sábado, 16 de julho de 2011

Balzac e o sentimento de um pai

 

à Deriva

- Ah! – exclamou o pai soltando um suspiro. – Criança cheia de mimo! Os melhores corações são às vezes bem cruéis. Consagrar-te a nossa vida, não pensar senão em ti, preparar o teu bem-estar, sacrificar os nossos gostos às tuas fantasias, adorar-te, dando-te até o nosso sangue, tudo isto nada é? Infelizmente, assim o julgas, pois tudo aceitas com indiferença. Para obter sempre os teus sorrisos e o teu amor desdenhoso, seria mister ter o poder de Deus. Depois, chega um outro! Um amante, um marido que nos leva o teu coração.

[Balzac – em “A Mulher de Trinta Anos”]

Em alguns momentos eu acredito que é por ouvir seus amigos homens nos bares, por ter memória [de suas experiências], por crescer ouvindo alguns homens dizer que mulher tem que obedecer, por saber quanto um homem pode rir da “ingenuidade” de uma mulher, por saber das vontades e certezas que alguns homens têm sobre as mulheres que um pai sente todas as dores do mundo ao ver uma filha perdidamente apaixonada. Não é o ciúmes que atormenta-o, é a possibilidade de vê-la chorar por causa de outro homem que não ele.

Balzac já começou me fazendo amá-lo.

sábado, 2 de julho de 2011

Decisões: Sobre quando elas são difíceis [razão versus paixão]

- Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui? – Perguntou Alice.

- Isso depende muito de para onde quer ir – respondeu o gato.

- Para mim, acho que tanto faz… – disse a menina.

- Nesse caso, qualquer caminho serve – afirmou o gato.

[Lewis Carroll – Alice no País das Maravilhas]

Muitas vezes temos em nossas mãos decisões para serem tomadas, opções a se escolher, caminhos a se seguir e daí vem uma dúvida dantesca: O que escolher? Qual critério usar para fazer as escolhas?

E, na verdade, ficamos torcendo para o universo se incumbir de tirar aquele problema de nossas mãos e nos restar apenas a solução, simples e clara. Comigo, por enquanto, o lance do universo se livrar do problema por mim ainda nunca aconteceu. Quer dizer… Aconteceu uma vez, mas foi muito terrível a decisão do universo, desse modo, talvez seja até melhor evitar deixar as soluções nas mãos do universo, ele pode ser bastante cruel.

Quando as decisões envolvem o coração da gente é pior ainda, o coração quer algo que a mente não quer e vice-versa. E ficamos naquele impasse, será que há a justa medida entre a razão e a paixão? Será que podemos nos entregar as razões do coração sem medo do que pode ocorre logo adiante?

Eu não consigo confiar em meu coração, em minhas emoções 100%, mas, confesso, tenho um medo gigantesco de me entregar completamente a minha mente racional e calculista, cheia de critérios, avaliações e medidas. E é aí que começa a doer… Você olha para frente e vê várias possibilidades, olha para trás e vê que já construiu metade do caminho. Muitas decisões que podemos tomar requer começar de novo, admitir que o castelo não está bem construído e que suas decisões não foram tão acertadas assim. Contudo, ainda há a dúvida: e se eu estiver sendo exigente demais? Querendo a perfeição que não existe em nada?

E ficam dúvidas… dúvidas… dúvidas…

Em meio à tantas dúvidas o conforto da segurança sempre parece ser o melhor caminho. Ou seja, na dúvida, PARE! Só que parar já se tornou um hábito tão grande que já não faço outra coisa se não parar.

Decisões exigem de nós coragem, ousadia, criatividade, talento para viver. O risco é o que possibilita a mudança, e para onde eu poderei ir se não tiver fôlego o suficiente para me arriscar?

Paixão ou razão? Será que a temperança existe? Será que é possível alcançar o meio-termo, o equilíbrio entre os nossos cálculos e os nosso sentimentos?

Eu, particularmente, não consigo mais me decidir entre a razão ou a paixão, mas também não consigo a justa medida. Vou continuar me concentrando, respirando, fortalecendo e flexibilizando, como venho aprendendo no pilates e torcendo para ter coragem suficiente para sair da famigerada zona de conforto.

Uma hora tudo dá certo!

See u!