terça-feira, 20 de novembro de 2012

Conto nº. 10–Em minhas mãos: sua carne.


Hilda  Duane Bryers
Tenho que ser sincero, sempre preferi as meninas com seus corpos malhados e sequinhos. Nunca, até aquele dia, eu havia olhado com tesão – nem mesmo com admiração – para uma gordinha. Sempre as vi como mulheres desajeitadas, sem cuidado consigo mesmas, que não se amavam e não mereciam ser amadas. Era um tipo de desprezo.
Eu ria delas com os amigos, apontava-as nos bares, nas boates, pelas esquinas. Eram motivo da minha gargalhada, eu achava um fracasso qualquer tentativa de uma delas de parecer bonita. Como uma mulher daquelas poderia ser desejada? Cortejada por alguém? Sobraria sempre para elas os feios ou os gordinhos das festas.
Mas aquele dia foi estranho, incrível. Ela passou por mim com toda aquela forma avantajada e eu senti cheiro de lascívia. Seu olhar era cruel, acertava em cheio o botão que liga e desliga o tesão de qualquer homem. E em poucos minutos eu não conseguia tirar os olhos dela.
Estávamos na casa de amigos, em uma pequena festa, mas nós não nos conhecíamos. Meus amigos não se ocuparam em me apresentar a ela, talvez por conhecerem a minha antiga aversão a mulheres com quilos sobrando. Por causa de minha fama de querer apenas as malhadas e magras, meus amigos sempre vinham até mim com essas amigas – belíssimas, de fato – para que eu as conhecesse. Contudo, nenhuma delas me interessou, eu não conseguia tirar os olhos daquela forma voluptuosa e volumosa. Eu só esperava o momento certo para me apresentar a ela.
Passaram-se muito minutos e eu ainda estava apenas a olhá-la. Em um ímpeto, levantei-me e fui até ela: – Oi, está gostando da festa?  Ela gargalhou e disse: – Que jeito engraçado de começar um papo. Continuamos a conversar e eu queria mais, queria sua boca, seu pescoço e toda aquela carne.Foto de Diana Kunst
Impaciente, eu me aproximava cada vez mais. Depois de algumas investidas ela cedeu ao beijo. Eu a beijei, envolvi meus braços em seu corpo e apertei forte as carnes de sua cintura. NOSSA! Eu nunca havia me sentido tão excitado. Ela enfiou os dedos nos meus cabelos e reagia bem a cada vez que eu apertava o seu corpo no meu.
Senti que ela se excitou com o meu desejo tanto quanto eu estava excitado com seu corpo. Fugimos da festa, fomos para minha casa. Tirei sua roupa e diferente do que eu esperava, encontrei uma deliciosa lingerie – que ela fez questão de tirar sozinha diante dos meus olhos atentos.
Eu só queria colocar minhas mãos em seu corpo, eu só queria apertar, morder, chupar, grudar em cada pedacinho de carne. Ansioso, eu a deitei na cama de costas e comecei pela sua nuca, eu descia pelas suas costas e apertava, mordiscava, lambia e me excitava violentamente.
Ela, linda, gostosa, me torturava não deixando que eu alcançasse seu sexo e cessava minha fúria. Porém eu não me importava, continuei em meu ímpeto, desejei ouvi-la gemer apenas com o toque de minhas mãos a apertar sua carne e com minhas mordidas em suas dobrinhas, seus contornos, suas dezenas de curvas. Como eu consegui viver até então sem tocar um corpo tão suculento. Eu salivava, desejava, ardia.
Ela gemeu! Eu me arrepiei da cabeça aos pés e não consegui parar de estimular tão lindo e sonoro gemido.  E foi assim… Sem parar.
Nunca tive uma noite de sexo tão longa, nunca senti tanto prazer em explorar um delicioso corpo, nunca desejei tanto que a lua não desaparecesse do céu e que eu pudesse ficar ali 1001 noites. Eu a queria pra mim… Adormeci com ela em meu peito. Pela manhã, como um sonho, ela sumiu. Por um instante, acreditei ter delirado.
Contudo, na mesa da sala havia um número de telefone. Sem pestanejar, telefonei.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Conto nº. 9 – Em mim, você pra sempre, um pecado!

 

Exposição India CCBB

Ela sempre foi linda. E eu, como uma criança, insistia em implicar com ela. Começamos assim, transitávamos entre implicâncias mútuas e um desejo ardente de desvendar o outro.

Depois de um longo período de ira e vaidade, surgiu um furor, uma aderência e começamos a nos pegar. Como ela era gostosa. Cavalgou em mim pelos lugares mais impróprios, pelos vermelhos mais ardentes, pela vontade de manter a delícia que é a luxúria.

O gostoso era a aventura adolescente, de quem precisa se esconder dos olhares dos mais velhos, daqueles olhares ardilosos que julgam e acreditam que aquela fome não é saúde, é gula, é ânsia e desejo por desejo, vontade por vontade. Contudo, se lambuzar, se fartar, também combina com pele rosada e vitalidade escancarada.

Nos fartamos um do outro, alimentava-me constantemente de seus fluidos: saliva, suor e gozo. Provei-a inteira e provando-a deixei a adolescência sentimental de lado. Maturamos nosso sentir, ela me provocava e eu pensava se talvez não devesse deixar pra mais tarde. Se talvez não fosse hora de controlar aquele frisson. Fui tomado por um sentimento poupativo, não havia mais porque estarmos ansiosos um pelo o outro, poderíamos chegar ao comedimento, poderíamos economizar o desejo do outro.

Eu não sabia que economizar aquela vontade poderia me fazer um invejoso tão cruel. Ela não se poupava e transbordava vontade. Tornei-me um inescrupuloso e comecei a podar nela a sua sensualidade aflorada. Em dias melancólicos desejei que ela fosse sensual só comigo, que ela ficasse obsessiva por mim, que ela não me deixasse por nada. Desejei que ela grudasse minha carne crua com suas unhas e não a largasse em momento algum.

Desejar parece, no entanto, perigoso. Ela tornou-se um furacão que eu não podia controlar, trancou-me no seu mundinho e não me deixou sair. Agora eu parecia mesmo um bichinho de estimação, trancafiado no sótão, pronto para ser exibido e usado apenas quando seu proprietário o desejasse.

Esmoreci, não conseguia mais ter em mim a gula que outrora tive, não havia mais graça naquela luxúria e eu só pensava em me livrar daquele sufoco em que me coloquei. Pensei que poderia dizer a ela que não a amava mais, que era hora de partir. Porém não era possível, seus olhos brilhavam tanto ao me olhar e eu havia desejado tanto aquele brilho. Em uma atitude de sacrifício decidi que teria que tolerar minhas escolhas e eu havia escolhido aquela obsessão.

Anos a fio se passaram e era como se a imortalidade houvesse me atingido. Não acabava nunca. Então fugi, fui às ruas, busquei novos sabores e me deliciei novamente. Voltei para meu calvário já era manhã e a encontrei tristonha. “Você fugiu de mim?!” – ela disse e chorou.

Não aguentei toda aquela dor e resolvi que aquilo acabaria naquela hora e disse:

- Fui ter com um homem, gosto mesmo é de dar o cu. Dei-lhe e gozei no seu pau. O suor da minha camisa foi ele quem fez escorrer.

Ela parou de chorar imediatamente. Saiu de casa levando as chaves e me deixando no cativeiro. Pensei em fugir pela janela, mas resolvi esperar… Eu tinha certeza que ela voltaria mais tarde e me mandaria ir embora, ela não suportaria saber que não poderia me satisfazer completamente.

Dormi. Ela demorara muito. Foi quando acordei com algo entrando em meu cu, era ela que me segurava forte por trás e me traçava o cu com um strap on. Esbaforava em meu cangote e gemia como se o membro fosse realmente dela. Ira, renasci… Luxúria.

domingo, 5 de agosto de 2012

Coisinhas singelamente fétidas: escatologias e algo mais.


Cagar, arrotar, peidar, suar o sovaco, mijar, escarrar, cuspir e todas as outras formas de tirar de dentro de si coisinhas singelamente fétidas são também praticadas pelas mais belas mulherzinhas. Fica claro, em alguns momentos, que muitos homens se esquecem de que as mulheres também passam por esses processos, fisiológicos, inevitáveis. Na minha opinião, ter consciência e conviver com alguns desses processos não deveria ser motivo para considerar que se ‘perdeu o encanto’ ou que o relacionamento já não tem mais o glamour do início.
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E a mulherada também, deveria se liberar um pouco mais, não ficar tão preocupada em se policiar para não soltar um delicado pum na frente do parceiro. Na verdade, eu só dou um desconto para os rapazes e moças que nunca peidaram, arrotaram, mijaram, cagaram, na frente de NINGUÉM, mas ninguém mesmo, nem dos pais, nem dos irmãos ou qualquer outro parente bastante íntimo. Agora se para ele ou ela sempre foi comum levantar a bunda meio de lado do sofá e soltar aquele peidão na frente dos irmãos só pra sacanear, então eu acho que nada deveria impedir de peidar na frente daquela pessoa com quem você já tem anos de convivência e se bobear já lhe viu revirada do avesso. Não estou aqui levantando bandeira… Dizendo, libertem-se, meninas, vamos todas aderir ao Fiona’s way of life, acho que cada uma pode ficar no seu cada qual. E não estou dizendo para você sair peidando e arrotando na cara do rapaz na segunda semana que estão juntos, só estou dizendo que lá pelo terceiro ano – no mais tardar – do relacionamento já dá pra se liberar de algumas neuras.
Muitos vão discordar loucamente de mim e vão dizer que isso destrói um relacionamento, que ninguém precisa ver ninguém cagar e tudo mais. Então, que fique bem claro, não estou dizendo que é para você cagar e chamar o amor da sua vida para examinar a cor do troço, deixa isso pra quando vocês tiverem uns 50 anos de casados e bem velhinhos, quando a cor da bosta realmente pode fazer alguma diferença. HauAuaHAuaHAuaHAua… Mas enquanto somos jovens eu acho tão estranho as pessoas depois de anos juntos fazerem de conta que não cagam um para o outro. Posso falar de uma pessoa que fica com prisão de ventre quando está com o namorado de muuuuitos anos em algum lugar em que eles dividam o banheiro. Acho isso, realmente, o cúmulo do absurdo. Se você tem muita vergonha, pede licença, vira pro moço e diz: – Beeeiimmm, vai dar um passeio e me deixa aqui no banheiro sossegada, eu preciso cagar.  Eu acho mais prático.
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Eu sei que ninguém gosta de sentir o fedor do peido e do arroto alheio e há de se ter cuidado para não fazer isso na cara do amor de sua vida. Realmente não dá pra você estar lá de quatro, com a bunda no rumo do rosto do sujeito e soltar um peido carnicento – e eu não estou falando de peido vaginal, isso já é outra  história –, nesse caso é melhor avisar que está com vontade de peidar e dar uma pausa, porque um peido carnicento pode destruir até o efeito do Viagra.
É o caso do arroto, a pessoa quer arrotar, mas tem tanta vergonha de admitir que vai arrotar que arrota com a boca fechada, enche a bochecha e continua conversando, aí vem aquela catinga bem na sua cara. Não dá!!!! É terrível. Melhor admitir que vai arrotar, parar de conversar virar para o lado e arrotar. Acho mais digno.
O que eu estou dizendo é que o importante é assumir que vamos cagar, vamos peidar, vamos arrotar, vamos suar, vamos cuspir, vamos escarrar, assuar o nariz, que temos meleca, podemos ter piolho, ir na fazenda e pegar um carrapato e tudo isso faz parte, isso não ocorre só com os homens – bichos escrotos! [bazzinga!!] –, mas as mulherzinhas também fazem tudo isso e nelas as coisinhas escatológicas também fedem.
Então meeaaa feeelha, não faça de conta que você é entupida, liberte-se e sinta-se a vontade para falar sobre suas necessidades fisiológicas, sobre os (im)previstos do seu organismo com o amor da sua vida, com a pessoa que já viu você intimamente várias vezes – se você não for a virgem que só faz boquete (outro post pra isso), né?
Você acha que a intimidade só traz o sexo selvagem e caloroso?? Nooonnnn… Ela vai trazer também coisinhas singelamente fétidas. Acostume-se com a ideia, pelo bem do seu lindo relacionamento. 
See u!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

[Manifesto] Sem Vergonha de ser Mulher: Você tem autonomia, garota!

 

“Prefiro ser uma ciborgue a ser uma deusa.” [Donna Haraway]

 

Estava eu, no meu quarto, assistindo meu querido Silvio Santos no domingo. O programa do De Frente com GabiSilvio acabou e eu ajeitando as coisas pra dormir deixei a TV ligada, de repente me deparei com uma ativista com flores no cabelo como uma deusa pertencente a FEMEN no programa “De Frente com Gabi”, parei para ouvir e soube que aquela moça que falava era Sara Winter, uma brasileira de 20 anos que estava assumindo uma filial da FEMEN aqui no Brasil.

Parei para prestar atenção, afinal poderia ser uma via para me informar melhor sobre esse movimento ouvindo da boca de uma delas o que era aquele protesto de topless. Contudo, à medida que fui ouvindo a Sara falar fui ficando entristecida, vendo quanto o discurso de moralização dos corpos e de vitimização da mulher ainda está na moda, no final da entrevista eu estava decepcionada, frustrada e me sentido traída, afinal, parece que as coisas não vão mesmo mudar.

O que mais me agrediu no discurso dessa menina que até 2002 seria considerada menor de idade foi a sua fala sobre prostituição. O discurso era o mesmo discurso cristão que eu cansei de ouvir quando participava de movimentos de jovens na igreja católica. A pobrezinha da mulher não tinha o que fazer para sustentar a família tão pobre e foi pelo caminho mais fácil, o caminho do mal, a prostituição. Ela não teve escolha, o sistema a tratou como vítima e ela teve que se adequar.  Pro INFERNO com esse discurso.

Minha decepção já vinha se acumulando, lembra que eu fui na Marcha das Vadias?? Pois então, eu estava acompanhando a página da Marcha no facebook e em um dia qualquer deparo com essa postagem:

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Indaguei, mas eu já sabia a resposta, estou cansada desse discurso proferido pela “Carol Mariano” que apenas é mais uma entre tantas ditas feministas que engolem formulazinhas prontas. Eu quis provocar, ver se alguém repensava esse discurso, mas esqueço que a onda de hoje é comprar uma calça jeans com cara de surrada e meio rasgada na grife ao invés de usar uma calça jeans até surrar e rasgar e continuar usando.

Mas esse post não é só um longo e cansativo mimimi… Acho importante para mim mesma fixar aqui minha opinião sobre todo esse blá blá blá que me deixa tão frustrada. E se você tiver tempo, fôlego e interesse, leia até o final, pode ser interessante.

Vamos lá…

Todo esse discurso aí me cansa porque ele parece papo de viúva traída com o morto no caixão, parece um tipo de redenção cristã, a busca pela salvação, o encontro das mulheres inteligentes com uma nova maneira de viver, mas que no final não vai dar em nada, tudo vai continuar do mesmo jeito. Contudo, ao manter o politicamente correto a fachada da casa não recebe pichações.

Se você luta contra a exploração sexual de mulheres e crianças não venha me dizer que vai combater a prostituição, isso é conversa fiada. Você deveria combater a mentalidade do explorador.

Campanha MS

Vê o cartaz aí ao lado, eu me lembro bem dessa campanha, eu estava na graduação (2004 mais ou menos) quando o GRAPPA (Grupo de Apoio a Prevenção aos Portadores da AIDS) divulgava essa campanha do Ministério da Saúde e eu tinha uma colega de classe que era voluntária lá. A campanha distribuía camisinhas masculinas e femininas para as prostitutas da cidade e o discurso do pessoal da campanha para as prostitutas era mais ou menos assim: “você irá dizer para os caras que só trabalha se for com camisinha, se ele se recusar a colocar, você coloca a camisinha feminina”. Foi nessa época que eu vi a primeira vez uma camisinha feminina. Tive várias conversas com essa colega que hoje é minha amiga e a partir de então comecei a ver as prostitutas com outro olhar, como profissionais. Lembro que nesse mesmo período eu vi uma entrevista da Nancy Feijó, presidente da  Associação das Profissionais do Sexo do Recife, no Programa do Jô e pensei sobre como realmente elas estavam levando a sério o fato de se profissionalizarem e, assim, terem direitos sociais. Não eram vítimas!

Ser prostituta não é um caminho fácil, é uma escolha como outra qualquer, não quer dizer que se mulher escolheu ser prostituta é porque ela não tinha outra alternativa, talvez tivesse, mas preferiu, por motivos que dizem respeito só a ela, ganhar dinheiro fazendo sexo.

É importante compreender que a discussão sobre a profissionalização e o respeito com as prostitutas está ligada a discussões sobre direitos sexuais. A luta feminista deveria ser uma luta por liberdade. E liberdade quer dizer autonomia e poder fazer uso do próprio corpo como bem quiser. Considero uma hipocrisia as meninas irem para a Marcha das Vadias vestidas de putas, com roupas sensuais, provocantes e depois – como no post aí acima – virem dizer que é só ato político, que na verdade as mulheres que comercializam sua sexualidade, sua sensualidade ou é vítima da sociedade patriarcal (coitadinha, não sabe que está favorecendo os estereótipos sexistas que configuram a mulher como um objeto) ou é inimiga do movimento. Sinceramente, não acho que uma menina que formatou o seu corpo durante anos para conseguir chegar a fama, para conseguir se tornar uma Panicat, por exemplo, esteja preocupada com tais estereótipos. Ela quer ser famosa, quer viver da fama e ter seus ganhos por isso.

Acho que o que realmente falta é se pensar o sistema educacional. É pensar se estamos educando as crianças e os jovens para compreender que o corpo do outro é DO OUTRO e sendo assim ele não tem o direito de tomar posse dele. É educar de matrafico_humano0neira que saibam que não importa como o outro se veste ou configura seu corpo você só vai saber quem é ele quando você conhecê-lo, conversar com ele e ouvir o que ele tem a dizer, aí sim você poderá pensar algo a respeito de seu caráter. Talvez se conseguirmos educar as pessoas com essas ideias revolucionárias seja possível ser sensual cotidianamente, não apenas no momento de ato político. Talvez possamos sair sem sutiã, sem correr o risco de sermos encaradas e constrangidas por homens que irão julgar que isso é uma sinal de acessibilidade ao nosso corpo. 

Aí sim, não precisaremos nos preocupar com exploração sexual ou qualquer outro tipo de exploração do corpo do outro, pois se a revolução possibilitar a compreensão de que não temos o direito de tomar posse do corpo do outro, não precisaremos lutar mais contra o tráfico de pessoas ou contra qualquer tipo de trabalho escravo: de adultos ou crianças. Pois este não existirá mais.

A luta da humanidade deveria ser contra o subjugar e a favor da autonomia.

See u!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

É feminista ou é vadia? Histórias repetidas

 

Esse post está no forno desde o dia 26 de maio, mas o cotidiano não me deixou terminar de escrevê-lo, por isso ele só vai sair hoje. O assunto que vou tratar aqui é um pouco menos jocoso, mas podem rir também se quiserem. Eu queria falar um pouco sobre a luta de algumas mulheres, sobre uma história de ousadia e de vontade de se ver livre das amarras de uma estrutura em que os homens podem sempre mais.

O que aconteceu no dia 26 de maio? A Marcha das Vadias de Brasília – DF. Lá estávamos, eu e mais alguns amigos, para dar voz e volume ao movimento.

Marcha das Vadias - Brasília/DF

E aí que eu vi no twitter muitas pessoas – homens e mulheres – criticando o nome da marcha, dizendo que era feio, pesado, baixo nível e tal. Mas vi também que eles não sabia o por quê da marcha se chamar marcha das vadias, não tiveram um mínimo de curiosidade em procurar saber por quê do nome, o que motiva a escolha do nome, pois bem, vou explicar mais uma vez.

No campus de uma universidade do Canadá estava ocorrendo muitos casos de estupro e na ocasião um chefe de polícia palestrou sobre segurança no campus para os alunos e ao falar sobre os casos de estupro alertou as mulheres que não se vestissem como vadias [a palavra usada foi slut], o que causou a comoção das alunas, pois mais uma vez na história as mulheres estavam sendo acusadas de provocarem a violência contra si, pois não estavam se comportando de acordo com o padrão-santa-de-ser. E assim começou o movimento…

Contudo, a luta de mulheres pelo direito de exercer a sexualidade e de viver sua vida pública do jeito que bem entender não é uma causa desse princípio do século XXI. Se pensaramos em alguns casos e momentos do século XX chegaremos a conclusão que temos um século e as lutas parecem ser um tanto quanto repetidas. Só preciso ressaltar que quando eu digo histórias repetidas não estou dizendo, de maneira alguma, que não ocorreram mudanças, que as coisas permanecem como eram a um século atrás e que as lutas não deram em nada, mas estou dizendo que a pauta ainda precisa ser a mesma e isso é bastante triste.

A pauta é: Poder ser vista publicamente e falar publicamente, o direito por estar na rua, o direito por não ficar presa em uma bolha moral [em casa ou em roupas ‘comportadas’]. Ter reconhecida a sua capacidade para tanto.

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Década de 1920, flappers estão por aí, com seus cigarros nas piteiras, suas saias encurtadas, mais soltas, seus cabelos curtos e negros. Mulheres que viviam a rua com sua forte maquiagem, bebidas, sexo, jazz, carros e sensualidade. Quem duvida que foram milhares de vezes chamadas de vadias? Mas quem ousaria negar que elas estavam a frente do seu tempo e que já começavam a fazer valer a pauta feminista? Elas estavam nos espaços públicos, fazendo coisas que mulheres não deveriam fazer, que não lhes era permitido, elas estavam subvertendo a ordem.

Podemos falar também das sensuais pin-up’s penduradas nas paredes e de mulheres fazendo shows burlescLeila Dinizos. Podemos falar de Rosie de Riveter nos Estados Unidos, de Pagu no Brasil, podemos falar de Simone de Beauvoir e de queima de sutiãs. Podemos falar de Dercy Gonçalves e da lindíssima Nora Jeane. Podemos contar histórias e mais histórias de mulheres que lutaram publicamente por diferentes causas e que se expuseram ao falar de maneira livre sobre o que só é permitido aos homens falarem.

Como aconteceu com a Leila Diniz, que ousou falar sobre sexualidade, não teve vergonha de mostrar a barriga da gravidez ao usar um biquini na praia, não teve medo de ser mulher livre em época de repressão no Brasil da década de 1960 e 1970. Ousou ser uma mulher que fala palavrões e que sem nenhum constrangimento relata ao jornal suas histórias sexuais, sua maneira de viver a sua sexualidade.

São inúmeras as mulheres, ao longo desse último século que receberam o título de vadia para que as coisas pudessem começar a mudar, começar a ganhar outra forma e para que as mulheres pudessem vivenciar seus dias de rua de uma maneira mais livre, sem-vergonha.

E se eu disser que estou vivenciando minha liberdade e você me chamar de vadia, estarei feliz.

Marcha das Vadias em Brasília - DF

See u!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Quem tem medo do lobo mau? Sobre se envolver.

 

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O fato é que quando você está por aí, no mundo, você conhece diferentes pessoas. E por mais que você tente decifrar o olhar, os gestos, o sorriso das pessoas você só saberá quem elas são depois de experienciar certas situações ao lado delas.

Você pode confiar no fato de seu anjo (ou santo) não ter batido com o da pessoa – ou ter batido, mas isso não quer dizer que estará determinado como as coisas irão acontecer dali pra frente, o santo que batia pode não bater mais e o santo que não batia pode virar sua melhor companhia. O fato é que viver é uma caixinha de surpresas.

Você pode optar por não se envolver, por manter distância e não olhar nos olhos das pessoas. Fazer um contrato tácito, do tipo “você não me decifra e eu não te devoro”. Porém, quando você está só na floresta é quase impossível não dar conversa até mesmo para o lobo, malvado lobo. E está na eminente solidão o perigo terrível do envolvimento mau resolvido. Você quer estar perto de alguém, quer suprir suas carências, sua vontade de falar, de gargalhar, de brincar, de chorar e não sabe a quem pode se dedicar, não sabe em quem confiar.

Daí começam milhares de perguntas: Eu posso confiar nele? Será que ela está entendendo quem eu sou? Será que ele confia em mim mesmo? Será tudo mentira dela? Será? Será? Será?  Contudo, no fim, todos se entregam de uma certa maneira, se envolvem e outros até se jogam… HaHaHAHa… Não me olhe assim, não sou do tipo que “zi zoga…”  Smiley mostrando a língua

E aí que o problema problemático de verdade é quando a intensidade do se envolver não atinge sequer uma pequena harmonia. Então, pode acontecer de um se dar mais que o outro ou não tolerar o dar demais do outro ou ter que conviver com o dar de menos do um.

No meio de todo esse vai-e-vem da vida você pode se envolver com três tipos de pessoas que são, com certeza, os tipos que podem incomodar para caralho.

O incômodo n. 1: A Felícia, “A Grudenta”.

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Ela gruda em você. Conheceu você ontem e já acha que é sua melhor amiga pra sempre forever, best friends que não vão se desgrudar jamás, a história de vocês será linda, vocês vão se amar, se querer, brincar juntas pelo parque até o sol se pôr e depois vai rolar um abraço afetuoso para ir para suas casinhas. Nãããããããooooo!!!! Meeea Felha… Encontro de almas tem que ser recíproco, se não é, não é é encontro de almas.

E aí você fica entediada logo, a pessoa não desgruda, quer saber onde você vai, liga pra você toda hora e conta os detalhes da vida, em 48 horas você já sabe o nome da galera da 5ª geração dessa pessoa. Não há quem resista a uma Felícia, só com muito amor, carinho e dedicação de uma amizade que começou quando você tinha 12 anos de idade – e hoje você está com 45 – para compreender os reais motivos de alguém ser assim e vez ou outra poder lembrar a colega que ela ainda não recebeu alta do terapeuta.

O incômodo n. 2: A Enfermeira dos Animaniacs, “A Sedutora”

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E aí você conhece uma pessoa incrível, super bacana, prestativa, amiga e parceira. Sempre que você precisa ela está lá para lhe ouvir, vai com você onde você precisar e oferece ajuda sempre que está por perto. Mas é só. Ela não passa disso, não vai mais além e você fica lá babando, querendo ser a mais amiga de todas daquela pessoa, mas ela não lhe dá a mínima, ela estabelece uma relação neutra, sem ir mais além e tudo que você queria é que ela lhe chamasse de amigo.

E você fica maluco, sem entender porque essa pessoa se dedica tanto se ela na verdade não quer sua amizade, por que essa pessoa se aproxima tanto se na verdade ela só quer manter a distância de segurança para não se afetar com sua presença e isso começa a doer. Porque pessoas bacanas criam expectativas nas outras e se frustrar não é tão bacana assim. Como uma pessoa bacana pode produzir um sentimento não bacana em você e aí essa pessoa se torna um dolorido paradoxo em sua vida.

O incômodo n. 3: A Penélope Pussycat [do Pépe le Pew], “A Fujona”

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Você se encanta imediatamente, se aproxima e até faz contato. No entanto, a pessoa foge de você igual o diabo foge da cruz. Não é possível compreender como uma pessoa que você acabou de conhecer fuja de você; não lhe dá tempo para conhecê-la melhor, não possibilita um sorrisinho a mais, não é possível que essa pessoa seja tão adorável [aparentemente] e tenha tanto medo de se envolver com alguém.

E aí você começa a perguntar: será que o problema sou eu? Será que falei alguma coisa errada no dia que a conheci?

Mas é quase impossível compreender que essa pessoa não quer se envolver, não quer conhecer pessoas novas, que talvez tenha medo de se envolver, talvez seja muito tímida ou talvez realmente não tenha ido com sua cara. São possibilidades e se ela está fugindo, talvez seja melhor deixar ela ir.

***

O como lidar com o conhecer pessoas novas é um enigma impossível de se resolver, cada mente é uma e tentar decifrá-la pode não ser tão legal. Descobrir quem as pessoas são pode ser um processo complicado, talvez no fim você descubra uma pessoa com quem você nunca se envolveria, mas se envolveu. Não dá para cobrar demais das pessoas, não dá para achar que as pessoas irão suprir suas expectativas, não tem como prever quem são as novas pessoas com quem você topou na floresta. Mas não tem como entrar na mente das pessoas para compreendê-las rapidamente e isso nem seria saudável (as mentes das pessoas podem ser tenebrosas). Desse modo, ou você se arrisca ou faz todo o percurso até a casa da vovó sozinha. A vida está aí para se aventurar, se machucar faz parte, mas não custa nada tentar amenizar a dor.  Se cuida e se liga!!

See u!!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Elas estão descontroladas! A falta de escrúpulo feminina

 

às descontroladas de plantão.

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Vou aproveitar que eu estou em um clima de desmitificações e vou dizer: muitas mulheres fazem dramas em momentos que não haveria motivo para dramas. Sim!!!! Elas fazem… E vão negar para sempre que aquilo é apenas um ímpeto dramático, vão jurar para sempre que tudo não passa de algo que as afetou profundamente e por isso é digno de escândalo, rupturas drásticas, estratégias baixas e etc e tal.

Algumas mulheres tem um poder “louco” de manipulação que pode destruir você no tempo de um surpreender-se.  - Ai que susto! E já foi, tem um cabo de escova atolado no seu toba. E não venha com moralismos, achando que estou sendo escrota demais, estou falando o que é, o que o meu experienciar ao conviver com mulheres cotidianamente nas ruas e domesticamente me propiciou compreender. E é aqui que eu revelo que eu nasci com pomo de adão!! HauaHauaHaua.. brincadeirinha, eu nasci com xoxota mesmo – mas eu acho que nas últimas 5 vidas eu era homem.

Na verdade, o que eu proponho pensar a partir desse post é que algumas mulheres lidam com a falta de escrúpulo com uma diferença muito grande da falta de escrúpulo masculina. A falta de escrúpulo em algumas mulheres perpassa, inevitavelmente, o espaço privado e nele elas podem seduzir, jogar, manipular o idiota que elas quiserem para conseguir o que querem, mesmo quando fazem de conta que não. Porém, ao meu ver, a falta de escrúpulo em alguns homens necessita do público, do legitimar a exposição da falta de escrúpulo, de expor o outro ao ridículo, de  gritar “xeque-mate”. As mulheres, muitas vezes, não gritam xeque-mate, elas fuzilam com o olhar, com o sorriso de canto de boca que insinua: “Entenda, eu venci!”. Mas não é o gritar ou o silenciar que vai dizer quem é mais inescrupuloso que o outro, que vai determinar quem é mais filho da puta que o outro, o que determina isso é o caráter generoso de uma pessoa, de saber se o que ela está fazendo diz realmente respeito apenas a ela ou se o que ela está fazendo pode trazer sérias consequências para outras pessoas.

lgwiz00419 tee-buzzs-true-romance-4-sheet-pop-art-wall-mural-wall-muralGritar, fazer escândalo, chorar descompassadamente, fazer cara de vítima não fará com que você passe por  uma vítima em algumas situações, no mínimo você será vista como uma descompassada, uma pessoa digna de pena ou no máximo como uma estrategista que seria capaz de derrotar as estratégias do excelentíssimo Maquiavel.

O que ocorre nisso tudo, do escândalo, do drama, do se vitimizar é um processo de busca pela vitória através da piedade do outro. Pense: Quão confortável é para você possuir força se o que lhe confere essa força é ser visto como fraco?

Não seria um pouco contraditório buscar vencer, colocando-se antes de tudo como o pior naquela competição. Que tal começar a assumir quem você é, ter responsabilidade e ser responsável pelas suas escolhas. Que tal pensar um pouco em respeitar-se e, quem sabe assim, respeitar o outro.

Enganar as pessoas pode ser muito fácil, até porque, quem tem um mínimo de esperteza saberá que está sendo enganado e poderá permitir ou não que isso ocorra. Porém, muitas vezes é melhor fazer de conta que está sendo enganado do que ter que assumir publicamente (mesmo em um público pequeno) que tem consciência da falta de escrúpulo do outro e assim ter que assumir uma posição socialmente desejável diante de uma coisa que se ficasse no plano da ludibriação não teria tanto valor para você.

Enfim… Vamos lidando com os descontroles e as incapacidades das outras pessoas em se mostrarem fortes diante de suas próprias vidas. Sinto muito por aqueles que são apenas coadjuvantes – quiçá, figurantes.

See u…

sábado, 5 de maio de 2012

Orgasmo empático: A Lascívia do Outro


E de repente, depois de alguns anos, você começa a pensar em coisas que há tempos você não pensa. Como é bom ter ao nosso lado alguém com quem se tem empatia. Ter empatia é um processo que lida com variadas possibilidades, você pode sofrer por empatia ou ficar alegre por empatia. Mas o bom mesmo é o gozar por empatia.
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E daí que você trepa com vários caras em sua vida, goza sempre e é expert em ter orgasmos múltiplos – se é que isso existe mesmo.
Seu discurso é que o bom é gozar, que não é muito necessário estar apaixonada para fazer sexo, que sexo é bom de qualquer jeito, com ou sem amor e que amor não faz ninguém gozar. Bem, amor realmente pode ser algo inexistente quando o assunto é sexo. Amor pode ser secundário, terciário ou até ultimário quando se trata de chegar ao orgasmo. Gozar tem muito a ver com um tipo de técnica, de saber a frequência certa do outro e assim chegar até o ápice das vibrações – isso quando depende do outro.
Contudo, acredito que ninguém vá discordar se eu disser que o orgasmo empático é tão prazeroso, tão prazeroso que ele ultrapassa o momento do gozo e fica revirando na sua cabeça, trazendo arrepios do cóccix até a nuca, fazendo toda pélvis estremecer.
Mas o que seria esse orgasmo empático, o orgasmo empático não pode ser classificado como uma coincidência da vida sexual, o orgasmo empático é algo que pode ser repetido várias vezes, em outros vários dias de sexo, coincidências são coincidências – e podem ser filhas únicas de um determinado momento que não se repetirá jamais.
O orgasmo empático diz respeito a algo que só se pode alcançar quando se tem empatia com alguém, quando você e a pessoa que você se relaciona compartilham muito mais do que um copo de cerveja, a conta do motel ou a vontade avassaladora de fazer sexo. O orgasmo empático surge quando duas pessoas se encontram e começam a se conectar de uma maneira tão forte, tão elementar que os corpos de vocês entram em sintonia, em harmonia, começam a vibrar na mesma frequência e por isso chegam ao ápice juntos, porque um sente o outro, vivencia o outro. É como uma explosão compartilhada que possibilita um pós-sexo suave, charmoso e delicado. Sem cobrança, sem algo de “faltou um pouquinho ali”, “poderia ser melhor” ou a famigerada pergunta “você gostou?” ou pior ainda “você gozou?”.
Sexo irônico social
Além do mais, tem coisa mais excitante do que se excitar com a excitação do outro. É narcisista, eu sei, pois se excitar com o outro se excitando por você é o mesmo do que se excitar por você mesmo, mas pode ter um pouco do princípio empático nisso aí, pois quando você sente a lascívia do outro, a vontade de fazer sexo do outro, o desejo dele por você é como se todo esse desejo se transferisse para você e aí a coisa fica quente e gostosa.
E é a vontade de ter o princípio empático regendo a vida que faz com que quem está solteiro, mas bem resolvido sexualmente, queira um amor, um romance, algo que dure, que dê tempo para compartilhar vida, que dê tempo para fazer as energias dos corpos sintonizarem-se. 
É essa sensação empática que faz a gente querer sempre voltar para aquele outro corpo, voltar praqueles braços, encostar sua pele na pele dele e ficar ali quanto tempo for até sentir os fluxos se harmonizando, estabilizando e possibilitando orgasmos que só pertencem a vocês dois e a mais ninguém.
Eu tenho que dizer que melhor do que o orgasmo empático é só o fato de poder, despreocupadamente, olhar para o outro e nem passar pela sua cabeça a possibilidade de se preocupar com o amanhã. Vocês estão ali e é só. Empaticamente fudendo e gozando.
Desejo a todos vocês muitos orgasmos empáticos!!!
See u!!

sábado, 7 de abril de 2012

Lendo e Voando: Falta concentração ou sobra imaginação?

 

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Eu deveria estar lendo, tenho ainda pelo menos umas 220 páginas para ler até segunda. Mas não resisti vir aqui falar sobre minha grande aliada e minha grande inimiga no processo de leitura: a minha fértil imaginação. Essa talzinha aí, aliada a minha falta de concentração está acabando com minha ilusão de que eu posso ser uma pessoa disciplinada e analítica em meus estudos. Nossa…

E eu aqui lendo “As Formas Elementares da Vida Religiosa – E. Durkheim” e já na apresentação eu começo a voar. Vou pensando em outras coisas a partir de alguma coisa que o autor fala e a coisa que tinha a ver com o que li vira outra coisa que não tem nada a ver com nada, uma bola de neve que vem rolando em uma montanha mega alta.

Tudo bem, eu sei que você vai dizer: “qual é o problema, Cassi, isso pode ser ótimo!” Mas se eu lhe disser que eu fico pensando, mas continuo a ler e até viro a página e continuo “lendo”, mas sem ler. Na verdade estou pensando e meus olhos vão lendo. E quando eu percebo eu já estou lá na frente e não sei uma linha do que li. Eu sei que é só voltar, o problema e saber voltar pra onde, porque algumas vezes eu demoro tanto nas minhas divagações que eu não sei qual foi a última frase que li com compreensão do que estava lendo. Recordo-me de uma vez que tive que voltar duas páginas.  É problemático o negócio… Porém eu não fico tão triste, já soube que existem outras pessoas que passam pelo mesmo problema.

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Acredito que é nesse, e fervorosamente nesse, ponto que as leituras acadêmicas/científicas se diferem dos romances, dramas, aventuras, poemas e etc. que podemos encontrar de maneira diversa na literatura. Nos livros de literatura a gente já exercita a imaginação durante a leitura, na verdade, a leitura dá o roteiro para nossa imaginação e ali você se foca, fica se deliciando e não há muito espaço para voar para outros campos que não aquele que o livro lhe oferece. Eu li “Anjos e Demônios – Dan Brown” e suas quase 500 páginas em três noites e me diz se há possibilidade de se fazer isso com leituras acadêmicas? Ler 150 páginas em uma dia inteiro disponível para isso é uma tortura – é uma constatação, não uma reclamação.

Mas enfim… O que tem que ser feito, tem que ser feito. Vou parar com esse corpo mole e voltar para a leitura, voltar para a ciência social e tentar não ser tão imaginativa, afinal, dizem por aí que ciência só se faz com objetividade.

Ah! Para quem ainda não viu, tem que ver… O curta-metragem mais lindo de todos: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (2011).

See u!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Puta Metida a Cult: Sobre Ofensas.

à minha puta metida a cult favorita.

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E aí que surge o termo “puta metida a cult” diante dos meus olhos. Achei-o de uma sabedoria e uma levada tão melódica que é inevitável não incorporá-lo aos meus termos de mulherzinha metida a cult. E aí a gente percebe que há uma fronteira entre tipos de putinhas, profissionalmente, dizem, há putas de elite [com graduação e até MBA] e aquelas que marcam sua estadia no submundo do sexo em algum ponto estrategicamente sujo da cidade – mas não venha me dizer que a sujeira é proposital.

Já ouvi causos de mulheres que se autodenominam “puta na cama e na sociedade dama”, acho isso puro glamour, mas não sou discreta o bastante e conheço outras mais que são damas e putas nos dois lugares ao mesmo tempo – tudo vai depender da companhia. E aí contamos com mais um tipo de puta, a “puta metida a cult” que vai deixar o cara louco, maluco, desesperado citando frases obscuras de Dante ou de Dostoievski. Ela vai fazer seu membro amigo ficar animadinho só por lhe dizer que é louca por jazz e que sem John Coltrane ela não vive. Ela vai encher sua linha do tempo no facebook com frases bonitas, poéticas e blasées, pois não há como ser uma “puta metida a cult” se ela não tiver aquele olhar blasé.

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Daí, que puta que é puta não se contenta com homens solteiros e livres, ela tem que vez ou outra mexer onde não deveria, tascar a mão no formigueiro e ainda achar super genial, pois viu em um documentário na National Geographic que jovens sateré-maués, da tribo Molongotuba, passam por um ritual semelhante. Ah! E se precisarem falar sobre a atual conjuntura política do país ela vai dizer que vota nulo, mas que pensa que deveria ser assim ou assado.

Orgasmos intelectuais múltiplos!

Pois bem, voltando então para o ritual Molonguba. Ela coloca a mão no formigueiro, isto é, no homem de outra mulherzinha e se a outra mulherzinha não tem nada de cult: - Pânico, terror, tortura intelectual e psicanálise de três gerações por causa dessa “puta metida a cult”. A mulherzinha comum, de hábitos comuns, que não sabe quem é  Miguel Cervantes e muito menos quem é Tolstói entra em depressão pós “puta metida a cult” e se remete a essa classe de puta por esse termo, como se fosse ofensa ser metida a cult. HauhauaHAuaHAuaHaua… Eu acho ser metida a cult mais divertido do que ser cult. Ser cult é banal, é modinha… Agora ser metida a cult é tão original que transcende qualquer estilo pós-moderno.

E aí surge a o termo puta metida a cult, que só pra constar, explico que o termo "puta metida a cult" não é de minha alçada, diz respeito à verbalizações e manifestações do submundo da ofensa do subalterno. Seu autor permanecerá no anonimato, restando às "putas metidas à cult" propagarem o termo.

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Agora vamos lá, para não dizerem que estou defendendo as putas metidas a cult. Vejamos como combater essa fulaninha.

1º – Comece lendo frases soltas de Caio Fernando de Abreu e Clarice Lispector por aí, memorize-as, no final você saberá como organizar uma boa frase.

2º – Faça cara de melancólica, entristecida com a miséria do mundo.

3º – Escolha um poeta favorito: Mario Quintana, Olavo Bilac, Carlos Drummond de Andrade e decore alguns poemas.

4º – Faça um investimento, compre livros dos autores que eu supracitei [pode procurar no dicionário o que quer dizer supracitado também, eu acho digno].

5º – Monte uma estante em um lugar social da casa, os livros que você comprou devem ficar na estante, guarde em outro lugar os seus bibelôs kitsch.

6º – Comece a questionar se mulheres devem ou não cozinhar para um homem, lavar as meias de um homem, fazer sexo com um  homem ou ter que morar com um homem. E no final chegue a conclusão que mulheres devem sim fazer tudo isso, mas você é diferente, pois faz porque chegou a sábia conclusão de que fazer tais coisas nada tem a ver com ser submissa, mas com o encantamento transcendental que surge do amor.

7º – Baixe discografias completas de alguns artistas cult, existem algumas coisas brasileiras se você tiver muita agonia de ouvir músicas em inglês. Rock dos anos 80 sempre convencem bastante, fica a dica.

8º – Conheça um pouquinho de arte, dê uma olhadinha em quadros de Salvador Dali. Assista um pouco de Discovery Channel e de National Geographic, não se baseie em Jornal Nacional ou Globo Repórter.

9º – Tenha preguiça de ser tão inteligente, quando for começar a falar sobre qualquer assunto inteligente dê um suspiro cansado, olhe para o vago e inicie a frase com “eu penso que…” nunca com “eu acho que…”, achar é para os fracos, inteligentes pensam.

10º – Última dica e a mais importe: Fale de sexo – mesmo que não faça tão bem – fale muito, escandalize, choque, deixe todos de queixo caído com sua liberdade na hora de falar sobre sexo. Falar sobre sexo livremente e deixar implícito que o faz livremente também é uma ótima maneira de receber o carimbo de puta metida à cult.

Enfim… agora que você já sabe como identificar uma puta metida a cult e já sabe como forjar em si e ser super atual, super pós-moderna com suas putisse metida à cult, divirta-se!

See u!

domingo, 25 de março de 2012

Lealdade, não me seja problemática!

 

William Klein - Anouk Aimée - 1961

Se você olhar no dicionário o significado das palavras fidelidade e lealdade verá que não são tão diferentes uma da outra, em suma, as duas dizem respeito à honrar um contrato feito, contudo, a fidelidade tem como parte peculiar do contrato o amor, abstrato, amor.

Lealdade é então respeito aos princípios e regras que norteiam a honra e a honestidade [em dicionário Houaiss]. Ou seja, ser leal é ser honesto e ser honesto é, para mim, algo que tem a ver com não mentir, com dizer a verdade [que a gente sabe que é só sua, mas é uma verdade] sobre o que foi indagado. Eu sou super fã da tal lealdade, admiro e respeito profundamente quem tem a capacidade de sê-lo [leal].

No entanto, ser leal é imensamente dolorido, pois, diferente da fidelidade, a lealdade não depende só de você, depende da capacidade do outro de lidar com verdades. Mentiras podem ser – e são, na maioria das vezes – muito mais confortáveis do que qualquer verdade. Desde a mais tenra idade aprendemos a mentir, quantas crianças já não vimos sendo coagidas por estarem sendo “naturalmente sinceras demais”, como lhes é peculiar? E aí, essa mentirada toda que envolve estar moralmente constituído como sujeito de uma sociedade nos faz entrar em conflito com a tal lealdade.

A lealdade implica em poder contar ao seu parceiro contratual – em papel ou em honra – o que você quiser e poder ter a certeza de que ele não irá desconfiar, se exaltar ou pensar minimamente que você não está honrando o contrato. A lealdade pressupõe que o outro irá ter estômago e brio treinados o suficiente para ouvir qualquer coisa e a partir do que ouviu tomar suas decisões baseado na versão da história que lhe é acessível, isto é, do seu parceiro, porém respeitá-lo.

Todavia, pode ser mais confortável ser apenas fiel e deixar a lealdade para lá. A fidelidade apenas lhe proíbe de quebrar um acordo do contrato, como por exemplo: em um relacionamento amoroso não se pode ser bígamo e nem sassaricar por aí com outra pessoa que satisfaça as suas vontades carnais. E fazer isso é fácil, fugir das possibilidades de traição é fácil, difícil é querer dizer ao parceiro que teve a oportunidade, mas que não o fez. Difícil é dizer ao parceiro que percebeu como é fácil estar com outra pessoa em busca de prazer, mas não o fez. Na verdade, difícil mesmo é o parceiro compreender que quando você diz isso você está sendo tão clara, tão transparente que é como se você não pudesse ser outra coisa do que inteiramente dele e de mais ninguém, pois mentiras e omissões são caquinhos da máscara que você quebrou no começo do relacionamento sendo colados novamente.

Eu não gosto de máscaras, mas eu gosto menos ainda de ter que ficar justificando-me por causa da incapacidade do outro de acreditar no que claramente eu digo.

See u!

domingo, 18 de março de 2012

A Medida do Abraço: Burocratizando o afeto.

 

Sentir falta de abraço é um sinal neon forte luminoso em noite de lua nova – bem escura – de que há uma generosa gota de blue pintando sua bacia de água límpida. E aí alguém pode dizer: – Gente, mas é tão simples um abraço, a gente pode abraçar até a caixa do supermercado.

E eu vou dizer: – MENTIRA!

A caixa do supermercado pode passar seus braços pelo seu tronco e vc pode passar seus braços pelo tronco dela, daí uma trazer o corpo da outra para mais perto. No entanto, isso é técnica, a técnica do abraço. Abraço, abraço mesmo a gente sabe que pode demorar nele, que pode encostar o rosto no rosto do outro e que se brotar a vontade de um beijo, basta virar um pouquinho o rosto que já tá demasiado junto e estalar uma beijoca na bochecha, com alegria e conforto.

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Então a gente pode saber quão amigo se é de alguém, qual o grau que se está de acordo com a formalidade do abraço. Sim!! O afeto pode ser medido pelo abraço.

Começando pelo mais formal, vejamos as medidas, os abraços e seus possíveis significados:

Encostadinha com tapinhas nas costas: Não conheço você, não tenho pretensão de conhecer e estou apenas sendo gentil.

Abraço com as mãos espalmadas nas costas na  altura das asas: Você é um[a] fofo[a], mas ainda não confio em você o suficiente.

Braços entrelaçados, mas pouca duração e pouca força: Você é muito legal, gosto muito de você, mas ainda não posso dizer que confio em você.

Braços entrelaçados, muita força e pouca duração ou vice-versa: Amizade é algo que temos, mas algo em você ainda me deixa inseguro.

Braços entrelaçados, força, duração eterna, rostos grudados, beijos estalados, carinho, lágrima e seja lá mais o que precisar: Você é um grande amor e sem seu abraço eu não me sinto seguro[a] para caminhar por aí.

Enfim, abraços podem ser determinantes em nossas vivências, experiências e para suprir medidamente nossas carências. Eu, sendo uma carente profissional, preciso de abraços – pelo menos fortes – periodicamente e o que fazer quando os braços que realmente nos envolve não estão por perto? E quando aquele abraço que nos faz sentir que toda possibilidade de dor desintegrou, sumiu, não volta mais está longe e demora a chegar?

Eu tenho guardado em mim vários abraços, uns que existiram no passado, outros que estão no coração, alguns não vivo sem, outros simplesmente me retém e minha vontade é de morar ali para sempre.

O abraço cantarola no peito, o abraço verdadeiro é toalha morna na dor, é cobertor quentinho no frio, o abraço é a vontade de dois corações de estarem grudados, unos, apaixonados.

Ai que saudade dos meus amores e dos meus amigos. Viva meus amigos… E viva a possibilidade de novos amigos também.

See u!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Conto nº 8– Precipitações e frustação de um patife.

 

Achei que nunca iria conhecer uma mulher como ela. Ela é diferente, com um olhar sedutor que não se pode encarar, menina-mulher-moleca-madura, uma mistura que a deixa inevitavelmente atraente. O sorriso dela comunica-se com um pedacinho do céu, tenho certeza. Foi na casa de amigos que temos em comum que nos conhecemos e ela gargalhava, como eu acho lindo a gargalhada de uma mulher livre.

Comecei então a prestar atenção em seus gestos, sua maneira de tocar os lábios  e de comer a pizza, conversava sobre tudo, sexo, religião, amor, astrologia e, no final, sempre sorria. Era como se eu tivesse sido transportado para um tempo que não existia, que eu desconhecia e que lá ela era a rainha. Foi inexplicável, me encantei. Nos primeiros momentos de conversa pude perceber o quanto ela era livre, mesmo sendo um clichê eu não poderia descrevê-la com outra palavra que não descolada. Isso mesmo: descolada. Desamarrada, solta no mundo e de uma alegria descomunal.

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Sentei-me ao seu lado e comecei a conversar mais com ela, não conseguia encará-la, mas cada vez que eu levantava meu olhar até os olhos dela eu os sentia dizendo: “Por que você não me encara?” Tentei, eu juro. Algumas vezes eu fixei o olhar, mas não durou muito. Então durante a conversa eu soube que ela havia vindo de outra cidade, daquelas que não ficam nem tão longe e nem tão perto.  E que lá naquela cidade ela havia deixando um noivo que por vários motivos não pudera acompanhá-la. Foi como se ela tivesse batido e soprado. Ela era comprometida, mas ele estava em outra cidade.  Quase no fim da noite eu não resisti em testá-la, em saber se eu poderia continuar encantado ou se o sopro havia sido ineficaz para a dor. Maldita hora que eu priorizei o teste, maldita precipitação.

Foi então que eu disse: – Você tem namorado, mas rola uma escapadinha! E ela franziu a testa e respondeu: – Não, eu não teria esse tipo de atitude.  Ainda tentei argumentar, dizer que o corpo uma hora reclama. E ela me lançou um olhar que me fez pensar: “Que merda é essa que eu estou falando!?”

Fiquei ali, frustrado, sem saber como lidar com minha estupidez. Pensando que agora ela iria me considerar uma patife, que talvez ali tenha desmoronado uma possível amizade cheia de encantamento. Acabei com a minha possibilidade de sentir mais um pouco todo aquele gostinho de descoberta, encontrei uma mulher diferente de qualquer outra que já conheci e a tratei como uma pessoa que desrespeitaria quem ama só porque ela preza a sua liberdade. Definitivamente fui um patife.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Banheiros e desejo; impasses cotidianos.

 

Espiadinha

Quando estamos em lugares públicos e precisamos de usar o banheiro o comum é encontrarmos aqueles banheiros coletivos, que a gente entra e tem uns dois ou três biombos com um vaso sanitário dentro [para mulheres] ou mictórios [para homens].

De acordo com minha mente os banheiros são separados entre banheiros de homens e banheiros de mulheres por causa da idéia de que pessoas do mesmo sexo não irão espiar, assediar ou violentar o outro nesse espaço público[privativo]. Ou seja, saber quem usa um banheiro ou outro é determinado pelo desejo sexual, não pela roupa que se está usando.

Porém é óbvio que não dá para ter alguém na porta do banheiro perguntando: “Você faz sexo com meninos ou meninas?” E daí vai rolando uma complicação dos infernos.

Contudo, mesmo que fosse determinado socialmente que as pessoas teriam que usar o banheiro de acordo com o seu desejo sexual [quem faz sexo com homens de um lado e quem faz sexo com mulheres de outro] teríamos dois problemas. Quem faz sexo com homem e mulher, onde iria? E as meninas que fazem sexo com meninas? Elas estariam seguras usando o banheiro que homens que fazem sexo com mulheres usam? Acredito que não, pois muitos homens que fazem sexo com mulheres tem um enorme fetiche em transar com mulheres que fazem sexo com mulheres, o que poderia gerar  assédio ou violência sexual.

No fim, o que restaria seria uma superlotação do banheiro “feminino” [ou de pessoas que fazem sexo com homens], pois ali se tornaria o refúgio de todos. Já que não são comuns notícias de mulheres que estupraram.

Rê Bordosa

Agora pensa bem se começarmos a querer usar o banheiro de acordo com o que é considerado vestimenta feminina e o que é vestimenta masculina? Quer dizer que o dia que eu achar sexy sair de terninho eu vou ter que usar o banheiro masculino? Não, eu não vou querer, pois usar o banheiro masculino coletivo para mim significa risco. Eu não sei que tipo de cara vou encontrar nesse local e quais suas intenções. Por que então os crossdressers que tem desejo sexual por mulheres acham que devem usar o banheiro feminino? Um homem com desejo em mulher dentro de um banheiro feminino é sinônimo de risco de espiada, assédio ou violência para muitas mulheres.

[Particularmente eu penso que é óbvio que algumas mulheres no banheiro feminino podem representar perigo para outras mulheres, no que diz respeito a espiar, assediar ou violentar – mas o que assusta imediatamente é o falo. Eu sempre costumo dizer: ter dois buracos entre as pernas que fazem parte do desejo fálico/masculino é o que torna a mulher tão vulnerável a dor do estupro, pois com força se abre as pernas de uma mulher e a penetra, mas a força não se faz o pau de um homem subir e o coloca em um orifício. E mesmo se assim o fosse, provavelmente isso não causaria dor ao homem. Enfim… São alguns pensamentos.]

No entanto, o que eu penso sobre os usos dos banheiros diz respeito aos usos dos órgãos sexuais femininos e masculinos. Diz respeito ao medo que muitas mulheres tem do falo e da força do homem.

Talvez a única solução a ser tomada, de maneira sensata é que os estabelecimentos/espaços públicos tenham banheiros individuais e que qualquer um possa entrar em qualquer um deles. Aí lá vem a necessidade de aula de boas maneiras nos banheiros públicos.  Há de se entender que em um mundo em que as pessoas prezam os seus direitos individuais é preciso que se comece a edificar espaços públicos individualizados. Em um mundo em que o coletivo traz tantos problemas para o indivíduo é preciso pensar que cada vez mais as divisões dos espaços em polaridades – masculino e feminino – irá se perder.

É preciso pensar…

See u!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Prática do Amor: Sobre casais

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Eu conheço muitos casais e pessoas solteiras que estão à espera do seu carinho noturno. Smiley piscando

Hoje eu estava pensando sobre essas pessoas e a relação de cada uma delas com o amor. E a cada dia que passa eu concordo com o excelentíssimo senhor Cazuza: “O nosso amor a gente inventa!” E a partir daí vai vivendo essa invenção que nos faz gastar grande parte do nosso tempo.

Alguns passam a vida toda procurando um grande amor, um amor arrebatador, que lhe consuma a alma e lhe deixem completos, contudo esses alguns não conseguem entender que quando a alma é consumida não sobra nada e ninguém quer estar ao lado de  um nada.

Alguns encontram o ser de seus sonhos e passam a viver ao lado dele como se aquele fosse o único ser da face da terra, não se vive mais, não olha ao redor, não sai de casa e quando, por algum acidente, precisam sair desse sonho são ofuscadas, perdem o brilho e ficam a vagar como almas penadas no mundo real.

Outros são felizes, um sugando o outro, um tirando as forças do outro em seus abraços, sorrisos, chateações, dúvidas e inseguranças, pois para esses o que importa é a certeza de que encontrou alguém para que não seja sozinho.

No entanto, no final das contas, o amor é algo opcional, é uma escolha que se faz antes mesmo de encontrar alguém.

Quem escolheu que o amor tem que ser para a vida toda vai fazer de tudo para que a pessoas que ele diz amar seja sua para a vida toda.

Quem escolheu que o amor é algo para se viver em par, se divertindo, vai zanzar para lá e para cá, seguros de si e bailando suavemente, com furor juvenil.

Aquele que escolheu que o amor nunca vai dar certo, sempre vai machucá-lo, torturá-lo, nunca vai ser tão estonteante, sempre vai ser apenas um estar com outra pessoa, viverá esses momentos de tristeza sozinho, pois talvez o outro nem faça idéia da sua escolha.

E por aí vai…Imagem006

Alguns ficam com seus parceiros por achar que mesmo não havendo amor é uma boa escolha, pois há um bom sexo. Outros se esquecem do sexo em nome de um amor espetacular e dizem: “o sexo foi embora, mas a gente se ama!” E assim vão vivendo.

Eu digo que o importante é saber conversar. Sabe aquele texto que já deve ter caído no seu e-mail dizendo que devemos nos casar com quem gostamos de conversar, pois eu aprofundo mais. Você deve se unir à quem você tem o que conversar, com quem você pode dividir suas angústias intelectuais, psicológicas e que lhe ajude a pensar sobre tais angústias e que não seja um conselheiro. Pode ser a tendência de alguns achar que tem boas conversas com quem só sabe dar conselhos, afinal, normalmente essas pessoas falam bem e são convincentes. Porém, não se deixem enganar, boas conversas ultrapassam o plano do aconselhar, do guiar, do orientar.

A conversa em par deve ser equivalente.  Deve ser um encontro de chamas. As lágrimas devem poder cair com tranquilidade (sem medo ou vergonha), o silêncio deve poder existir suave (sem incômodos ou desconfortos) e o abraço nunca pode terminar com tapinhas nas costas. A profundidade da conversa também transparece nos gestos. Se liga.

See u…

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Colocando fogo na piriquita: Sobre o clitóris.

 

Pois bem, se você tem menos do que 18 anos e sua mãe ainda não lhe deu permissão para saber coisas sobre sexo: meia volta, volver.

Há algum tempo eu venho pensando sobre o manejo do clitóris alheio. Não, não andei manejando o de ninguém que não o meu, mas acho que se eu o fizesse não teria problema para tal feito e arrisco-me a palpitar que qualquer mulher que já tocou o seu próprio não terá problema em manejar o alheio.

O problema mesmo é os menininhos que vez ou outra não sabem como encostar no tal “cacetinho” feminino.

Órgao Sexual Feminino

Vejamos o órgão sexual [ou reprodutivo, como quiserem] feminino. Tá vendo ali onde é o famigerado clitóris? [Se não, clica na imagem que ela aumenta] É lá o lugar que você vai manipular um bocadinho para deixar a garota mais animadinha. Eu disse MAIS ANIMADA, não esfolada.

Por que da advertência? O fato é que sei, por experiência própria e por ouvir azamiga, que nem sempre os rapazes sabem lidar com o grelinho.

Então lá vai a lição número 1 e a mais importante de todas:

O grelo é o cacete da mulher e ele fica duro. Na verdade, há quem diga que o órgão tem até 8 mil terminações nervosas e existe apenas para dar prazer a mulher. Além do mais, tem um ENORME detalhe, o grãozinho de feijão é supersensível.

Então não dá para você acender graveto em cima do cacete da mulherada, entendeu?

Fazendo fogo

Não dá para fazer do seu dedo ou da sua língua uma broca em cima do grelo da menina. É necessário suavidade, delicadeza e que você trate o clitóris como seu aliado durante a foda, não como um desestimulante, porque do mesmo modo que um cara pode reclamar: “peraí, toma cuidado com os dentes!” ou “peraí, não precisa apertar tanto ou ser tão rápido!” A mulher pode sentir seu fogo se apagar se o cara brincar de acender graveto na sua piriquita.

Pensa bem, se você já está com a mão lá é porque o fogo da menina já está acesso, agora é hora de soprar para fazer uma mega fogueira. Até porque se já está rolando fogo, se você resolver vir com a broca novamente o mínimo que vai acontecer é você se queimar. E abandonando a metáfora, você não vai querer se queimar com a menina e virar “o cara que não sabe mexer na piriquita” [porque cá entre nós, as meninas falam sim dos caras, quem o diga um tal “menor infrator” Smiley guardando segredo, piadinha interna, parei!]

Agora, rapazinho, se você duvida do que eu estou afirmando, pega a ponta do seu dedo indicador coloca na ponta do seu cacete e esfrega, mas esfrega com gosto. Já lhe digo que vai esquentar e vai arder. Pois é, é a mesma coisa que a moça estará sentindo e não é legal.

O legal é dar uma namorada com o cacetinho, de leve, bem lubrificado, para mantê-lo duro e teso. Seja a língua ou o dedo, há de não perder a ternura na hora de encostar no grelo. Divirtam-se…

See u!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sexo com Cabelo: Sobre patetices

 

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E aí que você está lá na cama – no sofá, no tapete, na ardósia – com o gato, mão naquilo, aquilo na mão, beijinhos, abracinhos e as coisas só vão esquentando. E quando você menos espera o safadinho coloca o braço em cima do seu cabelo e você fica meio presa.  Aí  puxa dali, despista e se esquiva daqui e vai tentando lidar com o fato de ele não saber lidar com o seu cabelo comprido.

Quando é uma vez lá e outra cá que isso ocorre é até fácil de administrar e pode acontecer também da mocinha gostar da dorzinha do cabelo preso para chegar até o famigerado gemido transcendental [Vide: gozo]. Mas o problema é quando o broto empolga e segura você pelos cabelos do mesmo jeito que aquela sua colega do primário fazia quando estava com raiva de você, sabe?

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“Puta que pariu, camarada!! Ajuda aí, né!!”

Não sei como é para todas as mulheres, mas sei que algumas dão uma broxada quando sentem algum tipo de dor [não proposital] durante o sexo. Eu digo e repito, pegar com firmeza, segurar com vontade não é arrancar o pedaço. Por God!

E aí você sente o puxão e o sexo até vira um tipo de “direto do túnel do tempo”, porque você volta lá na sua infância e lembra daquele garotinho que era louco com você, mas você não dava bola e ele sempre que podia puxava seu cabelo.

Que merda, heim….images

Antes de escrever esse post eu fiquei cá comigo pensando em uma estratégia para solucionar a foda com o cabelo. E alguns vão dizer: “Nossa, como ela é burra, dá zero pra ela! É só amarrar, né?”

Nã-nã-ni-nã-não, filhota!!

Você amarra e faz um belo rabo de cavalo e o cara vê aquele cabelo todo unido e acha que é um cabresto, aí você já viu.

23-258x300Daí que eu pensei na possibilidade de fazer um belo coque com o cabelo trançado e segurar o coque com um elástico, já que grampos numa hora dessas não iria ser nada legal.

Mas como alguém pode conseguir trepar com o cabelo arrumado??

Como alguém pode parar segundos antes da foda e dizer: “Peraí, beiimmm, vou ali arrumar o cabelo!”?

E fica uma lacuna enorme e estarrecedora a ser resolvida. Seria então o caso de cortar o cabelo bem curto?

Mas e a vontade de cultivar as madeixas, como fica?

Escolha difícil essa, uma trepada sem incomodos ou um cabelo comprido e sedoso?

E o pior é que eu não vejo a possibilidade de sugerir que se converse com o gato sobre isso, tipo: “ow, lindo, quando a gente estiver trepando toma cuidado com meu cabelo!”, porque é até sacanagem o cara ficar se policiando demais durante o tal ato.

Enfim…

Há de se conviver com as broxantes puxadas involuntárias de cabelo, isto é, patetices básicas que ocorrem durante o sexo.

 

See u!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Ahnn?? É comigo?–Sobre a arte de ignorar.

 

Blasé

- É comigo meeea felha??

Pode ser irritante para quem está ouvindo isso, mas com certeza é deliciante para quem diz com um ar e malemolência de quem está ignorando qualquer sujeitinho do tipo “não fede e nem cheira”, tem coisa pior do que ser o tipo “não fede e nem cheira”?

Sabe quando você ignora, quando você realmente aparenta ser frio o suficiente para não se abalar com aquela famigerada sentada no formigueiro – levanta e continua com cara de “nem sinto as formigas beliscando meu pôpô” –, pois bem, é sobre isso que falo. O importante, queridos, é conseguir manter a compostura, estar diante de uma pessoa que não é nada para você, pois você não a conhece o suficiente para se importar e nem está disposta a conhecer. Enfim… Lá vem a arte de ignorar e quando necessário fazer aquela famosa carinha blasé. Cara blasé não é cara de sonsa, é um misto de voz de tia cachaceira com olhar de maconheira… Do tipo “meeeeea feeelha, e eu com isso?”

Cutucaram você e perguntaram sobre algo que você nem prestou atenção que aconteceu. Ignore.

Aquela pessoa chata para caralho veio com um blá blá blá argumentativo que não leva a nada. Ignore.o-que-fazer-quando-seu-ficante-passa-a-te-ignorar

Ele acha que lhe conhece e vive afirmando que sabe o que você está pensando, mas não sabe porra nenhuma. Ignore.

As pessoas não sabem lidar com o ser ignorado, quando elas são ignoradas elas fantasiam em suas mentes que você confirmou algo. Sabe aquele famoso “quem cala consente”. Na minha concepção essa frase foi inventada por alguém que não gostou de ser ignorado e resolveu fazer da sua informação uma verdade através do silêncio do outro.

Agora se você se importa com o outro achar que você desistiu ou concordou com ele e não quis dar o braço a torcer, você não serve para a arte de ignorar. A arte de ignorar é como a arte de se tornar uma gueixa. Há de se respeitar o ignorar. Há de se confiar em si e não se importar com o que dizem que têm certeza que você acha. Há de ter certezas sobre suas próprias opiniões. Há de saber que se alguém vier lhe cobrar palavras quando na verdade você estava em silêncio você poderá apenas dizer “mas eu não disse isso, disse?”.

A mente da gente é o único lugar que só nós mesmos podemos frequentar e não é saudável permitir que alguém espie lá dentro. Por isso, muitas e muitas vezes, eu considero que é muito mais saudável aplicar a arte de ignorar.

See u!!