quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Se toca, menina!! Descobrir-se é preciso.

 

Gustav Klimt - Mulher sentada

Há alguns dias eu estava conversando com algumas colegas [de 20 e poucos anos] sobre sexo, virgindade e masturbação e olha só, o tabu da masturbação feminina ainda persiste. Eu respeito, mas não compreendo, uma menina querer casar virgem hoje em dia. Contudo, acho uma falta de respeito consigo mesma não se descobrir, se tocar antes do tal casamento.

Eu não vou escrever sobre os benefícios da masturbação à saúde corporal da mulher, se você quiser ler sobre isso eu indico esse post que encontrei que tem várias informações interessantes sobre: Masturbação Feminina: Prazer e Saúde.

O que tenho a escrever é sobre se descobrir mesmo. Se tocar é preciso! E é preciso porque o corpo é seu, simples assim. Pode parecer meio “girl power” da minha parte querer lhe convencer que você tem que se tocar porque o corpo é seu, mas eu acho um tanto quanto injusto você só descobrir alguns lugares do seu corpo [que são meio óbvios] quando ele estiver nas mãos de outro. Ao se tocar você irá descobrir onde e como você gosta de ser tocada – e não precisa ficar com medo de não sobrar nada para um toque surpresa do amor da sua vida, o corpo da gente é imprevisível e cheio de mistérios, novas formas de toque e novos lugares irão surgir.

E é importante frisar que, ao meu ver, masturbação não se restringe ao toque em suas zonas erógenas óbvias, mas a tocar todo o corpo, entre os dedinhos dos pés, o couro cabeludo, a cintura, a clavícula, as pálpebras e qualquer outro lugar que você nem imaginou que poderia se tornar uma zona erógena, mas que poderá lhe trazer grande conforto e prazer.

Explorar o seu próprio corpo é pra já! Pois você não vai conseguir explorá-lo em um só dia… Essa exploração leva dias e mais dias, meses e mais meses… Anos e mais anos!  Se toca, menina! E não se preocupe com sua xoxota, se você for virgem e tiver medo de arrancar o tal do lacre com os próprios dedos [mas eu não acho ruim deixar se ser virgem consigo mesma] explore os outros cantinhos do seu corpo.

Vá viajando em si, sentindo sua beleza, suas curvas – mas não faça caras e bocas, você está sozinha, não precisa tanta performance Smiley mostrando a língua - vá acreditando no prazer que você pode sentir com outro e como você vai guiá-lo pelo seu corpo. Não se reprima!! Não deixe todo o seu corpo nas mãos de outro, descubra-o, controle-o, conheça suas trilhas… E nada de pensar: “arg… que ridículo!”

Ridículo é você não se permitir se conhecer!!!

Por hoje é só, pessoal!

See u!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Conto nº 7–Quando o amor mora na lembrança

Eu me lembro dela, me lembro do seu sorriso, me lembro dos seus olhos, mas não sei como lembro. A primeira vez que a vi foi no ano passado, ela chegou sorridente e eu não consegui reagir ao seu brilho, apenas senti que sempre me lembraria dela.Cena do Filme Malena

Nossa convivência sempre foi distante, mas quando ela estava por perto apontava os caminhos, dizia coisas polêmicas, algumas vezes eu discordava, mas aprendi a compreender a maneira como ela dizia as coisas. Ela sempre exigiu que eu tivesse calma para ouvi-la e ela tinha muita calma para me ouvir.

O sentimento apareceu. Eu sei que é comum ouvirmos casos e mais casos de um jovem como eu começar a amar uma mulher mais velha, mas ela não é só uma mulher mais velha, ela faz parte de mim de alguma maneira. Sinto como se já fizesse parte das minhas lembranças antes mesmo de tê-la conhecido.

Foi um reconhecimento mútuo, eu sinto. Ela me olha com um olhar de quem já me conhece, mas que não irá confessar nunca, me abraça com um jeito íntimo sempre, sinto calma perto dela e ela parece ter eternas saudades de mim.

Agora ela chega e diz que vai embora? Vai morar em outra cidade? E eu fico sem o beijo estalado em minha bochecha? Fico sem o ombro onde várias vezes eu recostei minha cabeça? Eu fico sem sua voz? Sem suas palavras amigas?

Senti minha cabeça doer, meu corpo aqueceu em febre, minha garganta se secou e eu não consegui nem dizer “adeus”. As lágrimas foram inevitáveis. Ela olhou para mim e chorou com o meu silêncio. Fui embora antes dela e a deixei chorando. Fui covarde, eu sei, mas eu não poderia vê-la partir. Ela estava voltando a morar apenas em minha memória e naquele dia eu fiquei com fome de amor.

sábado, 3 de setembro de 2011

Poema entristecido

 

260173_1438665782884_1720212806_721011_5597388_nEu costumava fazer poemas,

mas eles sumiram e não voltaram mais.

Pensei que poemas deveria ser coisa de criança

e agora eu sou adulta, não há tempo para criancices.

Entristeci

Olhei para a paisagem e vi a poesia indo embora

Arrependi-me de ter crescido

ser criança é sempre bem mais divertido

Eu costumava fazer poemas,

mas eles sumiram, lá se vai mais um poema.

Não há dor que faça um poema voltar

o poema é solto, alto e vistoso

aparece naquele instante e se restringe a segundos

de inspiração

Se você disse: Vá embora, poema!

Poemas são letras de criança escritas no vento.

E ele se vai.

Eu costumava fazer poemas!

Entristeci!