domingo, 6 de outubro de 2013

Conto n. 13: Broxante forçamento


Apollonia Saintclair 378 - 20130623 La vérité sur l'Affaire Lucy K. (Intimate revelations about Lucy K.)
Depois de algum tempo ela começou a me colocar na parede. Nós havíamos nos beijado há algumas semanas e ficara apenas nisso. Por mim estaria tudo bem se não houvesse mais nada, o beijo havia sido o bastante. No entanto, ela considerou que deveria ter mais de mim e chegou a insinuar que quando já somos crescidinhos o beijo não é o bastante.
Por muito tempo tentei me esgueirar. Entretanto, nem sempre fugas são possíveis. Foi então que a convidei para a minha cama e ela não pestanejou. Aquela ânsia desenfreada me deixou um bocado apreensivo, tenho que admitir. E eu deveria ter considerado a minha apreensão um presságio, já que eu nunca ficava apreensivo quando o assunto eram mulheres e suas vontades de me dar. Eu comia e só. Como um Dom Juan eu as envolvia, eu fazia com que elas viessem até mim e num ato singelo, livre, eu dava à elas o que elas queriam enquanto eu também tinha o que eu queria. Meu gozo, meu êxtase.
Contudo, aquele dia foi diferente. Ela era uma linda mulher, seus peitos eram os peitos mais bonitos que eu já havia espiado. Eu salivava em seu decote. Eu e mais meia dúzia de colegas em comum. Ela estava nua em minha cama, nua e eufórica. Comecei beijando sua boca e ela ansiosamente procurou meu pau e começou a tocar uma para mim. Ela segurava com força, apertava e friccionava com muita rapidez. Foi então que discretamente eu tirei sua mão de meu pau. Incontente ela foi até ele com a boca. Pensei que talvez ela fosse melhor com a boca, mas eram dentes, mordidas, pressões que não me levariam nunca ao prazer. Comecei a me sentir um tanto quanto abusado por ela.
Parecia mesmo que ela não pensava em mim, cumpria o que ela achava que deveria fazer para eu ficar contente e assim passar para a segunda fase da foda. E foi então que voltamos a nos beijar e eu alcancei seus peitos com minha boca. Ela imediatamente disse “Aí não!”, minha frustração foi instantânea, eu queria tanto chupar aqueles peitos. E ela completou: “Antes de chegar aí você tem que beijar minha nuca”. Eu pensei: Ufa!! Não é um não absoluto. Fiz o que ela pediu e beijei sua nuca. Quando ela pareceu animada com minha língua em sua nuca eu fui para os peitos. Eu nem estava satisfeito ainda quando ela disse: “Agora beija minha barriga!” Achei aquilo meio estranho, mas fui beijar sua barriga.
Apollonia Saintclair 412 - 20130923 Les hautes herbes (Another John Barleycorn)Foi quando começou o estupro. Ela começou a empurrar minha cabeça para sua xoxota. Eu resistia e beijava sua barriga, tentando voltar para seus peitos. Ela empurrava com mais força. Até que eu me esquivei e disse: “Calma, princesa!” E ela sorriu zombeteira.
Porém, na verdade, eu não tinha pretensão em beijar sua xoxota. E depois daquele desconforto voltei para os peitos dela, quando eu já estava bem animado e procurando pela camisinha para dar a ela o que ela queria, ela começou a empurrar minha cabeça novamente para sua xoxota. Tentei resistir e ela disse: “Para colocar tem que me chupar, essa é a regra!”
Naquele exato momento e me senti violentado, eu não queria chupar sua xoxota. Se ela tem as regras dela eu também tenho as minhas e eu não saio chupando todo mundo. Não consegui dizer a ela que não queria aquilo, não consegui dizer qual era a minha regra e chupei.
A foda terminou em clima de broxada, pois enquanto eu a chupava meu pau me dizia: “Caro amigo, a que nível você chegou, desta eu estou fora!” E se retirou da brincadeira. Sem querer dizer a ela que eu havia broxado e sem ânimo para começar tudo novamente eu encontrei uma maneira de encerrar tudo ali, chupei até ela gemer e me despedi. Ela foi embora e eu fiquei digerindo aquele forçamento.

sábado, 14 de setembro de 2013

Mulher sozinha tá dando sopa?? Sobre erros de pressuposição

 

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Dicionário Eletrônico Houaiss afirma:

dar sopa
    Uso: informal (Regionalismo: Brasil).
    oferecer facilidade, dar ensejo de (ser roubado ou enganado etc.)
Ex.: deu sopa e levaram sua carteira

 

Muitos diriam que afirmar que quando uma mulher está sozinha, seja lá em qual lugar for, ela está consequentemente dando sopa  é com certeza uma pressuposição que compõe essa tão afamada “cultura do estupro” que está na crista da onda de algumas vertentes feministas. Não vou me ater a essa tal “cultura do estupro”, mas quero convidar a reflexão sobre esse dar sopa, principalmente, das mulheres. Quando eu escuto alguém dizendo que uma  mulher sozinha no ponto de onibus está dando sopa ou que uma mulher que vai sozinha pra um bar está dando sopa, eu visualizo, imediatamente, aquelas cenas de novelas e filmes antigos em que as mulheres precisavam de uma companhia para transitar pelas ruas das pequenas cidades onde moravam. enhanced-buzz-32118-1376326929-0Ora estavam acompanhadas por suas amas ou por um gentil cavalheiro que as acompanhava em um passeio pela praça ou no caminho de volta para casa. A idéia que está nisso não diz respeito a incapacidade de mulher de realizar algo sozinha, mas evoca o fato de que é impossível de que ela se defenda sozinha, é mais uma vez o temor que o falo gera (eu já havia falado um pouco sobre isso no post Banheiros e desejos; impasses cotidianos).

Houveram mudanças, as mulheres, teoricamente, podem ir e vir sozinhas para onde quiserem. Elas não precisam mais pedir aos pais, irmãos, amigos, gentis cavalheiros que as acompanhem até em casa ou até a casa de alguém. Será? Quantas vezes nós mulheres nos deparamos com essa necessidade de estar acompanhada? Quantas vezes algum amigo homem se sente na obrigação de nos acompanhar, para que a gente fique segura? É confortável essa vunerabilidade? É confortável sentir que está dando sopa só pelo fato de ser mulher e por isso correr mais risco de ser abordada, maltratada ou grosseiramente cortejada?

Esse dar sopa me parece com a personagem recorrente da Marilyn nos filmes, sempre aquela mulher linda de morrer que não consegue dizer não para um homem galante, e essa mulher linda está sempre inocentemente dando sopa. Sem se dar conta essa mulher transita sozinha e quando tocada por um homem desfalece em seus braços e jamais diz não. Afinal, quantas vezes ouvimos dizer que o não de uma mulher na verdade é um sim, basta forçar um pouquinho, porque na verdade ela está doida querendo.

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Aãããããiiiiiiii… Como isso cansa minha beleza! Como cansa ter que explicar mil vezes que eu sei me cuidar e que eu não vou fazer aquilo que eu não quero fazer (se me derem o direito de escolha). Porém, se não contarmos com uma mudança de mentalidade sobre esse dar sopa das mulheres não haverá um dia que eu, como mulher, consiga atravessar por um trecho escuro do meu caminho sem o medo de estar dando sopa demais.

Isso tem que mudar em pequenas coisas, como o fato de parar de achar que uma mulher comprometida que está sem o marido, noivo, namorado, ficante em algum lugar está, com certeza, dando sopa.  As pessoas que estão comprometidas não fazem nenhum tipo de operação que grude um ao outro, impedido que qualquer uma das partes saia sozinha. As pessoas comprometidas podem continuar lealmente comprometidas mesmo quando não estão com o seu parceiro ao lado. É feio, muito feio, achar que a namorada ou esposa do coleguinha está dando sopa só porque ele não está por perto. As mulheres são capazes de se manter apaixonadas pelo parceiro. Mesmo que apareça um outro cara, galante e faceiro, buscando tocá-la, ela não vai desfalecer nos braços dele como as personagens da Marilyn. Se, por acaso, isso acontecer não é pelo fato de ela ser uma mulherzinha frágil que não resiste a um galanteio. Se ela resolver ficar com outro cara não é porque ela está dando sopa, mas porque ela quis, ficou com vontade, resolveu ficar com outras pessoas. Ela agiu, não foi o outro que agiu sobre ela.

Necessário é mudar a mentalidade de homens e mulheres sobre essa incapacidade feminina de decidir. Algumas (e alguns), a partir daqui, falariam de empoderamento. Eu não vou falar… Encerro, antes que as idéias se tornem panfletárias demais.

See u!

sábado, 3 de agosto de 2013

Legalizar o aborto é preciso! Mais uma vez, história repetida.

 

Legalizar o aborto. Tratar o aborto como saúde pública.

Abortar não é jogar o bebê fora, abortar não é esperar nove meses para enfiá-lo em uma lata de lixo, isto é assassinato. Abortar não é interromper o processo de ser mãe, abortar é interromper o processo de gestação.

Eu acho degradante deparar com a ignorância alheia ou a manobra da ignorância alheia através de imagens como essa:

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As pessoas têm que tentar entender que a legalização do aborto será regulamentada, as pessoas no Brasil precisam começar a compreender o que são normativas, as pessoas têm que parar de achar que tudo no Brasil só é feito através do jeitinho que o outro deu.

Matar um bebê recém nascido jogando-o no esgoto, no lago ou no lixo não é aborto. Essa imagem não retrata um aborto. O aborto legalizado é para ser feito no hospital, o embrião será descartado de maneira segura e, moralmente, aceitável. Como é feito com um seio de uma mulher com câncer ou com uma perna que foi amputada. Abortar deve ser um procedimento médico/terapêutico, não uma ação assassina, de um açougueiro que não se preocupa com a saúde daquela mulher fragilizada pelo risco. O aborto legalizado deve ser realizado por pessoas conscientes do que querem no momento que descobriram sua gravidez, pois é raro alguém descobrir que está grávida já com 8 ou 9 meses.

Muitas coisas que são ditas e feitas quando o assunto é aborto são consequências da sua ilegalidade e criminalização. Mulheres não sabem que podem gerar filhos e no hospital mesmo o entregarem para adoção, sem nenhum ônus, não é crime se recusar a ser mãe. Talvez não o façam, talvez prefiram jogar a criança no esgoto, por acharem que estão abortando, quando na verdade estão parindo. Essa criança já foi abortada há muito tempo na cabeça dessa mulher, que finaliza o processo jogando-a fora. Isso é problemático, aborto legal e no hospital tem precisão, é preciso.

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Eu não julgo as pessoas religiosas por quererem propagar o não aborto, eu não condeno os religiosos por considerar o aborto um ato demoníaco, mas eu acho que as pessoas religiosas devem minimamente ter compaixão e misericórdia (usando suas próprias categorias) daquelas mulheres que de qualquer maneira irão realizar o aborto e que, inevitavelmente, irão cair nas mãos de um açougueiro, de uma pessoa que irá colocar sua vida em risco para realizar o aborto. Vocês, religiosos, podem continuar propagando sua crença, sua fé e manter-se fiel a ideia de que não se deve abortar. Vocês podem manifestarem-se pacificamente na frente de futuras clínicas especializadas em interrupção voluntária da gravidez, suplicando as mulheres que terminem a gestação e entreguem essas crianças a adoção. Mas não imponham sua perspectiva restrita ao Estado, não forcem o sistema de saúde público do Brasil à cuidarem dessas mulheres depois que elas já foram maltratadas pela ilegalidade desse procedimento.

As mulheres sempre interromperam voluntariamente suas gestações e vão continuar fazendo isso, com ou sem saúde pública. No final, quem sofre mais com essa ilegalidade e criminalização são as mulheres pobres, são elas que morrem quando abortam, são elas que morrem quando decidem que não querem mais um filho, são elas que morrem por não poder ter acesso ao sistema de saúde para realizar esse procedimento.

Ao meu ver, religiosos que lutam contra o direito de mulheres de interromper voluntariamente a gravidez de forma legal e com atendimento médico não passam de pretensos assassinos, não passam de pessoas que estão dispostos a condenar essas mulheres e, quiçá, dar a elas uma sentença de morte.

Legalizar e descriminalizar o aborto não quer dizer obrigar todas as mulheres não casadas que engravidarem a abortar, o aborto é e continuará sendo uma opção particular e contextual, acreditar que manter a normativa referente a isso no Brasil como está seja uma maneira de proteger gestações é apenas ignorância de pessoas que não se informam direito.

A mudança que nós, mulheres e homens, que somos pró-escolha e pró-vida da mulher lutamos prevê que o texto da lei seja redigido da seguinte maneira:

Art. 1º Toda mulher tem o direito à interrupção voluntária de sua gravidez, realizada por médico e condicionada ao consentimento livre e esclarecido da gestante, nos termos desta Lei.

Parágrafo único. No caso de gestante relativa ou absolutamente incapaz, o procedimento deverá ser consentido por seu representante legal.
Art. 2º Fica assegurada a interrupção voluntária da gravidez:
I- até doze semanas de gestação;
II- até vinte semanas de gestação, no caso de gravidez resultante de crime contra a liberdade sexual
III- no caso de grave risco à vida ou à saúde integral da gestante
IV- no caso de diagnóstico fetal de malformação incompatível com a vida ou de doença grave e incurável.
Prevê a cobertura dos procedimentos pelo SUS e pelos Planos privados de Saúde
Necessário a autorização dos pais ou responsáveis legais, além da autorização da gestante.

*** Ver mais ***

Se informar não dói…

See u!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Conto n. 12: Esperando pela Fogueira


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Nós nos conhecíamos desde de bebezinhos. Eu nasci em novembro e ela nasceu em abril do mesmo ano. Lembro que eu sempre pensava ter a lembrança de nós dois deitados no mesmo berço, balbuciando coisas sincronizadas aos rostos que nos contemplavam de cima. Brincávamos sem cessar pela fazenda do meu avô, ela era a neta de um grande amigo e o melhor capataz que me avô tivera e por isso sua mãe havia herdado um sítio dentro das terras do meu avô que antes pertenceu ao avô dela. Crescemos como dois primos, até os sete anos nos víamos com uma constância que poderia ter nos tornado irmãos. Contudo, quando ela completou sete anos de idade sua mãe e seu pai consideraram que seria bom para ela ter educação na cidade vizinha, que não era a mesma que eu vivia com meus pais. Ela, então, foi morar com a madrinha e até que acontecesse o caso que logo relatarei se passaram sete anos.
Cheguei na fazenda do meu avô no final do mês de junho para a grande fogueira, como tradicionalmente fiz durante todos os meus quatorze anos. Já na chegada, Dona Joana, (a jovem senhora que passou a cuidar da casa e do meu avô logo depois da morte da minha avó, que ocorreu dois anos antes de eu nascer) eufórica pela possibilidade do encontro entre os herdeiros da amizade do fazendeiro com o capataz, veio me contar que Aline estava na fazenda, pela primeira fez, durante anos, aconteceria o reencontro. Eu gostei da possibilidade, pois eu tinha muita curiosidade sobre como ela era, se tinha continuado loira, se os cachinhos ainda existiam, se o olho esquerdo dela ainda vibrava sutilmente quando ela se envergonhava e se ela se lembrava desse velho amigo.  No entanto, não fiquei eufórico como Dona Joana, que logo quis pegar minha mochila e me enxotar para a casa de Aline. Não tive escolha, as 9 horas da noite, cansado e com sono, caminhei até a casa de Aline no escuro da fazenda que eu bem conhecia. Quando cheguei próximo da casa dela, percebi que havia apenas um luz fraca acesa em um dos quartos, pensei em desistir da viagem e ir dormir, mas por desejo do destino continuei meu caminho.
Quando cheguei, a porta principal da casa estava aberta e eu chamei pela dona da casa, que nada respondeu, acreditando que não havia ninguém ali entrei para verificar e fui em direção ao quarto que tinha aquela fraca luz acesa. Quando me aproximei comecei a ouvir uma respiração constante e ritmada. Aproximei-me da porta semi-aberta e ouvi um suspiro exatamente quando coloquei meu olhar sobre a imagem dentro do quarto.
[Toyen Marie Čermínová - Young Girl Who Dreams 1930]Era Aline, nua sobre a cama, aberta, com a mão ainda na buceta e os cabelos loiros e cacheados espalhados pelo lençol. Seu corpo brilhava muito mais do que a luz do abajur que estava aceso. Foram eternos 30 segundos de estupefação diante daquele quadro que me esfriou a espinha e fez urgir uma vontade de consumir todo aquele brilho, até que ela levantou o rosto para olhar em direção a porta e encontrou aquele rapaz estranhamente familiar. Puxou rapidamente o lençol que estava debaixo do seu corpo e se enrolou com uma técnica que me fez pensar que ela já havia feito aquilo pelo menos 76 vezes.  Diante daquela cena eu não consegui fugir e parado na frente dela eu disse: – Sou eu, não lembra? De sobressalto ela levantou da cama e veio me abraçar enrolada no lençol. Eu não sabia o que fazer com minhas mãos, quer dizer, na verdade eu sabia o que eu queria fazer com minhas mãos, mas eu achava que não deveria. E no afã daquele abraço ela me beijou o canto da boca. Senti meu rosto queimar e o desejo de consumir rugiu tão alto que quase acreditei que ela ouvira.
Ela fez de conta que havia acabado de tomar banho e me pediu para esperar um tempo na varanda enquanto ela se trocava. Porém não saia da minha cabeça: eu escutei o gozo de Aline, meninas se masturbavam também, como ela é gostosa, que horror, ela é quase minha irmã. Eu pensava e sentia meu pau ficar duro: que beleza eram aqueles seios, a barriga, a virilha, a mão que tampava os detalhes da buceta repleta de pentelhos. Enquanto eu tentava pensar em outra coisa para esfriar os ânimos nas minhas partes baixas Aline vinha em minha direção com aquele sorriso lindo, os olhos verde amarelados, como os de uma jaguatirica. Eu estou morto, pensei, maldita hora que eu ouvi a Dona Joana. Perguntei pelos seus pais e ela explicou que haviam ido para a fogueira na casa de Seu Jacinto e que a folia seria até o dia raiar. – Fiquei com preguiça de sair de casa e além do mais, o filho de seu Jacinto todo ano diz que está me esperando crescer pra gente casar, essa conversinha me cansa. [Georges Pichard]
Ela iria passar a noite sozinha e eu teria que voltar para a casa do meu avô, resolvi perguntar se ela não queria dormir na casa sede, assim nós dois poderíamos conversar mais e ela não ficaria sozinha em casa. Com um olhar que me perturbou ela disse que preferia se fosse ao contrário e me convidou para dormir na casa dela. – Vá lá na casa do seu avô e diga que você vai dormir comigo, onde já se viu uma mocinha dormir sozinha? Ela disse, riu e eu pude ver seu olho esquerdo sutilmente vibrar. Eu obedeci, fui e voltei pensando na imagem dela dizendo “diga que você vai dormir comigo”.  Era o que eu mais queria, mas eu sabia que fazer sexo não era bem assim, todos os meus amigos que já haviam transado o fizeram com meninas mais velhas do que eles, as meninas da nossa idade são mais difíceis, não conheço uma que não diga que é virgem. Concentrei-me na missão e voltei como um irmão que volta para fazer companhia para a irmã que está sozinha, entretanto, quando eu entrei na casa ela já estava com uma camisola rosa, de um pano tão levinho e fino que marcava todo o seu corpo, eu consegui ver até o volume sutil de uma pequena calcinha fio dental. – Eu vou morrer! Pensei novamente. Seria a noite mais longa que eu teria. Ela me conduziu até o quarto de seus pais e me informou que dormiríamos os dois ali, na cama de casal. Eu gelei e até pensei em dizer que não seria certo, mas me silenciei. Conversamos sobre os desencontros que aconteceram, nos impossibilitando de nos vermos até então. Ela falou da cidade que morava, eu toquei um pouco de gaita para ela. Até que ela bocejou e disse: – Vamos para a cama! E eu fui. Deitamos. Ela disse que estava com as pernas geladas e me pediu para aproximar as minhas pernas das dela. Mais uma vez obedeci. No momento que nossas peles se encostaram eu comecei a tremer e logo tratei de dizer que eu estava com frio. Ela se levantou e foi buscar mais um cobertor, jogando-o sobre nós dois, perguntou: – É verdade que homem quando não goza fica com dor nas bolas? Fiquei em silêncio e a olhei nos olhos, aquele momento era decisivo, ou eu iria dizer a ela o que eu desejava naquele momento ou eu me levantaria e iria embora. Eu respirava profundamente e pensava, foi quando ela falou: “O que foi? Vai passar mal?”
No ímpeto, não decidi nem por falar e nem por fugir, ainda olhando em seus olhos, eu me aproximei e beijei sua boca. Ela me afastou. Eu me levantei subitamente e pedi perdão, peguei minha gaita e me direcionei a porta de saída. Ela veio até mim e me abraçou pelas costas, sem me soltar ela falou: – Fica, eu quero você aqui. Eu me virei e a beijei novamente, ela me beijava e ia me levando para fora da casa. Eu perguntei para onde ela queria ir e ela apenas dizia: – o escuro, o escuro!  No breu eu senti ela tirando a camisola, pegou minhas mãos e colocou em seus seios dizendo: – Me faz suspirar, me faz suspirar como eu suspirei quando você chegou aqui em casa. Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, meu pau latejava e eu achava que iria explodir de tesão. Ela tirou minha calça e beijou meu pau e o lambeu. Respirei fundo, não podia acabar assim. A afastei um pouco e perguntei se ela queria fazer sexo, se ela queria que eu a comesse. Ela disse que sim e deitou sobre a camisola, esperando por mim.
[Cecily Brown]

sábado, 20 de abril de 2013

Sexo e internet: Sobre o que fazemos com nossa mente

 

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ADVERTÊNCIA: O assunto não é para os novinhos e para a novinhas: por isso, VAZA!!! Eu vou falar de putaria daqui a pouco!!

A galera que nasceu entre 1975 e 1985 foi bem jovenzinho na época que a locação de fita VHS para Vídeo Cassete ainda bombava. E dava sexta-feira e todo mundo corria para pegar aquele novo filme e assistir com a turma. Lá na locadora (como nas bancas de revista) havia um parte obscura, em que estavam as fitas de filme pornô. A curiosidade e vontade de entrar ali era terrível. Angustiante. Sufocante. Para mim, eu diria. Nunca que seria possível uma menina de 16 anos entrar naquele espaço sem despertar olhares capciosos nos outros e nela um tipo de medo. E mesmo doida pra entender melhor como o sexo funcionava, restava se contentar com as dicas das psicólogas e sexólogas da Capricho ou da Atrevida. Mas aquelas fitas não ficariam muito tempo no vale escuro e encoberto. Sempre haveria um melhor amigo, um menino camarada, que faria o favor de locar a fita (e ainda posar de bacana) pornográfica.  Quando eu vi o meu primeiro filme pornográfico do começo ao fim, sem ter que trocar o canal às pressas na madrugada eu deveria ter 16 anos. E assisti em turma, a mesma turma que assistia todos os finais de semanas filmes de terror, de comédia ou drama.

Imagino que não diferente de mim, foi um misto de tesão e constrangimento para todos. Ríamos e debatíamos sobre as cenas, as modalidades de sexo, os corpos nus, as expressões faciais, o que parecia sempre muito fake, sem prazer, mas que excitava. Confesso que eu senti mais tesão vendo o episódio de “O Besouro e a Rosa” transmitido pela TV Globo em 1994, uma adaptação do conto de Mário de Andrade em que Carla Marins era a pudica Rosa desvirginada por um besouro. g_sexo_virtual

As coisas mudaram de uma hora para outra, com 19 anos eu já estava viajando com confiança total pelo ciberespaço. E junto com expansão do acesso veio as possibilidades de conhecer e ver o que eu quisesse ver. Hoje as coisas estão mais acessíveis do que em 2001 e usar os sites com vídeos pornográficos para se excitar e se resolver de maneira solitária deve ser uma prática recorrente.

Não é mais necessário esconder gibis pornôs debaixo do colchão ou colocar as fitas pornográficas em uma caixa em cima do guarda roupa para que os pais (ou os filhos) não acessem. A pornografia como recurso visual para a masturbação, para a descoberta do corpo nu, como aprendizagem do sexo está a distância de um clique.

Tem aqueles vídeos caseiros, que muitas vezes faz é graça; tem aqueles mais profissionais, cheios de uh!! Fuck me.. yes! yes!!  No entanto, tem aqueles mais excitantes, com a medida certa do seu gozar. Aqueles que, realmente, servem como estimulantes para a sua frequência ou, quem sabe, a frequência do seu parceiro, para que tudo comece bem entre vocês dois.

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Mas não só de vídeos vive o tesão da gente. Eu sempre adorei ler contos eróticos, com olhos que espiam, carícias que começam desapercebidas e o auge com a descoberta de um sexo esperado, que supera a expectativa. Ver imagens eróticas sempre foi muito mais excitante que os vídeos também,  com pescoços que se esticam, mãos que se escondem entre pernas, mãos que apertam a carne, cabelos e bocas. São possibilidades abertas para imaginação, o que veio antes ou depois daquela imagem, sou eu que faço existir, os fenótipos e expressões do conto, sou eu quem cria. Gosto de minha mente se abrindo e sendo imaginativa, gosto de criar e ser criada pelos outros também.

Gosto de brincar de “you don’t know me”. Porque quando não se conhece, só se tem pistas, vestígios do que é… Diretrizes! O limite é você quem faz, a hora de acabar é só sua. O gozo não precisa ser sincronizado com o vídeo.

Eu gosto do inacabado… Eu gosto de poder dar o meu sabor e a minha textura aos contos, às imagens estáticas, que podem inspirar tanto desejo quanto os sons vindos do filme. Para ser sincera, para mim, filme pornográfico é tocar uma com um olhar sacana de voyeur, porém a imagem ou o conto, é um sexo gostoso com suas fantasias, seus desejos e fetiches, guardados na sua mente, auto-controlados, mas que podem explodir em um tipo de tesão criativo.

Um final de semana gostoso para vocês!!

See u…

sábado, 30 de março de 2013

O Movimento Pélvico: Sobre cães e homens

 

E então, numa linda tarde de sábado você vê um lindo cachorrinho no parque e resolve fazer uma graça e jaz: óia lá o cachorro trepando com sua perna.

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Você dá uma risadinha, o dono do cão não sabe onde enfiar a cara e você dá uma sacudida de leve. Pede educadamente para o bichinho sair e nada. Faz uma poker face e espera o cãozinho terminar de esfregar o pauzinho dele na sua perna. #sqn

- Misera!! Sai pra lá.. Inferno!

E o cachorrinho se vai, triste e frustrado. Pois bem, acredito que boa parte das pessoas já levou uma bimbada na perna por um cachorro, mas você já foi bimbado/a  no vácuo por um rapazinho?  Ô meu deus, como eu ri ao ouvir a fatídica história.

Está lá a menina, no rala e rola, no amassa daqui, lambe dali e de repente o cara começa a fazer movimentos pélvicos, completamente vestido, na sua perna (ou na sua barriga) e a menina pensa. Bem, ainda estamos em um lugar público, pode ser que o rapaz não está se controlando e resolveu roçar a jeba em mim. Beleza! Mas ainda assim é esquisito…

Daí a menina resolve ir para o quarto com ele e mais preliminares, amassa daqui, chupa dali, masturba acolá. E a menina, com a camisinha na mão e o cara fazendo o cachorrinho na perna dela.  E o pior, com o dedo engatado no xibiu da moça!

Mom-Wtf-Are-You-Doing

Tá bom, tá bom!! Eu sei, eu sei… Cada um tem o direito de expressar sua sexualidade do jeito que bem entender. Mas, peraí!! Numa hora dessas você pode estar trepando com o Tom Cruise de Ray Ban que não vai ser feliz.

Eu sei que já faz muuuito tempo desde a última vez que eu escrevi dando dicas, mas lá vai:

1º ponto: Não justifica, meu caro, você trepar na perna da garota e ficar lá, sozinho, se masturbando como se a mocinha fosse um poste. Não dá, a cena fica ridícula demais para qualquer coração sem fetiches macabros aguentar.

2º ponto: É meio assustador até, você está lá no rala e rola e de repente tem um buldogue grudado gemendo e suspirando. Não, não dá. Mesmo se a menina for do tipo virgem (cada vez mais escasso hoje em dia) ou não quiser dar por um motivo qualquer, não faça isso, meu filho. Porque se a menina tinha a intenção de completar a transa em outro momento, fudeu tudo, não vai ter mais foda.

3º ponto: Se o seu negócio é perna. Porque vai que é! Se você não gosta de colocar no buraco, talvez seja mais jogo você dar uma informada antes. Hoje a maioria, eu arriscaria dizer absoluta, das mulheres buscam prazer quando estão trepando e vou dizer, a não ser que ela tenha fetiche com um cara fazendo o cachorrinho na perna dela, ela não vai gozar desse jeito meeeeesmo. O que vai acontecer é que a moçoila vai ficar olhando para o teto e pensando “Que merda eu vim fazer aqui com esse cara?”

Então, se você num gosta de meter no buraco, acha que mulher fica feliz só de ter alguma coisa atolada na xoxota, sem muito movimento ou exploração da pélvis, perdeu!  Vai virar piadinha… Porque sim, as pessoas são escrotas e fazem piadinhas com esse tipo de situação.

Mas de todo jeito, viva a liberdade para vivenciar os prazeres sexuais, sejam eles humanizados ou não. HaHaHaHAHAHaha…

See u!

meu cão ama montar em pernas[9]

sábado, 23 de março de 2013

Conto n. 11 – Se são antropólogos, que me fodam!

 

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Eu estava naquele bar, um famoso bar da cidade que reunia todos os tipos de cults, newhippies, intelectuais fracassados… Eu não me encontrava em nenhum desses rótulos, mas eu gostava do bar, ele ficava perto de uma universidade pública e a cerveja era barata. E eu, no final das contas, gostava de observar a masturbação político-intelectual daquele tipo de Intelligentsia que frequentava o espaço.

Aquele dia foi um pouquinho diferente, havia um suposto casal na mesa à minha frente. Eles gesticulavam, falavam sobre suas dores, seus problemas e suas angústias… epistemológicas. Hermenêuticas. Dialéticas. Confusão. Gritaria. Era dor que não se acabava e eram gestos que não se findavam. Eram antropólogos, um fazia estudos EM África e a outra fazia estudos com os famigerados indígenas. Estavam em vias de terminar o doutorado em antropologia social em uma universidade pública com o programa de pós graduação nota 7.  Se tornariam, por sua conta e risco, doutores.

- Ô, Glória!  Temos bolsas de pesquisa…

Esse era o mantra que poderia ser ouvido. Nesse dia eu os conheci, os vi, deles eu gostei. Eles eram bonitos, havia algo de sexy (mesmo que seja difícil de acreditar que Intelligentsia possa ter sexy appeal), aconteceu um convite, sentei a mesa. Eu os mirava, buscava entender de onde viria tanta angústia. Aquelas dúvidas existenciais não iriam se dissolver, nem as deles, nem as minhas. Restou-nos uma má proposta, libidinosa proposta, terrível e amoral proposta: um antropológico ménage à trois. Antropólogos tinham fama de se aventurarem. Embarquei nesse barco viking acreditando ser mais um monge raptado.

Mr G. Bateson, Dr. Margaret Mead, and Dr. Reo Fortune, who arrived from New Guinea yesterday by the Macdhui.’

Os três, eu e os antropólogos (que na verdade não eram um casal, apenas amigos, just friends), estávamos em uma quitinete, um dos dois morava ali, não sei dizer qual deles ou se os dois. Eram tempos difíceis para bolsistas de pós-graduação. Na miniatura de casa havia um colchão de casal jogado ao chão, uma estante cheia de títulos que eu não fazia ideia do que se tratava: “O Pensamento Selvagem”, “Pacificando o Branco” e algo como “Arueté”. Minhas ideias foram a mil, o que poderia ser uma noite de sexo aventureiro com um casal de… Selvagens antropólogos?

Fui ficando cada vez mais excitado, não conseguia pensar nas loucuras que viveríamos juntos. Seria como um fetiche descoberto segundos antes da possibilidade de se concretizar. Ela começou a tirar a roupa. Sua pele era morena, suas costas me lembrava um belo violão e eu só pensava em tocá-la. Sua nudez era quase imaculada, mas cheia de pecados. Enquanto eu me distraia com as curvas da morena antropóloga, ele também se despiu e eu não sabia o quanto eu poderia me encantar com um corpo masculino. Ele era magro, um porte “normal”, mas eu podia ver que haviam músculos, belos músculos que eu poderia delinear metodologicamente com minha língua. 

Eu já não podia me conter, o que eu queria era fenomenológico. O processo hermenêutico daquele momento já não bastava para mim. E, por fim, eu era o único vestido entre nus. Apressei-me em me desnudar e investi diretamente no lambível corpo masculino e me tornei, também, lambível. Saliva. Não é possível fazer sexo sem saliva. Entre suores e saliva nos deliciamos em nossos sais. A euforia foi possuída por um tipo de constrangimento moral. Eles não queria aquilo, eu pensei. Em momentos de distração, os fraguei com o pensamento ao longe enquanto me chupavam. Era mecânico, executável, moralmente manobrável por uma necessidade de ser e parecer apetitoso. Seria isso?

Entre línguas eu me dei conta que aventuras não são o meu forte. Antropólogos em vias de acabar tese não são o meu forte. Talvez o meu forte seja ter na língua a sensibilidade de um sábio ancião iniciador de gueixas.  E meu defeito seja não conseguir relativizar o bastante.