sábado, 14 de setembro de 2013

Mulher sozinha tá dando sopa?? Sobre erros de pressuposição

 

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Dicionário Eletrônico Houaiss afirma:

dar sopa
    Uso: informal (Regionalismo: Brasil).
    oferecer facilidade, dar ensejo de (ser roubado ou enganado etc.)
Ex.: deu sopa e levaram sua carteira

 

Muitos diriam que afirmar que quando uma mulher está sozinha, seja lá em qual lugar for, ela está consequentemente dando sopa  é com certeza uma pressuposição que compõe essa tão afamada “cultura do estupro” que está na crista da onda de algumas vertentes feministas. Não vou me ater a essa tal “cultura do estupro”, mas quero convidar a reflexão sobre esse dar sopa, principalmente, das mulheres. Quando eu escuto alguém dizendo que uma  mulher sozinha no ponto de onibus está dando sopa ou que uma mulher que vai sozinha pra um bar está dando sopa, eu visualizo, imediatamente, aquelas cenas de novelas e filmes antigos em que as mulheres precisavam de uma companhia para transitar pelas ruas das pequenas cidades onde moravam. enhanced-buzz-32118-1376326929-0Ora estavam acompanhadas por suas amas ou por um gentil cavalheiro que as acompanhava em um passeio pela praça ou no caminho de volta para casa. A idéia que está nisso não diz respeito a incapacidade de mulher de realizar algo sozinha, mas evoca o fato de que é impossível de que ela se defenda sozinha, é mais uma vez o temor que o falo gera (eu já havia falado um pouco sobre isso no post Banheiros e desejos; impasses cotidianos).

Houveram mudanças, as mulheres, teoricamente, podem ir e vir sozinhas para onde quiserem. Elas não precisam mais pedir aos pais, irmãos, amigos, gentis cavalheiros que as acompanhem até em casa ou até a casa de alguém. Será? Quantas vezes nós mulheres nos deparamos com essa necessidade de estar acompanhada? Quantas vezes algum amigo homem se sente na obrigação de nos acompanhar, para que a gente fique segura? É confortável essa vunerabilidade? É confortável sentir que está dando sopa só pelo fato de ser mulher e por isso correr mais risco de ser abordada, maltratada ou grosseiramente cortejada?

Esse dar sopa me parece com a personagem recorrente da Marilyn nos filmes, sempre aquela mulher linda de morrer que não consegue dizer não para um homem galante, e essa mulher linda está sempre inocentemente dando sopa. Sem se dar conta essa mulher transita sozinha e quando tocada por um homem desfalece em seus braços e jamais diz não. Afinal, quantas vezes ouvimos dizer que o não de uma mulher na verdade é um sim, basta forçar um pouquinho, porque na verdade ela está doida querendo.

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Aãããããiiiiiiii… Como isso cansa minha beleza! Como cansa ter que explicar mil vezes que eu sei me cuidar e que eu não vou fazer aquilo que eu não quero fazer (se me derem o direito de escolha). Porém, se não contarmos com uma mudança de mentalidade sobre esse dar sopa das mulheres não haverá um dia que eu, como mulher, consiga atravessar por um trecho escuro do meu caminho sem o medo de estar dando sopa demais.

Isso tem que mudar em pequenas coisas, como o fato de parar de achar que uma mulher comprometida que está sem o marido, noivo, namorado, ficante em algum lugar está, com certeza, dando sopa.  As pessoas que estão comprometidas não fazem nenhum tipo de operação que grude um ao outro, impedido que qualquer uma das partes saia sozinha. As pessoas comprometidas podem continuar lealmente comprometidas mesmo quando não estão com o seu parceiro ao lado. É feio, muito feio, achar que a namorada ou esposa do coleguinha está dando sopa só porque ele não está por perto. As mulheres são capazes de se manter apaixonadas pelo parceiro. Mesmo que apareça um outro cara, galante e faceiro, buscando tocá-la, ela não vai desfalecer nos braços dele como as personagens da Marilyn. Se, por acaso, isso acontecer não é pelo fato de ela ser uma mulherzinha frágil que não resiste a um galanteio. Se ela resolver ficar com outro cara não é porque ela está dando sopa, mas porque ela quis, ficou com vontade, resolveu ficar com outras pessoas. Ela agiu, não foi o outro que agiu sobre ela.

Necessário é mudar a mentalidade de homens e mulheres sobre essa incapacidade feminina de decidir. Algumas (e alguns), a partir daqui, falariam de empoderamento. Eu não vou falar… Encerro, antes que as idéias se tornem panfletárias demais.

See u!

Um comentário:

  1. Eu sempre tive um certo asco por agressores de mulheres, crianças e velhos. São recorrentes covardes se fazendo de "macho", violentar física e moralmente pessoas que estão fragilizadas por uma razão ou outra.
    Nesse caso específico de agressão contra mulheres que estão "dando sopa", sou favorável a aplicação da lei do inimigo: Na eminencia de uma agressão, elimine o inimigo com potencial agressivo. Mate-o ou será morta por ele. Exagero? veja as estatísticas e não faça parte dela.

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