sábado, 7 de abril de 2012

Lendo e Voando: Falta concentração ou sobra imaginação?

 

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Eu deveria estar lendo, tenho ainda pelo menos umas 220 páginas para ler até segunda. Mas não resisti vir aqui falar sobre minha grande aliada e minha grande inimiga no processo de leitura: a minha fértil imaginação. Essa talzinha aí, aliada a minha falta de concentração está acabando com minha ilusão de que eu posso ser uma pessoa disciplinada e analítica em meus estudos. Nossa…

E eu aqui lendo “As Formas Elementares da Vida Religiosa – E. Durkheim” e já na apresentação eu começo a voar. Vou pensando em outras coisas a partir de alguma coisa que o autor fala e a coisa que tinha a ver com o que li vira outra coisa que não tem nada a ver com nada, uma bola de neve que vem rolando em uma montanha mega alta.

Tudo bem, eu sei que você vai dizer: “qual é o problema, Cassi, isso pode ser ótimo!” Mas se eu lhe disser que eu fico pensando, mas continuo a ler e até viro a página e continuo “lendo”, mas sem ler. Na verdade estou pensando e meus olhos vão lendo. E quando eu percebo eu já estou lá na frente e não sei uma linha do que li. Eu sei que é só voltar, o problema e saber voltar pra onde, porque algumas vezes eu demoro tanto nas minhas divagações que eu não sei qual foi a última frase que li com compreensão do que estava lendo. Recordo-me de uma vez que tive que voltar duas páginas.  É problemático o negócio… Porém eu não fico tão triste, já soube que existem outras pessoas que passam pelo mesmo problema.

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Acredito que é nesse, e fervorosamente nesse, ponto que as leituras acadêmicas/científicas se diferem dos romances, dramas, aventuras, poemas e etc. que podemos encontrar de maneira diversa na literatura. Nos livros de literatura a gente já exercita a imaginação durante a leitura, na verdade, a leitura dá o roteiro para nossa imaginação e ali você se foca, fica se deliciando e não há muito espaço para voar para outros campos que não aquele que o livro lhe oferece. Eu li “Anjos e Demônios – Dan Brown” e suas quase 500 páginas em três noites e me diz se há possibilidade de se fazer isso com leituras acadêmicas? Ler 150 páginas em uma dia inteiro disponível para isso é uma tortura – é uma constatação, não uma reclamação.

Mas enfim… O que tem que ser feito, tem que ser feito. Vou parar com esse corpo mole e voltar para a leitura, voltar para a ciência social e tentar não ser tão imaginativa, afinal, dizem por aí que ciência só se faz com objetividade.

Ah! Para quem ainda não viu, tem que ver… O curta-metragem mais lindo de todos: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (2011).

See u!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Puta Metida a Cult: Sobre Ofensas.

à minha puta metida a cult favorita.

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E aí que surge o termo “puta metida a cult” diante dos meus olhos. Achei-o de uma sabedoria e uma levada tão melódica que é inevitável não incorporá-lo aos meus termos de mulherzinha metida a cult. E aí a gente percebe que há uma fronteira entre tipos de putinhas, profissionalmente, dizem, há putas de elite [com graduação e até MBA] e aquelas que marcam sua estadia no submundo do sexo em algum ponto estrategicamente sujo da cidade – mas não venha me dizer que a sujeira é proposital.

Já ouvi causos de mulheres que se autodenominam “puta na cama e na sociedade dama”, acho isso puro glamour, mas não sou discreta o bastante e conheço outras mais que são damas e putas nos dois lugares ao mesmo tempo – tudo vai depender da companhia. E aí contamos com mais um tipo de puta, a “puta metida a cult” que vai deixar o cara louco, maluco, desesperado citando frases obscuras de Dante ou de Dostoievski. Ela vai fazer seu membro amigo ficar animadinho só por lhe dizer que é louca por jazz e que sem John Coltrane ela não vive. Ela vai encher sua linha do tempo no facebook com frases bonitas, poéticas e blasées, pois não há como ser uma “puta metida a cult” se ela não tiver aquele olhar blasé.

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Daí, que puta que é puta não se contenta com homens solteiros e livres, ela tem que vez ou outra mexer onde não deveria, tascar a mão no formigueiro e ainda achar super genial, pois viu em um documentário na National Geographic que jovens sateré-maués, da tribo Molongotuba, passam por um ritual semelhante. Ah! E se precisarem falar sobre a atual conjuntura política do país ela vai dizer que vota nulo, mas que pensa que deveria ser assim ou assado.

Orgasmos intelectuais múltiplos!

Pois bem, voltando então para o ritual Molonguba. Ela coloca a mão no formigueiro, isto é, no homem de outra mulherzinha e se a outra mulherzinha não tem nada de cult: - Pânico, terror, tortura intelectual e psicanálise de três gerações por causa dessa “puta metida a cult”. A mulherzinha comum, de hábitos comuns, que não sabe quem é  Miguel Cervantes e muito menos quem é Tolstói entra em depressão pós “puta metida a cult” e se remete a essa classe de puta por esse termo, como se fosse ofensa ser metida a cult. HauhauaHAuaHAuaHaua… Eu acho ser metida a cult mais divertido do que ser cult. Ser cult é banal, é modinha… Agora ser metida a cult é tão original que transcende qualquer estilo pós-moderno.

E aí surge a o termo puta metida a cult, que só pra constar, explico que o termo "puta metida a cult" não é de minha alçada, diz respeito à verbalizações e manifestações do submundo da ofensa do subalterno. Seu autor permanecerá no anonimato, restando às "putas metidas à cult" propagarem o termo.

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Agora vamos lá, para não dizerem que estou defendendo as putas metidas a cult. Vejamos como combater essa fulaninha.

1º – Comece lendo frases soltas de Caio Fernando de Abreu e Clarice Lispector por aí, memorize-as, no final você saberá como organizar uma boa frase.

2º – Faça cara de melancólica, entristecida com a miséria do mundo.

3º – Escolha um poeta favorito: Mario Quintana, Olavo Bilac, Carlos Drummond de Andrade e decore alguns poemas.

4º – Faça um investimento, compre livros dos autores que eu supracitei [pode procurar no dicionário o que quer dizer supracitado também, eu acho digno].

5º – Monte uma estante em um lugar social da casa, os livros que você comprou devem ficar na estante, guarde em outro lugar os seus bibelôs kitsch.

6º – Comece a questionar se mulheres devem ou não cozinhar para um homem, lavar as meias de um homem, fazer sexo com um  homem ou ter que morar com um homem. E no final chegue a conclusão que mulheres devem sim fazer tudo isso, mas você é diferente, pois faz porque chegou a sábia conclusão de que fazer tais coisas nada tem a ver com ser submissa, mas com o encantamento transcendental que surge do amor.

7º – Baixe discografias completas de alguns artistas cult, existem algumas coisas brasileiras se você tiver muita agonia de ouvir músicas em inglês. Rock dos anos 80 sempre convencem bastante, fica a dica.

8º – Conheça um pouquinho de arte, dê uma olhadinha em quadros de Salvador Dali. Assista um pouco de Discovery Channel e de National Geographic, não se baseie em Jornal Nacional ou Globo Repórter.

9º – Tenha preguiça de ser tão inteligente, quando for começar a falar sobre qualquer assunto inteligente dê um suspiro cansado, olhe para o vago e inicie a frase com “eu penso que…” nunca com “eu acho que…”, achar é para os fracos, inteligentes pensam.

10º – Última dica e a mais importe: Fale de sexo – mesmo que não faça tão bem – fale muito, escandalize, choque, deixe todos de queixo caído com sua liberdade na hora de falar sobre sexo. Falar sobre sexo livremente e deixar implícito que o faz livremente também é uma ótima maneira de receber o carimbo de puta metida à cult.

Enfim… agora que você já sabe como identificar uma puta metida a cult e já sabe como forjar em si e ser super atual, super pós-moderna com suas putisse metida à cult, divirta-se!

See u!