quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Conto nº. 9 – Em mim, você pra sempre, um pecado!

 

Exposição India CCBB

Ela sempre foi linda. E eu, como uma criança, insistia em implicar com ela. Começamos assim, transitávamos entre implicâncias mútuas e um desejo ardente de desvendar o outro.

Depois de um longo período de ira e vaidade, surgiu um furor, uma aderência e começamos a nos pegar. Como ela era gostosa. Cavalgou em mim pelos lugares mais impróprios, pelos vermelhos mais ardentes, pela vontade de manter a delícia que é a luxúria.

O gostoso era a aventura adolescente, de quem precisa se esconder dos olhares dos mais velhos, daqueles olhares ardilosos que julgam e acreditam que aquela fome não é saúde, é gula, é ânsia e desejo por desejo, vontade por vontade. Contudo, se lambuzar, se fartar, também combina com pele rosada e vitalidade escancarada.

Nos fartamos um do outro, alimentava-me constantemente de seus fluidos: saliva, suor e gozo. Provei-a inteira e provando-a deixei a adolescência sentimental de lado. Maturamos nosso sentir, ela me provocava e eu pensava se talvez não devesse deixar pra mais tarde. Se talvez não fosse hora de controlar aquele frisson. Fui tomado por um sentimento poupativo, não havia mais porque estarmos ansiosos um pelo o outro, poderíamos chegar ao comedimento, poderíamos economizar o desejo do outro.

Eu não sabia que economizar aquela vontade poderia me fazer um invejoso tão cruel. Ela não se poupava e transbordava vontade. Tornei-me um inescrupuloso e comecei a podar nela a sua sensualidade aflorada. Em dias melancólicos desejei que ela fosse sensual só comigo, que ela ficasse obsessiva por mim, que ela não me deixasse por nada. Desejei que ela grudasse minha carne crua com suas unhas e não a largasse em momento algum.

Desejar parece, no entanto, perigoso. Ela tornou-se um furacão que eu não podia controlar, trancou-me no seu mundinho e não me deixou sair. Agora eu parecia mesmo um bichinho de estimação, trancafiado no sótão, pronto para ser exibido e usado apenas quando seu proprietário o desejasse.

Esmoreci, não conseguia mais ter em mim a gula que outrora tive, não havia mais graça naquela luxúria e eu só pensava em me livrar daquele sufoco em que me coloquei. Pensei que poderia dizer a ela que não a amava mais, que era hora de partir. Porém não era possível, seus olhos brilhavam tanto ao me olhar e eu havia desejado tanto aquele brilho. Em uma atitude de sacrifício decidi que teria que tolerar minhas escolhas e eu havia escolhido aquela obsessão.

Anos a fio se passaram e era como se a imortalidade houvesse me atingido. Não acabava nunca. Então fugi, fui às ruas, busquei novos sabores e me deliciei novamente. Voltei para meu calvário já era manhã e a encontrei tristonha. “Você fugiu de mim?!” – ela disse e chorou.

Não aguentei toda aquela dor e resolvi que aquilo acabaria naquela hora e disse:

- Fui ter com um homem, gosto mesmo é de dar o cu. Dei-lhe e gozei no seu pau. O suor da minha camisa foi ele quem fez escorrer.

Ela parou de chorar imediatamente. Saiu de casa levando as chaves e me deixando no cativeiro. Pensei em fugir pela janela, mas resolvi esperar… Eu tinha certeza que ela voltaria mais tarde e me mandaria ir embora, ela não suportaria saber que não poderia me satisfazer completamente.

Dormi. Ela demorara muito. Foi quando acordei com algo entrando em meu cu, era ela que me segurava forte por trás e me traçava o cu com um strap on. Esbaforava em meu cangote e gemia como se o membro fosse realmente dela. Ira, renasci… Luxúria.