segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

“Mãe, eu tenho amigos [as] gays!”: Sobre o Moralismo

 

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O que eu faço com essa informação? O que eu digo para minha mãe?

Eu não sei mais como viver nesse mundo que faz-de-conta que tudo mudou. As coisas são as mesmas, os erros são os mesmos, o evolucionismo está aí.

Eu vejo a história passando pelos mesmos estágios evolutivos de outrora, eu tenho que esconder-me da vida. Afinal alguém um dia disse e decretou: “Diga-me com quem andas que direi quem és”. Dirá quem eu sou é o caralho!

[Eu estou estupidamente chateada, sorry!]

Quem pode dizer quem eu sou? Quem pode dizer que sou isso ou aquilo a partir do que vê de longe?

Não conheço aquele que julgue só depois que conheceu todos os fatos – estou incluída aí – até porque averiguar todos os fatos é falso, nada é narrado da mesma maneira como ocorreu, nada volta a ter a mesma intensidade, o mesmo choque, a mesma angústia.

Se você me diz: – Se você tem amigos gays é porque você tem tendências que até Deus desconhece! - É porque você não sabe olhar nos olhos, sorrir e se alegrar com aqueles que estão contigo.

Coragem

Eu desconheço a coragem necessária e a energia usada para dizer a um pai ou a uma mãe moralista e cristã que seu desejo sexual é pela mesma genitália que você tem.

Surto… LouCuRa… DrAmaLhãO… Neurose…

Eu não conheço a intensidade dessa informação para uma cabeça moralista/cristã…

Eu desconheço a tensão desse tipo de guerra!

No entanto, essa guerra me rasga, me machuca, me dilacera, pois coincidentemente, ou não, muitos dos meus amigos, pessoas queridas, que amo muito, desejam e saboreiam a genitália semelhante à sua própria. Smiley piscando E eu aprecio o amor entre os casais gays da mesma maneira que aprecio qualquer outro amor, gosto de ver o beijo, o desejo e a volúpia. Ah! A volúpia… Não há nada mais lindo.

Não quero falar de soluções, nem ficar reclamando da idiotice alheia em não respeitar a diferença, esse papo é muito estúpido para o primeiro post do ano [eu não consegui ficar longe daqui, não é?]

Na verdade, eu vim até aqui para desejar que eu continue apreciando o amor e que se você estiver comigo nessa, que você assim como eu, torne o apreciar o amor sinônimo de respeito.

Eu necessito ver as pessoas se abraçando, eu necessito aquietar o coração e cessar o barulho.

Eu necessito de autocontemplação!

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See u!!

13 comentários:

  1. Bem vinda a realidade! Evolução somente tecnológica, de destruição e dominação. Somos assim... somos (H) umanos.

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  2. Eu aprecio o amor! ^^
    Eu não comento mto aqui, Cassi, mas sempre te leio.
    Continue escrevendo.

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  3. É Omar, a realidade pode ser horrorosa. Me causa muito cansaço!!

    =/

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  4. Joo, que continuemos apreciando o amor!!! ^^

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  5. eu fico tão tão ofendida de ser repreendida por apreciar o amor. =/

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  6. http://frasesilustradas.wordpress.com/2009/04/27/ja-pensou/

    pq tudo que tem no Frases Ilustradas é ouro.

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  7. és verdad, Lis!

    Pensar igual é chato pra carái!!!
    Mas eu quero sempre ter o direito de pensar do meu jeito e a sensatez de deixar os outros pensarem do jeito deles.

    =D

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  8. Cassi

    E aí, chegamos à conclusão de que o mundo mudou, mas os pais não?

    Olhe... comigo aconteceu uma história "engraçada". Já cheguei a ter uma discussão feia com o meu pai por ele dizer que homossexualismo era doença. Foi demais para a minha cabeça.

    Mas um dia apresentei a ele um amigo bem mais velho que eu, que já tinha sido casado, tinha filhos... mas lá pelos 40 tinha optado por se relacionar basicamente com homens. (Coisa que não falei para o meu pai...)

    Os dois conversaram horas e horas, mil discussões filosóficas, artísticas, culturais. Meu pai adorou, fez mil elogios e tal.

    Anos depois ele perguntou se eu tinha alguma coisa com esse amigo. "Não, pai, ele é gay." E a reação dele foi algo como: "Se eu soubesse disso provavelmente não teria conversado tanto com ele..." E eu: "Pois é... e teria perdido uma excelente conversa".

    Espero que ele tenha aprendido com isso que preconceito é uma MERDA.

    Beijos,
    Deb.

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  9. É Deb, talvez seja por isso que haja um medo de se tornar pais entre alguns.

    Eu não quero ser uma mãe/babaca!!

    =/

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Cassi

    Nem se tentasse você conseguiria ser uma mão babaca, moça... :-)

    Beijos,
    Deb.

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  12. Não imaginava que ler seus textos seria tão produtivo e reconfortante. Resolvi segui-la por acaso, porque seu blog apareceu numa pesquisa que fazia no Google. Que grata surpresa! Acompanharei sempre. Meus parabéns pelos lindos texto, mensagem e disposição das palavras. Tocou-me, de verdade.

    "Ah! A volúpia... Não há nada mais lindo."

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  13. Oi Gui Sardozo,

    Nossa! Que feliz eu fiquei aqui agora... Obrigada você, por se aproximar!

    bjinhos,
    Cassi

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