terça-feira, 20 de novembro de 2012

Conto nº. 10–Em minhas mãos: sua carne.


Hilda  Duane Bryers
Tenho que ser sincero, sempre preferi as meninas com seus corpos malhados e sequinhos. Nunca, até aquele dia, eu havia olhado com tesão – nem mesmo com admiração – para uma gordinha. Sempre as vi como mulheres desajeitadas, sem cuidado consigo mesmas, que não se amavam e não mereciam ser amadas. Era um tipo de desprezo.
Eu ria delas com os amigos, apontava-as nos bares, nas boates, pelas esquinas. Eram motivo da minha gargalhada, eu achava um fracasso qualquer tentativa de uma delas de parecer bonita. Como uma mulher daquelas poderia ser desejada? Cortejada por alguém? Sobraria sempre para elas os feios ou os gordinhos das festas.
Mas aquele dia foi estranho, incrível. Ela passou por mim com toda aquela forma avantajada e eu senti cheiro de lascívia. Seu olhar era cruel, acertava em cheio o botão que liga e desliga o tesão de qualquer homem. E em poucos minutos eu não conseguia tirar os olhos dela.
Estávamos na casa de amigos, em uma pequena festa, mas nós não nos conhecíamos. Meus amigos não se ocuparam em me apresentar a ela, talvez por conhecerem a minha antiga aversão a mulheres com quilos sobrando. Por causa de minha fama de querer apenas as malhadas e magras, meus amigos sempre vinham até mim com essas amigas – belíssimas, de fato – para que eu as conhecesse. Contudo, nenhuma delas me interessou, eu não conseguia tirar os olhos daquela forma voluptuosa e volumosa. Eu só esperava o momento certo para me apresentar a ela.
Passaram-se muito minutos e eu ainda estava apenas a olhá-la. Em um ímpeto, levantei-me e fui até ela: – Oi, está gostando da festa?  Ela gargalhou e disse: – Que jeito engraçado de começar um papo. Continuamos a conversar e eu queria mais, queria sua boca, seu pescoço e toda aquela carne.Foto de Diana Kunst
Impaciente, eu me aproximava cada vez mais. Depois de algumas investidas ela cedeu ao beijo. Eu a beijei, envolvi meus braços em seu corpo e apertei forte as carnes de sua cintura. NOSSA! Eu nunca havia me sentido tão excitado. Ela enfiou os dedos nos meus cabelos e reagia bem a cada vez que eu apertava o seu corpo no meu.
Senti que ela se excitou com o meu desejo tanto quanto eu estava excitado com seu corpo. Fugimos da festa, fomos para minha casa. Tirei sua roupa e diferente do que eu esperava, encontrei uma deliciosa lingerie – que ela fez questão de tirar sozinha diante dos meus olhos atentos.
Eu só queria colocar minhas mãos em seu corpo, eu só queria apertar, morder, chupar, grudar em cada pedacinho de carne. Ansioso, eu a deitei na cama de costas e comecei pela sua nuca, eu descia pelas suas costas e apertava, mordiscava, lambia e me excitava violentamente.
Ela, linda, gostosa, me torturava não deixando que eu alcançasse seu sexo e cessava minha fúria. Porém eu não me importava, continuei em meu ímpeto, desejei ouvi-la gemer apenas com o toque de minhas mãos a apertar sua carne e com minhas mordidas em suas dobrinhas, seus contornos, suas dezenas de curvas. Como eu consegui viver até então sem tocar um corpo tão suculento. Eu salivava, desejava, ardia.
Ela gemeu! Eu me arrepiei da cabeça aos pés e não consegui parar de estimular tão lindo e sonoro gemido.  E foi assim… Sem parar.
Nunca tive uma noite de sexo tão longa, nunca senti tanto prazer em explorar um delicioso corpo, nunca desejei tanto que a lua não desaparecesse do céu e que eu pudesse ficar ali 1001 noites. Eu a queria pra mim… Adormeci com ela em meu peito. Pela manhã, como um sonho, ela sumiu. Por um instante, acreditei ter delirado.
Contudo, na mesa da sala havia um número de telefone. Sem pestanejar, telefonei.

5 comentários:

  1. ahh, Cassi! Sua danada!
    Sou a favor de você escrever um livro de contos. =D

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  2. Coisa linda e deliciosa como seu conto. Adoro contos que descrevem essa volúpia que nos é inerente, mas não entendi como eles passaram da festa para a cama num passe de mágica,e tiveram uma noite tão longa de sexo. É muito bom o escrito e nos faz viajar em sonhos.

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  3. A festa não precisa ser a noite, Omar. ;)
    Poderia ser uma tarde de domingo, que virou uma noite de furor. Invente!

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  4. Nada melhor que conversar com a escritora para completar a viagem.
    Maravilhosa, excitante.

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  5. Obrigada, Omar.

    E Carolzinha, meu português é muito precário, só cabe em um diário. =P

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