quinta-feira, 8 de março de 2012

Conto nº 8– Precipitações e frustação de um patife.

 

Achei que nunca iria conhecer uma mulher como ela. Ela é diferente, com um olhar sedutor que não se pode encarar, menina-mulher-moleca-madura, uma mistura que a deixa inevitavelmente atraente. O sorriso dela comunica-se com um pedacinho do céu, tenho certeza. Foi na casa de amigos que temos em comum que nos conhecemos e ela gargalhava, como eu acho lindo a gargalhada de uma mulher livre.

Comecei então a prestar atenção em seus gestos, sua maneira de tocar os lábios  e de comer a pizza, conversava sobre tudo, sexo, religião, amor, astrologia e, no final, sempre sorria. Era como se eu tivesse sido transportado para um tempo que não existia, que eu desconhecia e que lá ela era a rainha. Foi inexplicável, me encantei. Nos primeiros momentos de conversa pude perceber o quanto ela era livre, mesmo sendo um clichê eu não poderia descrevê-la com outra palavra que não descolada. Isso mesmo: descolada. Desamarrada, solta no mundo e de uma alegria descomunal.

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Sentei-me ao seu lado e comecei a conversar mais com ela, não conseguia encará-la, mas cada vez que eu levantava meu olhar até os olhos dela eu os sentia dizendo: “Por que você não me encara?” Tentei, eu juro. Algumas vezes eu fixei o olhar, mas não durou muito. Então durante a conversa eu soube que ela havia vindo de outra cidade, daquelas que não ficam nem tão longe e nem tão perto.  E que lá naquela cidade ela havia deixando um noivo que por vários motivos não pudera acompanhá-la. Foi como se ela tivesse batido e soprado. Ela era comprometida, mas ele estava em outra cidade.  Quase no fim da noite eu não resisti em testá-la, em saber se eu poderia continuar encantado ou se o sopro havia sido ineficaz para a dor. Maldita hora que eu priorizei o teste, maldita precipitação.

Foi então que eu disse: – Você tem namorado, mas rola uma escapadinha! E ela franziu a testa e respondeu: – Não, eu não teria esse tipo de atitude.  Ainda tentei argumentar, dizer que o corpo uma hora reclama. E ela me lançou um olhar que me fez pensar: “Que merda é essa que eu estou falando!?”

Fiquei ali, frustrado, sem saber como lidar com minha estupidez. Pensando que agora ela iria me considerar uma patife, que talvez ali tenha desmoronado uma possível amizade cheia de encantamento. Acabei com a minha possibilidade de sentir mais um pouco todo aquele gostinho de descoberta, encontrei uma mulher diferente de qualquer outra que já conheci e a tratei como uma pessoa que desrespeitaria quem ama só porque ela preza a sua liberdade. Definitivamente fui um patife.

2 comentários:

  1. é como você vê um homem que mete de conversa com mulher descolada? rsrsrs mulher adora e depois fantasia né?

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    1. Tem hora que tenho vontade de proibir comentários anônimos, sabia?! Mas sempre acho legal ver o que pensam os fantasmas que não têm coragem de se mostrar.
      Mas enfim, não é assim que eu vejo homem que se mete com mulher descolada. Apenas, nessa categoria de postagens [tem mais aqui -> http://biografiaironica.blogspot.com/search/label/Conto ] eu sempre parto de uma pequena situação que vi, uma frase peculiar que ouvi da boca de algum homem, direcionada a mim ou não e escrevo uma pequena confissão masculina. Não quero dizer que penso isso ou aquilo sobre os homens, mas os meus confessantes são sempre homens que se encantaram por uma mulher e podem às vezes se dar bem. Depende do meu humor no dia. Enfim... é só uma brincadeira a partir da visão de um pequeno pedaço do iceberg.

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