sábado, 30 de março de 2013

O Movimento Pélvico: Sobre cães e homens

 

E então, numa linda tarde de sábado você vê um lindo cachorrinho no parque e resolve fazer uma graça e jaz: óia lá o cachorro trepando com sua perna.

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Você dá uma risadinha, o dono do cão não sabe onde enfiar a cara e você dá uma sacudida de leve. Pede educadamente para o bichinho sair e nada. Faz uma poker face e espera o cãozinho terminar de esfregar o pauzinho dele na sua perna. #sqn

- Misera!! Sai pra lá.. Inferno!

E o cachorrinho se vai, triste e frustrado. Pois bem, acredito que boa parte das pessoas já levou uma bimbada na perna por um cachorro, mas você já foi bimbado/a  no vácuo por um rapazinho?  Ô meu deus, como eu ri ao ouvir a fatídica história.

Está lá a menina, no rala e rola, no amassa daqui, lambe dali e de repente o cara começa a fazer movimentos pélvicos, completamente vestido, na sua perna (ou na sua barriga) e a menina pensa. Bem, ainda estamos em um lugar público, pode ser que o rapaz não está se controlando e resolveu roçar a jeba em mim. Beleza! Mas ainda assim é esquisito…

Daí a menina resolve ir para o quarto com ele e mais preliminares, amassa daqui, chupa dali, masturba acolá. E a menina, com a camisinha na mão e o cara fazendo o cachorrinho na perna dela.  E o pior, com o dedo engatado no xibiu da moça!

Mom-Wtf-Are-You-Doing

Tá bom, tá bom!! Eu sei, eu sei… Cada um tem o direito de expressar sua sexualidade do jeito que bem entender. Mas, peraí!! Numa hora dessas você pode estar trepando com o Tom Cruise de Ray Ban que não vai ser feliz.

Eu sei que já faz muuuito tempo desde a última vez que eu escrevi dando dicas, mas lá vai:

1º ponto: Não justifica, meu caro, você trepar na perna da garota e ficar lá, sozinho, se masturbando como se a mocinha fosse um poste. Não dá, a cena fica ridícula demais para qualquer coração sem fetiches macabros aguentar.

2º ponto: É meio assustador até, você está lá no rala e rola e de repente tem um buldogue grudado gemendo e suspirando. Não, não dá. Mesmo se a menina for do tipo virgem (cada vez mais escasso hoje em dia) ou não quiser dar por um motivo qualquer, não faça isso, meu filho. Porque se a menina tinha a intenção de completar a transa em outro momento, fudeu tudo, não vai ter mais foda.

3º ponto: Se o seu negócio é perna. Porque vai que é! Se você não gosta de colocar no buraco, talvez seja mais jogo você dar uma informada antes. Hoje a maioria, eu arriscaria dizer absoluta, das mulheres buscam prazer quando estão trepando e vou dizer, a não ser que ela tenha fetiche com um cara fazendo o cachorrinho na perna dela, ela não vai gozar desse jeito meeeeesmo. O que vai acontecer é que a moçoila vai ficar olhando para o teto e pensando “Que merda eu vim fazer aqui com esse cara?”

Então, se você num gosta de meter no buraco, acha que mulher fica feliz só de ter alguma coisa atolada na xoxota, sem muito movimento ou exploração da pélvis, perdeu!  Vai virar piadinha… Porque sim, as pessoas são escrotas e fazem piadinhas com esse tipo de situação.

Mas de todo jeito, viva a liberdade para vivenciar os prazeres sexuais, sejam eles humanizados ou não. HaHaHaHAHAHaha…

See u!

meu cão ama montar em pernas[9]

sábado, 23 de março de 2013

Conto n. 11 – Se são antropólogos, que me fodam!

 

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Eu estava naquele bar, um famoso bar da cidade que reunia todos os tipos de cults, newhippies, intelectuais fracassados… Eu não me encontrava em nenhum desses rótulos, mas eu gostava do bar, ele ficava perto de uma universidade pública e a cerveja era barata. E eu, no final das contas, gostava de observar a masturbação político-intelectual daquele tipo de Intelligentsia que frequentava o espaço.

Aquele dia foi um pouquinho diferente, havia um suposto casal na mesa à minha frente. Eles gesticulavam, falavam sobre suas dores, seus problemas e suas angústias… epistemológicas. Hermenêuticas. Dialéticas. Confusão. Gritaria. Era dor que não se acabava e eram gestos que não se findavam. Eram antropólogos, um fazia estudos EM África e a outra fazia estudos com os famigerados indígenas. Estavam em vias de terminar o doutorado em antropologia social em uma universidade pública com o programa de pós graduação nota 7.  Se tornariam, por sua conta e risco, doutores.

- Ô, Glória!  Temos bolsas de pesquisa…

Esse era o mantra que poderia ser ouvido. Nesse dia eu os conheci, os vi, deles eu gostei. Eles eram bonitos, havia algo de sexy (mesmo que seja difícil de acreditar que Intelligentsia possa ter sexy appeal), aconteceu um convite, sentei a mesa. Eu os mirava, buscava entender de onde viria tanta angústia. Aquelas dúvidas existenciais não iriam se dissolver, nem as deles, nem as minhas. Restou-nos uma má proposta, libidinosa proposta, terrível e amoral proposta: um antropológico ménage à trois. Antropólogos tinham fama de se aventurarem. Embarquei nesse barco viking acreditando ser mais um monge raptado.

Mr G. Bateson, Dr. Margaret Mead, and Dr. Reo Fortune, who arrived from New Guinea yesterday by the Macdhui.’

Os três, eu e os antropólogos (que na verdade não eram um casal, apenas amigos, just friends), estávamos em uma quitinete, um dos dois morava ali, não sei dizer qual deles ou se os dois. Eram tempos difíceis para bolsistas de pós-graduação. Na miniatura de casa havia um colchão de casal jogado ao chão, uma estante cheia de títulos que eu não fazia ideia do que se tratava: “O Pensamento Selvagem”, “Pacificando o Branco” e algo como “Arueté”. Minhas ideias foram a mil, o que poderia ser uma noite de sexo aventureiro com um casal de… Selvagens antropólogos?

Fui ficando cada vez mais excitado, não conseguia pensar nas loucuras que viveríamos juntos. Seria como um fetiche descoberto segundos antes da possibilidade de se concretizar. Ela começou a tirar a roupa. Sua pele era morena, suas costas me lembrava um belo violão e eu só pensava em tocá-la. Sua nudez era quase imaculada, mas cheia de pecados. Enquanto eu me distraia com as curvas da morena antropóloga, ele também se despiu e eu não sabia o quanto eu poderia me encantar com um corpo masculino. Ele era magro, um porte “normal”, mas eu podia ver que haviam músculos, belos músculos que eu poderia delinear metodologicamente com minha língua. 

Eu já não podia me conter, o que eu queria era fenomenológico. O processo hermenêutico daquele momento já não bastava para mim. E, por fim, eu era o único vestido entre nus. Apressei-me em me desnudar e investi diretamente no lambível corpo masculino e me tornei, também, lambível. Saliva. Não é possível fazer sexo sem saliva. Entre suores e saliva nos deliciamos em nossos sais. A euforia foi possuída por um tipo de constrangimento moral. Eles não queria aquilo, eu pensei. Em momentos de distração, os fraguei com o pensamento ao longe enquanto me chupavam. Era mecânico, executável, moralmente manobrável por uma necessidade de ser e parecer apetitoso. Seria isso?

Entre línguas eu me dei conta que aventuras não são o meu forte. Antropólogos em vias de acabar tese não são o meu forte. Talvez o meu forte seja ter na língua a sensibilidade de um sábio ancião iniciador de gueixas.  E meu defeito seja não conseguir relativizar o bastante.