quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Singularidades: Solidão e silêncio acalmam a alma.

Szabo Eszter, da Hungria, mostrou este morango em formato de coração nas mãos de sua avó, chamando a imagem de 'Verão na Casa da Vovó'.

Solidão e silêncio. Eu os amo… Mas, certo é, que muitas pessoas têm medo dessas duas palavras, não se sentem confortáveis, tremem, gemem, rangem os dentes e gritam. A solidão e o silêncio são, muitas vezes, representações fiéis de momentos angustiantes, agoniados.

Já ouvi falar muitas coisas sobre a solidão, uns dizem que na solidão a gente se encontra com o myself e daí em diante isso pode se desdobrar em agonia ou não. Outros dizem que na solidão a gente aprende a se amar, a pensar em nós mesmos de um modo especial e a gostar de se fazer companhia. Contudo, não conheço muitas pessoas que se conhecem e que têm certezas sobre quem são, penso que por isso, para essas pessoas que não se conhecem estar sozinho é angustiante, pois é como estar com um desconhecido. Quem nunca sentiu que havia algo em si que não era propriamente seu? Quem nunca se notou pensando coisas que nunca diria a alguém, pois não o reconheceriam?

A solidão nos expõe ao que temos em nós mesmos, a solidão no faz parar e suportar o que temos de pior. Aquele pior que vivemos a cobrar que os amigos suportem, mas que nem nós mesmos queremos suportar. Um dia assistindo o programa Provocações eu ouvi o Abujamra dizer que humano é uma palavra velha, um termo obsoleto. Penso eu que ser humano é velho, porque é, conceitualmente, ineficaz. O humano nos remete a um ser biológico, que pode estar só e em silêncio. No entanto, poderíamos falar de pessoas e/ou ciborgues do nosso mundo moderno ou seria pós-moderno? Podemos falar de um ser social.

A solidão é capa da revista: “Cada vez mais as pessoas vivem sozinhas em seus apartamentos”. E no canto esquerdo inferior um chamada para um artigo sobre gatos. Gatos?  Uma reportagem sobre como educar bem o seu gato. O canto esquerdo inferior da revista traz a solução para a manchete e o bricolê revela: “Não viva sozinho em seu apartamento, compre um gatinho”. E por aí estão vários apartamentos solitários com gatos cute-cute em suas janelas.

Mas e o silêncio? O silêncio angustiante não existe em um mundo de ciborgues.

LisaFoo

O silêncio acaba quando me conecto a TV ou ao celular, o silêncio não resiste ao computador, ao rádio, ao carro ou qualquer outro mecanismo que conecta a pessoa e o transforma em um ciborgue, lhe possibilita ultrapassar limites, possibilita adquirir técnicas que não estão no corpo [humano] de modo natural.

E daí o mundo de ciborgues, pós-moderno, descolorido, cheio de matéria e energia, se torna um mundo em que não há solidão e nem silêncio.

Se calar é tão dolorido que seria mais fácil mandarem arrancar a língua fora, no mundo de ciborgues ninguém precisa se calar, o silêncio é proibido e entre Rafinhas Bastos e blogueiros anônimos ouvimos o zumbido de blá-blá-blás que não cessam, todos têm opiniões, todos sabem fazer belas fotos, todos podem se manifestar, todos devem escolher, ninguém mais admite seguir orientações dos outros, mas ninguém escolheu fazer assim por si só.

A ordem é evitar o silêncio e a solidão, custe o que custar!

A solidão se evita com os gatos e o silêncio com as tecnologias. Mas o conhecer a mim mesmo como se evita? Uma hora você terá que se olhar no espelho, olhar nos olhos e perceber que não há tempo para evitar mais, o silêncio e a solidão são necessários. Assuma-os!

See u!

2 comentários:

  1. Ruim é quando, mesmo sob o peso do silêncio e da solidão, horas a fio de reflexão, tem-se a impressão de que não se conhece a si mesmo totalmente.

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  2. Aí é péssimo.. a gnt fica terrivelmente ferido!

    =/

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