sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Conto nº 7–Quando o amor mora na lembrança

Eu me lembro dela, me lembro do seu sorriso, me lembro dos seus olhos, mas não sei como lembro. A primeira vez que a vi foi no ano passado, ela chegou sorridente e eu não consegui reagir ao seu brilho, apenas senti que sempre me lembraria dela.Cena do Filme Malena

Nossa convivência sempre foi distante, mas quando ela estava por perto apontava os caminhos, dizia coisas polêmicas, algumas vezes eu discordava, mas aprendi a compreender a maneira como ela dizia as coisas. Ela sempre exigiu que eu tivesse calma para ouvi-la e ela tinha muita calma para me ouvir.

O sentimento apareceu. Eu sei que é comum ouvirmos casos e mais casos de um jovem como eu começar a amar uma mulher mais velha, mas ela não é só uma mulher mais velha, ela faz parte de mim de alguma maneira. Sinto como se já fizesse parte das minhas lembranças antes mesmo de tê-la conhecido.

Foi um reconhecimento mútuo, eu sinto. Ela me olha com um olhar de quem já me conhece, mas que não irá confessar nunca, me abraça com um jeito íntimo sempre, sinto calma perto dela e ela parece ter eternas saudades de mim.

Agora ela chega e diz que vai embora? Vai morar em outra cidade? E eu fico sem o beijo estalado em minha bochecha? Fico sem o ombro onde várias vezes eu recostei minha cabeça? Eu fico sem sua voz? Sem suas palavras amigas?

Senti minha cabeça doer, meu corpo aqueceu em febre, minha garganta se secou e eu não consegui nem dizer “adeus”. As lágrimas foram inevitáveis. Ela olhou para mim e chorou com o meu silêncio. Fui embora antes dela e a deixei chorando. Fui covarde, eu sei, mas eu não poderia vê-la partir. Ela estava voltando a morar apenas em minha memória e naquele dia eu fiquei com fome de amor.

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