sábado, 16 de abril de 2011

Silêncio! Ouço ela vindo.

lotus

Quando eu disser: “Por favor, me deixe sozinha!” Não é o momento correto para você acreditar naquele e-mail idiota que diz que mulheres só dizem isso para pedir que você fique.

Deixe-me só e fique tranqüilo!

Prometo que vou continuar lhe amando, não estou procurando um lugar para me esconder. Nem fugindo de você. Longe e só eu não penso mais em nossas burradas do que quando estamos juntos. Quando quero ficar só é porque preciso de um tempo para ser egoísta, para me livrar dos fantasmas que estão na minha cabeça. E, sinceramente, sua presença constante e impositiva pode se tornar um fantasma.

Eu queria não ter necessidade de ficar só, não queria mesmo.

Sempre achei lindas as historietas encantadas que terminam com “juntos para sempre” ou “felizes para sempre”.

Mas é um equivoco pensar que eu sou uma pretensa princesa. Minhas dores são reais, não acredito na boa senhora que me oferece a maçã [envenenada]. Meus sonhos são estruturais, minha vida é de touro.

Acredite em mim, eu lhe peço!

Eu preciso ficar só.

Lamento por esse pedido com uma dor colossal, mas não há outra maneira de se encontrar se não no silêncio.

O silêncio solitário da noite.

O silêncio que possibilita a escuta.

O silêncio da madrugada habitada por uivos de cães.

O silêncio temido e profundo.

Por favor, me deixe em silêncio, preciso, ferozmente, ouvir as batidas do meu coração.

 

***

“Parem, por favor! Isso dói…” 

[La Maison de Dieu – Renato Russo]

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