onde ela queria ir e ela apenas dizia: – o escuro, o escuro!  No breu eu senti ela tirando a camisola, pegou minhas mãos e colocou em seus seios dizendo: – Me faz suspirar, me faz suspirar como eu suspirei quando você chegou aqui em casa. Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, meu pau latejava e eu achava que iria explodir de tesão. Ela tirou minha calça e beijou meu pau e o lambeu. Respirei fundo, não podia acabar assim. A afastei um pouco e perguntei se ela queria fazer sexo, se ela queria que eu a comesse. Ela disse que sim e deitou sobre a camisola, esperando por mim.
[Cecily Brown]