segunda-feira, 4 de abril de 2011

Quase morte: Sobre saltar.

 

Salvador Dali

O tempo vai, vai e vai… e é sem parar.

Logo fará um ano que eu quase morri. Que estupidez a minha, já quase morri duas vezes e me parece que ainda não me cansei de me aventurar.

Quase morrer é como conseguir, surpreendentemente, saltar sob o tempo. Nunca contei aqui como foi meus últimos minutos de quase morte. Ano passado, dia 16 de abril, eu quase morri. Eu faria 28 anos dia 28 de abril e desde adolescente eu tinha fascínio por completar 28 anos. Um tipo de relação mística que criei como os números, 28 de abril de 82. O número estava o tempo todo a me rodear, ora 28, ora vice versa – 82. A data que eu nasci. Abril é o mês de excelência do outono, para mim é. Então, sempre considerei que eu havia nascido numa quarta de outono, de número 28, de ano 82.

Planejei uma festa, alegre, divertida, que reverenciasse meu melhor ano. Mas 12 dias antes eu me vi em quase morte, sufocando e sentindo que tudo aquilo não iria acontecer, que eu iria morrer aos 27 anos.

E eu sufocava e minha mente dizia:

- Você não pode morrer aos 27 anos, não pode morrer como Janis Joplin, nem como o Jimi Hendrix, nem como o vocalista do The Doors [Jim Morrison – eu não me lembrei do nome dele. =p]. Você tem que fazer 28! RESPIRA! RESPIRA! Me deixa fazer 28 anos, anjo protetor, deixa!

E foi essa a minha batalha mental enquanto eu ouvia minha mãe gritar que eu estava roxa, que ligassem para os bombeiros, que pegassem o álcool. Eu me debatendo de frio, no calor de abril e minha mãe passando álcool nos meus pés, nas minhas mãos, até que os bombeiros chegaram.

Pode parecer divertida a história… A louca que estava morrendo e lembrando de Janis Joplin – e acreditem, eu estava morrendo, não é exagero.

Mas eu resolvi – depois de séculos que não venho aqui – escrever esse post porque eu ouvi uma coisa muito interessante no sábado. Eu estava na aula de pilates, no sábado de manhã [esse não é meu horário regular] e conheci uma pessoa que faz a aula nesse horário, ela é do tipo falante e ela ficou a aula toda conversando, eu fiquei um pouco mais calada para conseguir concentrar nos exercícios e na respiração. Contudo, num momento falamos sobre motivações para fazer o pilates e eu acabei contando sobre a embolia pulmonar. A fisioterapeuta/instrutora de pilates contou para a simpática mulher que eu havia contado sobre a vontade de fazer 28 anos e que eu havia tido a crise da embolia alguns dias antes de fazer aniversário.

Sorrimos, brincamos, pois muitas das pessoas que eu conto essa história acham muito divertido… Ela riu, mas disse:

- “Talvez você quisesse tanto fazer 28 anos porque você já sabia que daquele ponto em diante sua vida iria se transformar, ia ter um salto”.

Ui… eu me arrepiei, a fisioterapeuta se arrepiou… [Me arrepiei novamente ao escrever]. Talvez eu já soubesse, soubesse que eu teria que mudar minha vida, não por uma força externa, mas interna.

Mudar definitivamente os meus hábitos alimentares e emagrecer;

Sair do sedentarismo e me encontrar no pilates – estou amando e já sinto a diferença em mim com apenas 3 semanas de aula;bailarina-saltando

Tomar as rédeas da minha vida novamente, mesmo que eu sinta que voltei a ser um bocado aborrecida-gratuita. Mas desde pequenina eu sou aborrecidinha, eu só havia abafado essa característica um pouco, porque eu achava muito chato.

Talvez seja isso… Talvez essa quase morte seja um salto sutil e harmônico sob o tempo da minha vida.

Smiley piscando

See u!

7 comentários:

  1. Linda

    Taurina, como eu. Bem pertinho, aliás. Se eu acreditasse muito nessa coisa de astrologia diria: "Agora está tudo explicado!". Como não acredito tanto... acho que só explicou em parte. :-)

    Muito foda o seu relato. Não consigo imaginar o que seja ver a morte tão de perto. E lutar pela vida assim.

    Acho que essa senhora pode estar certa sim... de alguma forma além do nosso entendimento você sentia desde cedo (ou seu lado bruxa sentia) que a entrada nos 28 anos traria uma grande mudança. De certa forma nesse processo você morreu e renasceu...

    O que significa que eu te conheci bebê. :-)

    Baby querida, fico muito feliz que você tenha ganho essa partida com a morte, e me dado o enorme prazer de te conhecer.

    Beijo grande,
    Deb.

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  2. Logo, somos amigas de infância!! ;)

    Eu sou muito feliz em ter lhe conhecido, lindona.

    bjinhos...

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  3. :-) Praticamente de berçário.

    Somos felizes, então. Mesmo.

    Ah... dá uma olhada no texto desse moço. Vida inteligente na net:

    http://malvadezas.com/author/verossimil/

    Beijos!
    Deb.

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  4. liiiiiiiinda!
    outra vida, outra pessoua, dentro da mesma pessoa simultaneamente rabugenta e sorridente.
    e pilates dói demais, só jesus luz na causa... num pôster, pra inspirar.

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  5. simultaneamente mesmo... nem dá pra explicar.

    pilates é tão baum! Eu tenho gostado bastante...
    =** Lis, sua bunita!

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  6. Olha... a dor do Pilates não me incomoda tanto. Minha resistência a dor á alta. Passo mal é de raiva de ficar tremendo que nem enceradeira em alguns exercícios. Fico brigando com a minha perna... "Pára quieta!!" hahahah

    Beijos!

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  7. A tremedeira é um saco!
    Mas já tou acostumando tbm.. =p

    =**

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