sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Dores abstratas: Sobre morte e individualismo

sangue latino 5

Existem tantos tipos de dor que classificá-las ou colocá-las em uma régua de “de um a dez, quanto intenso foi?” é extremamente imbecil. A pessoa lida com a dor de acordo com sua própria experiência, sei que a dor é um conceito universal, acredito que em qualquer lugar do mundo que se vá haverá uma termo para designar dor e se não houver, as lágrimas a designa.

Você, definitivamente, sabe que nada poderá doer mais quando você sente uma dor abstrata se torna física e você esmurra a parede de dor. A morte de quem se ama com um amor infinito proporcionou em mim essa dor. E quando você esmurra a parede de dor é porque realmente nada pode doer mais do que aquilo.

E, sabe, nenhuma morte mais importa. Não sei se esse sentimento é apenas meu, se sou tão individual que burocratizo até minhas dores. Mas antes da cadeira na cabeceira da mesa ficar vazia em minha casa eu sempre sentia uma singela dor pelo outro que me anunciava a morte de um ente querido. Contudo, notícias de morte passam por mim hoje como qualquer outra notícia.

Na verdade, é como se não houvesse sobrado dor para gastar com morte de outros, eu havia gastado toda minha dor, todo o meu luto em um prazo de três anos. No dia 16 de dezembro de 2005 meu pai morreu e eu senti-me doente, sem forças, “sozinha no mundo sem ter ninguém” e não havia conforto em lugar algum. Apoiei-me em pessoas de fora da minha casa, pois minha casa estava escura, éramos zumbis, minha mãe ficou por muito tempo acamada – em um luto eterno. Eu não conseguia gritar, não conseguia falar, não conseguia arrancar aquilo de dentro de mim e fiquei no meu túmulo, em silêncio, por algum tempo.

Quando minhas olheiras começaram a desaparecer, o aspecto de zumbi desaparecer, em 16 de abril de 2007, a irmã do meu pai [e minha madrinha] e uma das pessoas que ‘segurou minha onda’ durante o período zumbi foi viver com os outros ancestrais. E eu achei que gritar resolveria. E achei que esmurrar a parede me acalmaria. Achei também que brigar com Deus estancaria minha dor acumulada.

E agora, quando alguém vem me contar que um ente querido morreu, com olhinhos de “me abrace, pois estou sofrendo muito”, o máximo que consigo fazer é dizer “espero que você fique bem logo” e dou um abraço leve. No entanto, é como se no meu interior eu reagisse com um “não me importa que seu ente querido morreu, pois eu vivi um acúmulo de dor que me gastou inteira”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA         Tornei-me insensível? Será? Não sei! Diferente de alguns aqui de casa eu não comprei livros que explicavam os sentimentos “dos que ficaram”. Eu estava de mal de Deus e não usaria do seu abraço fraterno para me consolar.  Aprendi ao meu modo a lidar com essa dor e acabar com meus pesadelos. Suavidade é o segredo.

São 6 anos sem meu pai, o sol daqui de casa. E hoje, cada um de nós, gira em torno de si para encontrar seu eixo, mas os dias -  mesmo que divertidos – não voltaram a ser ensolarados.  Eu nunca vou me esquecer que sou filha de um Catão [diz-se de ou indivíduo de princípios e costumes excessivamente rígidos e severos] que mesmo com toda sua austeridade tinha o sorriso mais lindo e mais fofo do mundo inteiro.

Sebastião Cássio Diniz [Catão Diniz]  ✩ 07/09/1954  ✤16/12/2005

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Ignorância é uma Dádiva!

tres_monos_peqDepois que já se sabe bastante você descobre que não saber tanto é o ideal para a sua sanidade mental. Quem me conhece e vai ler esse post vai julgá-lo paradoxal, mas eu adoro os paradoxos. Para quem não me conhece eu explico o por quê do post ser paradoxal: acabo de passar no mestrado em Antropologia Social na UnB – isto é, saber mais de cada vez menos. Vou me especializar em algo, vou adquirir uma marca profissional, um selo de garantia, vou estudar mais e mais coisas e saber mais. Irei me afastar cada vez mais da ignorância, pelo menos no que diz respeito a alguns assuntos pontuais.

Mas eu quero enaltecer a ignorância hoje. Pois não saber pode ser um grande privilégio. Quando não se sabe não há grandes mentiras ou grandes verdades, não há certezas ou dúvidas dantescas, não há melodrama ou isolamento. Quando não se sabe apenas se vive, como um passarinho que se contenta em saber fazer seu ninho, colher frutas e caçar insetos.

Sabe aquele papo bíblica que  diz:

“Vejam como crescem os lírios do campo: não trabalham e nem fiam.  E te digo, que nem Salomão, em toda sua glória se vestiu como um deles” [J.C.].

velha_da_rocaÉ mais ou menos assim que vejo os ignorantes, como protegidos pela natureza. Pois fazem do natural a sua vida, naturalizam tudo, o acordar com o sol, o alimentar com o que é possível ter, o vestir o que se tem, o morrer por vontade do divino. Sei que a palavra ignorante carrega em si um peso pejorativa enorme, mas tente ignorar tal peso e pense na leveza dessa palavra.

Eu ignoro, eu não sei e o não saber me deixa ser apenas animal. Pense como que o tratar nossa capacidade mental como sublime e como algo que deve cada vez mais ser potencializada nos submete a tantas normas e regras que torturam e abatem o nosso vigor para a vida.

Ingressarei eu no próximo ano, oficialmente, no mundo acadêmico da antropologia social, estarei eu começando o meu processo de passar de aspirante à mestre. E o que é isso? Como isso existirá em mim?

Tomarei cuidado!!  Antropófaga que sou, me alimentarei do saber alheio e darei de beber à quem achar que sou fonte. Mas ainda assim, terei cuidado! Pois é essencial ao humano se lembrar que é na ignorância que está a liberdade de não precisar ser nada, nem mesmo livre.

See u!!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Singularidades: Solidão e silêncio acalmam a alma.

Szabo Eszter, da Hungria, mostrou este morango em formato de coração nas mãos de sua avó, chamando a imagem de 'Verão na Casa da Vovó'.

Solidão e silêncio. Eu os amo… Mas, certo é, que muitas pessoas têm medo dessas duas palavras, não se sentem confortáveis, tremem, gemem, rangem os dentes e gritam. A solidão e o silêncio são, muitas vezes, representações fiéis de momentos angustiantes, agoniados.

Já ouvi falar muitas coisas sobre a solidão, uns dizem que na solidão a gente se encontra com o myself e daí em diante isso pode se desdobrar em agonia ou não. Outros dizem que na solidão a gente aprende a se amar, a pensar em nós mesmos de um modo especial e a gostar de se fazer companhia. Contudo, não conheço muitas pessoas que se conhecem e que têm certezas sobre quem são, penso que por isso, para essas pessoas que não se conhecem estar sozinho é angustiante, pois é como estar com um desconhecido. Quem nunca sentiu que havia algo em si que não era propriamente seu? Quem nunca se notou pensando coisas que nunca diria a alguém, pois não o reconheceriam?

A solidão nos expõe ao que temos em nós mesmos, a solidão no faz parar e suportar o que temos de pior. Aquele pior que vivemos a cobrar que os amigos suportem, mas que nem nós mesmos queremos suportar. Um dia assistindo o programa Provocações eu ouvi o Abujamra dizer que humano é uma palavra velha, um termo obsoleto. Penso eu que ser humano é velho, porque é, conceitualmente, ineficaz. O humano nos remete a um ser biológico, que pode estar só e em silêncio. No entanto, poderíamos falar de pessoas e/ou ciborgues do nosso mundo moderno ou seria pós-moderno? Podemos falar de um ser social.

A solidão é capa da revista: “Cada vez mais as pessoas vivem sozinhas em seus apartamentos”. E no canto esquerdo inferior um chamada para um artigo sobre gatos. Gatos?  Uma reportagem sobre como educar bem o seu gato. O canto esquerdo inferior da revista traz a solução para a manchete e o bricolê revela: “Não viva sozinho em seu apartamento, compre um gatinho”. E por aí estão vários apartamentos solitários com gatos cute-cute em suas janelas.

Mas e o silêncio? O silêncio angustiante não existe em um mundo de ciborgues.

LisaFoo

O silêncio acaba quando me conecto a TV ou ao celular, o silêncio não resiste ao computador, ao rádio, ao carro ou qualquer outro mecanismo que conecta a pessoa e o transforma em um ciborgue, lhe possibilita ultrapassar limites, possibilita adquirir técnicas que não estão no corpo [humano] de modo natural.

E daí o mundo de ciborgues, pós-moderno, descolorido, cheio de matéria e energia, se torna um mundo em que não há solidão e nem silêncio.

Se calar é tão dolorido que seria mais fácil mandarem arrancar a língua fora, no mundo de ciborgues ninguém precisa se calar, o silêncio é proibido e entre Rafinhas Bastos e blogueiros anônimos ouvimos o zumbido de blá-blá-blás que não cessam, todos têm opiniões, todos sabem fazer belas fotos, todos podem se manifestar, todos devem escolher, ninguém mais admite seguir orientações dos outros, mas ninguém escolheu fazer assim por si só.

A ordem é evitar o silêncio e a solidão, custe o que custar!

A solidão se evita com os gatos e o silêncio com as tecnologias. Mas o conhecer a mim mesmo como se evita? Uma hora você terá que se olhar no espelho, olhar nos olhos e perceber que não há tempo para evitar mais, o silêncio e a solidão são necessários. Assuma-os!

See u!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Como resolver tudo com sexo? Mais lições.

Sexo é o motor da humanidade. Freud explica. Com sexo podemos resolver tudo que acontece conosco.

sexo0Hoje, neste post, irei falar um pouco sobre como usar o sexo para fazer da sua vida uma vida maravilhosa. Sim… Sexo é lindo. Comecem a acreditar sexo não é tão ruim como pode parecer.  Smiley decepcionado

Se você tem uma imagem imunda sobre sexo em sua mente, do tipo:

- viu sua tia dando para um cara bizarro e gemendo muito quando você tinha 8 anos?

- quis se aconchegar entre seus pais no meio da noite e pegou os velhos trepando violentamente?

- assistiu “Hora do Pesadelo” e viu o Freddy enfiar um cotonete horroroso no ouvido do carinha? [ops… não, não! Esse exemplo não se aplica. Foi mal…]

- assistiu Emanuele na band e ela estava chupando um cavalo?

Preste atenção!!!

Tudo isso vai sumir quando você perceber que pode ganhar muito na vida fazendo sexo.

Como resolver tudo com sexo em 7 lições [eu gosto do número sete, e daí?]

1ª – Sexo existe para você se aliviar, sabe aqueles dias de tensão, que você está preocupado com alguma coisa, não consegue se concentrar em nada, sua mãe morreu, perdeu o emprego, tá tudo uma desgraça eterna? Procure algo ou alguém e faça sexo, logo você estará pronta para se estressar novamente.

2ª – Sabe aquele carro lindo que você quer a todo custo? Então! Basta um pequeno investimento em si e um personal style para que você possa comercializar sexo de luxo e logo você vai estar morando em uma cobertura em Madri. Smiley piscando

3ª – Ah! Você já vive por aí dando igual uma louca? Pois bem, está perdendo tempo, lindinha… Comece a cobrar, de grão em grão a galinha enche o papo, já dizia minha vó.

* É casada? Comprometida? Ah! Que coisa, não…  Tenho lições especiais para você. Mesmo em situações de contrato também é possível conseguir coisas com o sexo, minha tia avó tinha altas teorias sobre. *

4ª – Greve de sexo. Ou seja, não faça sexo para que você consiga algo através do sexo. Mas greve de sexo só pode funcionar se você fizer água na boca dele, fique deliciosamente mais bonita e gostosa nos dias em que estiver de greve, pois se não minha filha, nem vai adiantar, casais quase não fazem sexo mesmo.

5ª –  Agora se você não é adepta de greve. Peça o que quiser durante o sexo. Uma gemidinha ali, uma reboladinha aqui e você sussurra: – Deixa eu usar seu cartão de crédito amanhã. E ele vai gemer um siiiiimmm…

6ª – Não deu muito certo o pedido entre gemidos? Mother’s fucker! Ele é mais esperto do que supunha. Então negocie algo que você ainda não fez no sexo [por isso é sempre bom manter algo virgem], uma chupada em lugares obscuros, uma cavucada em lugares obscuros em você e por aí vai. imagesPode funcionar.

7ª – Não rolou uma negociada. Você não tinha nada virgem para negociar. Que bosta, heim… Então é hora do “vou chamar uma amiguinha para brincar com a gente”. E aí, querida, você pode pedir até a lua, porque ele vai trazer.

Agora se nenhuma dessas coisas funcionar, minha cara, desista!!  Vá fazer terapia, trabalhar que nem um jegue, fuja de diversão, porque sua vida é e sempre será uma merda, você não nasceu com o fiofó para a lua e não vão ser essas liçõezinhas safadas que vão melhorar sua vida.

Aviso: Cuidado com essas lições, podem ser prejudiciais a saúde.

See u…

sábado, 8 de outubro de 2011

Nem Luxo, nem lixo: Sobre gozar no final.

 

salto-alto-160442-3Lá vou eu para mais um post bem mulherzinha.

Mulher é um ser complicado mesmo, não duvidem. Quando a gente quer uma coisa, de repente descobrimos que queremos outra, algumas vezes eu acredito que nós mulheres fomos criadas para NUNCA, jamais confiar em ninguém. Confiar é complicado, deixar que o outro invada a nossa vida é complicado, falar sobre o que é invadir nossa vida também é complicado. Eu poderia escrever um post mega enorme triplo pra mais sobre as angústias e agonias de ser mulher e ter sido educada pra sê-lo, mas não é o meu objetivo aqui.

No fim, mulher é um algo corajoso que treme de medo. Mulher é alguém que topa tudo, mas desde que seja a interpretação dela do que é tudo. Mulher faz barulho, baderna, desordem, mas no fim quer tudo organizadinho e no lugar, pois morre de preguiça de procurar pelo esmalte novo que ela tinha certeza que tinha deixado bem ali.

E aí vem o problema com o macho, pode ser do tipo alfa, beta e caralho a quatro. Contudo, na verdade, só existem dois tipos básicos de homens na cabeça de algumas mulheres. Vejamos:

O Homem tipo Jim Shannon (personagem do novo seriado da Fox – Terra Nova)terranova01

Ele é aquele tipo briguento, forte que faz qualquer coisa pela sua família. Do tipo que adora se colocar na frente e aparar bala no peito.   Todas Suspira!!! Ai ai…  Ele é cheio de atitude e vai fazer qualquer coisa para se manter perto de você e cuidar para que nada lhe aconteça.
O problema desse aí é que ele sempre vai parecer pouco confiável, homem com atitude demais parece ser sinônimo de encrenca. A mulher pode se sentir super segura ou super insegura ao lado desse tipo. E o que fazer? Nada! Pois ele não vai mudar e se você o ama vai ter que aprender a lidar com o jeito falastrão, conquistador e intempestivo dele.

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O Homem tipo Leonard  Hofstadter (personagem de The Big Bang Theory – Warner Bros)

Ele é um fofo, super inteligente, sempre disposto a lhe ajudar. Vai tentar fazer de tudo para lhe deixar sempre feliz, vai obedecer a todos os seus comandos e vai trazer café na cama, sem esperar nada em troca. Só de você olhar para ele com amor já está valendo.

O problema é que ele nunca vai lhe surpreender com um olhar conquistador, um jeito caliente, porque ele é super tímido e pode ter certeza, quem chegou junto foi você, porque ele não teria coragem. E aí você fica agoniada com falta de atitude dele, fofura demais sobra.

Enfim, são dois tipo de homens que não devem ser pensados de uma maneira pura, alguns homens são uma mistura dessas duas coisas, um pouco de um e um pouco de outro, mas sempre tem um pouco mais de um do que de outro. Smiley mostrando a língua 

E aí as mulherzinhas ficam malucas, sem saber como fazer, por onde caminhar, porque elas gostam das características que há nos dois. De um lado o forte e briguento e do outro o tímido e fofo. A mulherada fica dividida entre a puxada firme no cabelo com lambida no pescoço e o café na cama com um amoroso sorriso. E por que será que mesclar as duas coisas no mesmo momento sempre fica parecendo tão tosco?

Por exemplo: Um café na cama com um amoroso sorriso sacana e ele lhe dá morango na boca e morde sua boca molhada de morango, cafunga seu pescoço e joga  bandeja de café da manhã no chão para lhe dar aquela puxada firme no cabelo. Oh! My God… É muita informação. A mulherada maluca parece que não processa… E o rapazes também não, a cena fica parecendo novela mexicana bem tosca.

É uma pena… Esse negócio de ficar entre dois polos é um saco. Ou luxo, ou lixo? Ou oito, ou oitenta? Escolher tanto cansa!!!

Eu quero é ter saúde para gozar no final.

See u.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

-=-= Vislumbrada =-=-

[Escrito por mim em 2005]

São outros dias
Vejo depois dos óculos3059cafe
um cigarro de canela
em uma mão de escritora
com unhas grandes e escuras

Em uma mesa redonda em um bar-café
Um guardanapo aberto e um bela caneta
Um copo de caipirinha
com uma suave marca de baton cravo e canela

Mãos frias, pescoço aquecido com um cachecol listrado
Cabelos curtos, quem os cortou não sabia cortar cabelos
Mal penteados
As idéias fluindo na cabeça

Coração de quem vive em um mundo seu
Cidade pra quem não precisa de companhia
Meia noite e ainda não é hora de voltar para o lar
Lar? definitivamente ela não tem um lar

Tem uma casa cheia de fantasmas
Uma geladeira com o substancial
Uma cama quente, ora vazia
Um computador com muitos giga's de história

Vislumbra sentada no corredor da faculdade
Com um livro de Clarice Lispector na mão
E os olhos fixos na parede suja de pés que se apoiaram
É um futuro que poderá vir

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Se toca, menina!! Descobrir-se é preciso.

 

Gustav Klimt - Mulher sentada

Há alguns dias eu estava conversando com algumas colegas [de 20 e poucos anos] sobre sexo, virgindade e masturbação e olha só, o tabu da masturbação feminina ainda persiste. Eu respeito, mas não compreendo, uma menina querer casar virgem hoje em dia. Contudo, acho uma falta de respeito consigo mesma não se descobrir, se tocar antes do tal casamento.

Eu não vou escrever sobre os benefícios da masturbação à saúde corporal da mulher, se você quiser ler sobre isso eu indico esse post que encontrei que tem várias informações interessantes sobre: Masturbação Feminina: Prazer e Saúde.

O que tenho a escrever é sobre se descobrir mesmo. Se tocar é preciso! E é preciso porque o corpo é seu, simples assim. Pode parecer meio “girl power” da minha parte querer lhe convencer que você tem que se tocar porque o corpo é seu, mas eu acho um tanto quanto injusto você só descobrir alguns lugares do seu corpo [que são meio óbvios] quando ele estiver nas mãos de outro. Ao se tocar você irá descobrir onde e como você gosta de ser tocada – e não precisa ficar com medo de não sobrar nada para um toque surpresa do amor da sua vida, o corpo da gente é imprevisível e cheio de mistérios, novas formas de toque e novos lugares irão surgir.

E é importante frisar que, ao meu ver, masturbação não se restringe ao toque em suas zonas erógenas óbvias, mas a tocar todo o corpo, entre os dedinhos dos pés, o couro cabeludo, a cintura, a clavícula, as pálpebras e qualquer outro lugar que você nem imaginou que poderia se tornar uma zona erógena, mas que poderá lhe trazer grande conforto e prazer.

Explorar o seu próprio corpo é pra já! Pois você não vai conseguir explorá-lo em um só dia… Essa exploração leva dias e mais dias, meses e mais meses… Anos e mais anos!  Se toca, menina! E não se preocupe com sua xoxota, se você for virgem e tiver medo de arrancar o tal do lacre com os próprios dedos [mas eu não acho ruim deixar se ser virgem consigo mesma] explore os outros cantinhos do seu corpo.

Vá viajando em si, sentindo sua beleza, suas curvas – mas não faça caras e bocas, você está sozinha, não precisa tanta performance Smiley mostrando a língua - vá acreditando no prazer que você pode sentir com outro e como você vai guiá-lo pelo seu corpo. Não se reprima!! Não deixe todo o seu corpo nas mãos de outro, descubra-o, controle-o, conheça suas trilhas… E nada de pensar: “arg… que ridículo!”

Ridículo é você não se permitir se conhecer!!!

Por hoje é só, pessoal!

See u!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Conto nº 7–Quando o amor mora na lembrança

Eu me lembro dela, me lembro do seu sorriso, me lembro dos seus olhos, mas não sei como lembro. A primeira vez que a vi foi no ano passado, ela chegou sorridente e eu não consegui reagir ao seu brilho, apenas senti que sempre me lembraria dela.Cena do Filme Malena

Nossa convivência sempre foi distante, mas quando ela estava por perto apontava os caminhos, dizia coisas polêmicas, algumas vezes eu discordava, mas aprendi a compreender a maneira como ela dizia as coisas. Ela sempre exigiu que eu tivesse calma para ouvi-la e ela tinha muita calma para me ouvir.

O sentimento apareceu. Eu sei que é comum ouvirmos casos e mais casos de um jovem como eu começar a amar uma mulher mais velha, mas ela não é só uma mulher mais velha, ela faz parte de mim de alguma maneira. Sinto como se já fizesse parte das minhas lembranças antes mesmo de tê-la conhecido.

Foi um reconhecimento mútuo, eu sinto. Ela me olha com um olhar de quem já me conhece, mas que não irá confessar nunca, me abraça com um jeito íntimo sempre, sinto calma perto dela e ela parece ter eternas saudades de mim.

Agora ela chega e diz que vai embora? Vai morar em outra cidade? E eu fico sem o beijo estalado em minha bochecha? Fico sem o ombro onde várias vezes eu recostei minha cabeça? Eu fico sem sua voz? Sem suas palavras amigas?

Senti minha cabeça doer, meu corpo aqueceu em febre, minha garganta se secou e eu não consegui nem dizer “adeus”. As lágrimas foram inevitáveis. Ela olhou para mim e chorou com o meu silêncio. Fui embora antes dela e a deixei chorando. Fui covarde, eu sei, mas eu não poderia vê-la partir. Ela estava voltando a morar apenas em minha memória e naquele dia eu fiquei com fome de amor.

sábado, 3 de setembro de 2011

Poema entristecido

 

260173_1438665782884_1720212806_721011_5597388_nEu costumava fazer poemas,

mas eles sumiram e não voltaram mais.

Pensei que poemas deveria ser coisa de criança

e agora eu sou adulta, não há tempo para criancices.

Entristeci

Olhei para a paisagem e vi a poesia indo embora

Arrependi-me de ter crescido

ser criança é sempre bem mais divertido

Eu costumava fazer poemas,

mas eles sumiram, lá se vai mais um poema.

Não há dor que faça um poema voltar

o poema é solto, alto e vistoso

aparece naquele instante e se restringe a segundos

de inspiração

Se você disse: Vá embora, poema!

Poemas são letras de criança escritas no vento.

E ele se vai.

Eu costumava fazer poemas!

Entristeci!

domingo, 14 de agosto de 2011

Festa Junina fashion weekend!? Sobre o blush.

 

blush

Sinceramente, eu tenho medo de bolotas rosadas, avermelhadas, alaranjadas nas bochechas alheias. E eu tenho vergonha alheia quando vejo uma menina, moça e/ou mulher por aí com uma bolota dessa na cara.

Para falar verdade eu acho que o problema com as bolotas é uma coisa local, aqui da minha cidade mesmo, não vi mulheres em outros lugares com bolotas avermelhadas na cara – mas pode ser que existam. Então vou explicar o motivo do meu post: aqui na minha cidade, para todo canto que se vai, se encontra mulheres de todas as idades com blush, mas não é qualquer blush, parece um carimbo, em formato de bolota [como eu venho dizendo insistentemente] ou em formato de ovo [da maçã em sentido à orelha].

Eu acho blush super sensato na maquiagem, sabe por que? Porque quando a gente passa uma base, pó, pancake, com prime ou sem prime, o rosto da gente fica de uma cor só e some os lugarzinhos naturalmente avermelhados que dão vida ao rosto. Aí entra o blush, ele vem reanimar a face, colocar a corzinha de sangue na pele. No entanto, ando percebendo que as meninas daqui no norte de minas estão entendendo a mensagem de maneira estranha e fazendo bolotas no rosto, tipo aquelas que muitas das meninas que já dançaram quadrilha em festa junina já fez no rosto.tudo_sobre_festa_junina

E só fica faltando as pintinhas na bochecha. Olha, galera, eu tenho consciência que eu não sou consultora de maquiagem, faço maquiagem em mim mesma male male, mas bolota no rosto não dá. E tem quem fique toda garbosa com as bolotas no rosto, parecendo que está indo para a escola ser a Rainha da Colheita e que vendeu trezentos mil votos pela vizinhança.

Pelo amor de Afodite!!! Controlem-se meninas e se liga na dica:

Lave seu rosto com água fria e observe em um espelho grande em que locais da maça do seu rosto já costuma apresentar as marcas avermelhadas, daí é só seguir as ordens do seu próprio corpo. Depois que passou a base, repintar as maçãs para voltarem a sua cor original.

O que não dá, de fato, é ter que encarar garotas como essas da foto abaixo e segurar o riso, a ironia, o deboche para que ninguém diga que eu sou despeitada ou invejosa, só porque elas são mais “padrão magro” do que eu. Ajudem-me a não ser má e a alcançar a paz eterna no céu, aproveitem o “padrão magro” que Afrodite emprestou a vocês e façam bom proveito dos recursos maquiagísticos que existem no planeta terra. Porque senão, eu assumo, vai ser difícil para mim não rachar de rir toda vez que eu olhar para o rosto de vocês.

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Ps.: Borrei a segunda menina toda, porque ela estava sem bolota na face, achei injusto colocar tarja nos olhos dela. HiHIHiHiHi..

See u! Smiley piscando

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Romance Sessão Espírita: dos reclames constantes.

à uma querida amiga.

romance

Você sai com azamigassss e o acaso lhe trás um gato, um cara muito do bacana, com um jeitinho tão lindo que você diz: – Glória Senhor, encontrei o homem da minha vida.

E vocês passam um final de semana linduxo, com direito à beijinhos e carinhos sem ter fim. E daí chega a segunda-feira. Vocês trocaram telefone e ele não liga. Aí você liga na terça, para não parecer muito grudenta e o cara lhe dá um nó. Sim, ele diz que tem que estudar/trabalhar/malhar e que vocês podiam deixar para se ver no final de semana, chega o final de semana e ele some. Você fica revoltada e depois de um tempo que ele está sumido você pensa: – Vá se fuder!!! A fila anda!!

E aí ele aparece e você dá outra chance, afinal, ele é tão charmoso, delicioso e todo –oso. E acredita em qualquer coisa que ele diz e vai ser feliz de novo. E o cara some novamente. Depois de oito meses nesse rala e enrola você já deveria começar a se perguntar:  - É namoro ou é sessão espírita????  O cara só aparece quando quer.

Quando você quer ele nunca aparece, você liga e ele dá todas as desculpas do mundo, o celular dele está sempre descarregado e vocês nunca conseguem se falar, mas isso quando você quer. Só que fica a dúvida. Como lidar com isso?Missed_Call Quais são os problemas?

Lista de coisinhas que podem motivar seu aceitamento:

1º – Você admira o cara, mesmo ele sendo um mentirosinho. E você já sacou isso.

2º – Ele é um tanto de coisa que você sempre quis.

3º – Você acha que é capaz de convencer o cara que vocês são feitos um para o outro.

4º – Você está tão carente que qualquer coisa está valendo, mesmo não estando confortável nessa situação.

5º – Ele cafunga no seu pescoço e você esquece que estava com raiva.

Pode ser que o seu entrave para sair fora de vez desse cara seja um desses motivos aí acima, mas pode ser pior, pode ser todos ao mesmo tempo. E você começa a acreditar que o cara lhe ama e vai vivendo essa vida de amante, sem que o cara tenha compromisso com alguém.

Se isso não lhe incomodar de jeito algum, tudo bem, cada pessoa se relaciona do jeito que gosta. Mas se isso lhe incomoda de alguma maneira, talvez seja hora de refletir sobre o que fazer, como resolver esse impasse.

Eu não sou conselheira amorosa, mas acho que a única coisa que você tem que resolver é se você está disposta ou não a continuar do jeito que está, mas com consciência que ninguém consegue mudar ninguém e que milagres podem até existir, mas normalmente não se manifestam assim tão fácil na vida real. Então se você decidir conversar com o rapaz, um papo sério, mais sério do que qualquer DR  que você já teve durante toda a sua vida, lembre-se de não ser a vítima do carrasco que some e lhe deixa abandonada, assuma suas escolhas e se liga, quem é que abre a porta toda vez que ele bate?? Assuma sua vida, assuma suas escolhas e fale a verdade para o rapaz, diga que está enamorada e que não quer essa vida de sessão espírita, que você cansou de fechar os olhos e ficar implorando aos céus para que ele apareça. Talvez seja interessante você deixar que ele fale também sobre as vontades dele, talvez ele está com vontade de ficar com você, mas não quer namorar de jeito algum, talvez o compromisso lhe assuste.

Pois bem, são várias as possibilidades. Mas não se esqueça nunca que as decisões na sua vida são suas e que você tem que ter coragem suficiente para assumi-las. Responsabilidade é coisa linda de deus. Smiley piscando

Espero que fique bem!! Sempre espero…

See u!

sábado, 16 de julho de 2011

Balzac e o sentimento de um pai

 

à Deriva

- Ah! – exclamou o pai soltando um suspiro. – Criança cheia de mimo! Os melhores corações são às vezes bem cruéis. Consagrar-te a nossa vida, não pensar senão em ti, preparar o teu bem-estar, sacrificar os nossos gostos às tuas fantasias, adorar-te, dando-te até o nosso sangue, tudo isto nada é? Infelizmente, assim o julgas, pois tudo aceitas com indiferença. Para obter sempre os teus sorrisos e o teu amor desdenhoso, seria mister ter o poder de Deus. Depois, chega um outro! Um amante, um marido que nos leva o teu coração.

[Balzac – em “A Mulher de Trinta Anos”]

Em alguns momentos eu acredito que é por ouvir seus amigos homens nos bares, por ter memória [de suas experiências], por crescer ouvindo alguns homens dizer que mulher tem que obedecer, por saber quanto um homem pode rir da “ingenuidade” de uma mulher, por saber das vontades e certezas que alguns homens têm sobre as mulheres que um pai sente todas as dores do mundo ao ver uma filha perdidamente apaixonada. Não é o ciúmes que atormenta-o, é a possibilidade de vê-la chorar por causa de outro homem que não ele.

Balzac já começou me fazendo amá-lo.

sábado, 2 de julho de 2011

Decisões: Sobre quando elas são difíceis [razão versus paixão]

- Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui? – Perguntou Alice.

- Isso depende muito de para onde quer ir – respondeu o gato.

- Para mim, acho que tanto faz… – disse a menina.

- Nesse caso, qualquer caminho serve – afirmou o gato.

[Lewis Carroll – Alice no País das Maravilhas]

Muitas vezes temos em nossas mãos decisões para serem tomadas, opções a se escolher, caminhos a se seguir e daí vem uma dúvida dantesca: O que escolher? Qual critério usar para fazer as escolhas?

E, na verdade, ficamos torcendo para o universo se incumbir de tirar aquele problema de nossas mãos e nos restar apenas a solução, simples e clara. Comigo, por enquanto, o lance do universo se livrar do problema por mim ainda nunca aconteceu. Quer dizer… Aconteceu uma vez, mas foi muito terrível a decisão do universo, desse modo, talvez seja até melhor evitar deixar as soluções nas mãos do universo, ele pode ser bastante cruel.

Quando as decisões envolvem o coração da gente é pior ainda, o coração quer algo que a mente não quer e vice-versa. E ficamos naquele impasse, será que há a justa medida entre a razão e a paixão? Será que podemos nos entregar as razões do coração sem medo do que pode ocorre logo adiante?

Eu não consigo confiar em meu coração, em minhas emoções 100%, mas, confesso, tenho um medo gigantesco de me entregar completamente a minha mente racional e calculista, cheia de critérios, avaliações e medidas. E é aí que começa a doer… Você olha para frente e vê várias possibilidades, olha para trás e vê que já construiu metade do caminho. Muitas decisões que podemos tomar requer começar de novo, admitir que o castelo não está bem construído e que suas decisões não foram tão acertadas assim. Contudo, ainda há a dúvida: e se eu estiver sendo exigente demais? Querendo a perfeição que não existe em nada?

E ficam dúvidas… dúvidas… dúvidas…

Em meio à tantas dúvidas o conforto da segurança sempre parece ser o melhor caminho. Ou seja, na dúvida, PARE! Só que parar já se tornou um hábito tão grande que já não faço outra coisa se não parar.

Decisões exigem de nós coragem, ousadia, criatividade, talento para viver. O risco é o que possibilita a mudança, e para onde eu poderei ir se não tiver fôlego o suficiente para me arriscar?

Paixão ou razão? Será que a temperança existe? Será que é possível alcançar o meio-termo, o equilíbrio entre os nossos cálculos e os nosso sentimentos?

Eu, particularmente, não consigo mais me decidir entre a razão ou a paixão, mas também não consigo a justa medida. Vou continuar me concentrando, respirando, fortalecendo e flexibilizando, como venho aprendendo no pilates e torcendo para ter coragem suficiente para sair da famigerada zona de conforto.

Uma hora tudo dá certo!

See u!

sábado, 18 de junho de 2011

Assim Disse [escreveu]: José Simão

Comprei um livro em um sebo, um livro de antropologia que chama “O Negócio do Michê” do Nestor Perlongher. Dentro do livro veio uma cópia de um recorte de jornal. E eu fiquei espantada com o recorte, pois já são 20 anos desde tal publicação e não há novidade e nem mudança nas posições referentes ao que lá contém. Por isso, resolvi transcrever a matéria escrita pelo José Simão, com muito humor, mas cheio de petelecos na orelha.


***


Folha de S. Paulo – Quarta-Feira, 27 de novembro de 1991

E bicha incubada é chata até em Cuba

Psicólogo evangélico diz que cura ‘vício gay’, mas ele não sabe que ‘uma vez Flamengo, sempre Flamengo’

José Simão - Da equipe de articulistas

Bichas de armário enrustido, uni-vos! Tão querendo acabar com a alegria do “mundo alegre”. É um psicólogo evangélico que diz que cura “vício gay”. Ah, é? E qual é o tratamento? Entra de salto agulha e sai dando sova de pinto em piranha e quebrando quarto de motel?!

E como é o nome dele? Dr. Ageu. Ageu?! Então ele não quer se vingar das bichas, quer se vingar do mundo! E a gayzada se vinga dele: faz macumba na porta do consultório. Evangélico tem pavor de orixá!

Dr. Ageu Errado diz que homossexualismo não é doença ne

m opção, é obsessão! Já sei, a bicha não quer, não quer e quando vai ver já tá lá na caneca de Prata. Fazendo hora pra Marquês de Itu. E charme pro Marquês de Sade!

E Renata Rangel abre sua excelente reportagem na Folha sobre o dr. Ageu quase assim: ele diz que cura “vício gay” contrariando as massas: “Uma vez Flamengo, sempre Flamengo”. E a gayzada grita: “Aqui em casa a gente é Flamengo até morrer!”

Ele anuncia: “Os homos

sexuais podem mudar”. Pra São Francisco! I left my heart in San Francisco. And my fiofó no HS! Uau! E 30% da clientela é gay. Xiiii, imagine o quebra louça na sala de espera!

E o dr. Ageu Erradíssimo diz que curou uma bicha que até se casou. “Fui padrinho”. Ah, que coisa imoral! E criar bigode faz parte do tratamento? Bigode pra desembarcar em Cuba. Bicha incubado só em Cuba! Em Cuba de Fidel ou em cuba de gelo!

E o dr. Ageu Erradérrimo diz que tem três fatores para eclosão do homossexualismo: 1) Pais repressivos. E o gay: “Meus pais não eram repressivos. Até incentivavam a minha carreira de detetive, toda vez que minha mãe escondia o batom eu achava!”

2) Pais ausente. E o gay: “Torcia pro meu pai ser ausente, mas ele tava sempre lá enchendo o saco!” 3) Pai ou mãe alcoólatra. E o gay: “Minha mãe nunca foi chegada numa birita. Só em Hollywood, pra emagrecer!” Rarará. Não sou defensor das bichas. Mas é melhor que os marcianos invadam a terra. E não os moralistas!

E bicha não morre, vira purpurina. A não ser bicha burra. Que já nasce morta. Em porta de consultório!

***

E eu digo o mesmo que o Zé Simão disse em 1991:

É melhor que os marcianos invadam a terra. E não os moralistas!











“Bicha não morre, filha, bicha vira purpurina”.

Trecho do documentário Dzi Croquettes – produzido por Tatiana Issa e Raphael Alvarez

#ficaadica

See u!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Conga Conga Conga: Pra espantar a irritabilidade aguda!!

 

Ai ai ai…

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Eu poderia começar esse post xingando todos os palavrões existentes, inventados e inimagináveis. Eu estou em um momento de irritação aguda, coisas simples tiram meu raciocínio, qualquer filhote de Pokémon deixa meu dia pior e, juro, nem é TPM. Até porque se eu for começar a chamar isso de TPM eu vou ter que constatar que eu estou de TPM todos os dias que estão antes dos dias da menstruação.

Para vocês entenderem melhor minha situação eu digo: NÃO AGUENTO MAIS RECLAMAR!!!

É isso mesmo… as coisas estão uma merdinha, os dias corridos, nunca consigo fazer o quero, não consigo me divertir o suficiente para rolar um relaxamento, o sono não vai muito bem e vai ter quem me responde dizendo: – Bem Vinda a vida adulta!!!

Que merda é essa??? Alguém me explica?? Pára tudo que eu vou descer!!

Se a boa nova que chega junto com a vida de adulto é só desgraceira eu vou sair correndo até me esgotar e morrer. Porque como já dizia Seu Jorge, porque “eu, puta que pariu, não vou nada bem!”

É difícil não me lembrar que eu me estresso, que eu canso, que eu fico muito travada quando estou cansada. Mas não sobra tempo. Eu não consigo deitar e dormir a tarde quando ainda há algo por fazer. Há algum tempo atrás eu conseguia. Eu deito, viro e reviro. Daí penso, eu tenho que terminar essa porra, é pra hoje!!!

E nisso tudo eu só me dou mal. Sabe porque??? Eu fico com dor de cabeça, não consigo terminar o que tem que terminarfotolia_5505947_XS, viro um bicho comedor e eu nem estou sentindo fome. Agora se é para ficar como fome eu acho que a farmácia de manipulação de matinhos deveria vender cápsula de cannabis sativa.

Porque aí eu tomava esse trem e ficaria de Bôô ôôô ôô aa!!! Talvez eu até conseguisse escrever o que tenho que escrever bem tran-qui-la-men-te!!! E antes de tudo eu ainda iria dançar a conga!!!

Enfim… estarei me descabelando por aqui!! Pois tenho muuuuita coisa para fazer.

Informação inútil: Comprei A mulher de trinta de Balzac, não quero ter surpresas no próximo ano.

30 é a idade do sucesso!! Dedinhos cruzados…

See u! Smiley piscando

“Os mortos são fáceis de encontrar – estão por toda a parte a nossa volta;

a dificuldade está em achar os que estão vivos”. Charles Bukowski

terça-feira, 31 de maio de 2011

Kit Gay? - Sobre a sexualidade do outro.

 

Nessa última semana estamos vivendo um reboliço nas mídias por causa da “travamento” do kit anti-homofobia. Quem me conhece sabe que eu sou super a favor do anti-sexismo, anti-homofobia, anti-racismo e por aí vai e mesmo se eu não fosse super a favor eu seria sensata o suficiente para não ser contra, ficaria quieta no meu canto.

Kit-Anti-Homofobia-MEC

Mas depois de altas reivindicações que recebi no email através de grupos feministas de discussão, de amigos gays e de colegas das ciências sociais eu resolvi dizer o que eu penso sobre o “travamento” do kit. Não estou defendendo o governo e acho mesmo que o “travamento” ocorreu por influência [Vide Pressão] da bancada cristãzinha [com todo respeito] no congresso. Ridículo!! Estado Laico, já!!! Irritado

No entanto, eu acho viável a não liberação do kit anti-homofobia nesse momento histórico que a educação brasileira se encontra.

Por que?

Tá louca?

WTF?

** Acalmem-se!!**

Reclicar professores copy

 

Só penso que esse material iria virar entulho nas escolas, não existe preparação suficiente dentro das escolas para se tratar desse assunto com a seriedade e o respeito necessários. Alunos nas escolas ainda são conformados, diariamente, de acordo com a heteronormatividade [são os padrões que dizem como se deve ser homem e como se deve ser mulher em uma determinada sociedade]. Meninos em idade de ensino infantil ainda não podem brincar com Barbie’s com a mesma tranqüilidade com que brincam com Max Steel’s. Meninos não podem ainda ganhar “cozinhas” de presente no natal. Na escola, na família e em vários espaços instituidores dos valores sociais, mantenedores da ordem social, ainda não se pode ser o homem e a mulher que se quer ser. Ainda não se consegue desvincular o ‘desejo sexual que terei’ da liberdade de utilizar os objetos de nossa realidade de maneira livre. Os determinismos ainda estão aí e NÃO estão em pauta na escola.

Jovens  ainda não sabem lidar com sua sexualidade e, alguns, ainda não podem conversar com seus pais sobre o assunto [principalmente meninas]. Estão transferindo cada vez mais para os professores a função de educar as crianças, mas como fazer isso se estou sob o crivo do pai e da mãe da criança. Se a “coisa” ficar muito esquisita, toc toc toc, visita dos pais à escola.

- Que professora malvada é você!

Como um kit anti-homofobia pode entrar na escola se as crianças e os jovens ainda não sabem que têm autonomia para pensar por si só? Se ninguém explicou e debateu com eles o fato de que a existência deles diz respeito a eles e que a existência do outro diz respeito ao outro; e que pensar assim faz surgir o RESPEITO?

Como eu falo de anti-homofobia se a jovem menina ainda não sabe que beijar na boca não engravida? Como eu falo da sexualidade do outro se eu não sei da minha sexualidade? Acho que as pessoas se esquecem que ao falar de homofobia se fala sobre homossexualidade e que falando de homossexualidade se está falando de sexualidade. E cadê o kit sexualidade?

Eu, como professora que estou, não o recebi ainda.

Por isso, não acho ruim que o kit anti-homofobia fique por lá. Vamos falar de gênero e sexualidade primeiro, do meu gênero, da minha sexualidade. Depois eu falo sobre como lidar com a sexualidade do meu vizinho [absurdo é alguém se achar no direito de discutir a sexualidade do vizinho para saber lidar com ela].

Para mim bastava ensinar uma coisa: R-E-S-P-E-I-T-O!

Eu sei que vai ter milhões de pessoas que discordam de mim… Porém, eu acho lindo que as pessoas discordem. Smiley piscando

See u!!

domingo, 22 de maio de 2011

Como ser uma entusiasta? [Dos problemas mal resolvidos]

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Eu nunca fui do tipo entusiasmada e nem sou do tipo negativista-deprê!! E mais, longe de mim querer insinuar que eu sou um tipo harmônico-Namastê! O lance todo é que eu sou do tipo “executora”. Desculpe-me, mas eu não consigo ser do tipo que acorda pela manhã e dá Bom dia! ao dia, eu já acordo pensando o que eu tenho que fazer, quais são as minhas tarefas.

Vejam bem, eu sou alguém que precisa de Lições de Entusiasmo!

Então vamos lá!

Se você é do tipo que as pessoas conversam, conversam e conversam ao seu lado e no final você diz “hanram!”

Se você não aguenta mais ser chamado de broxante, desestimulante, frio e chato.

Se você não consegue dar pulinhos de alegria quando alguém chega com uma grande notícia.

Se você exercita o sorriso amarelo quando aquela pessoa super inconveniente vem dizendo abobrinha.

Você está cansado de ter que viver assim, preferiria ser um entusiasta????

Então junte-se a mim. Sim, nós podemos ser pessoas mais agradáveis para gregos e troianos. Pois o que importa nesse mundo novo que aceita a diferença é ser agradável com todo mundo. coca-cola

Com esse treinamento você vai parecer muito mais agradável do que qualquer pinup das propagandas americanas da década de 1950.

Sendo um entusiasta em 7 lições

Primeira Lição: Não existe realidade. Isso é uma coisa que você inventou para justificar suas tristezas. O mundo é feito de sonhos! Então sonhe. Acredite sempre no seu potencial e no potencial do outro. Não se esqueça nunca dessa palavra: Potencial.

Segunda Lição: Sorria. As pessoa mais agradáveis do mundo são conhecidas pelo seu sorriso constante. Você sabe quem é Silvio Santos?? O sorriso mais popular do Brasil. Se você sorrir, frouxamente, as pessoas vão lhe amar para todo sempre.

Terceira Lição: Nunca dê opinião sobre as atitudes de outras pessoas. Lembre-se: quando alguém pede a sua opinião na verdade ela está pedindo sua aprovação. Então repita comigo: “Nossa! Que ótima idéia!” ou “Você é incrível! Eu nunca teria pensado nisso!” Finalize a frase com um lindo sorriso e incline a cabeça levemente para um dos lados. Pode parecer babaca agora, mas, confie em mim, vai funcionar.

Quarta Lição: Se você disser algo desagradável peça desculpas imediatamente, diga que está de TPM [se for mulher] ou que foi traído pelo amor da sua vida [se for homem], coloque a mão sobre os olhos, abaixe a cabeça e diga: “Mil perdões!”. É infalível. As pessoas sempre se comovem com a dor das outras. E perdoam facilmente quando estão comovidas.

old peopleQuinta Lição: Essa é uma das mais importantes lições. Pois é o que faz todo o treinamento funcionar de maneira correta. Quando você estiver em situação de diálogo lembre-se sempre que o outro é superior a você, que ele é quem sabe mais, ele é quem pode ter as melhores idéias, o trabalho dele é sempre fantástico. O seu, o seu trabalho é secundário, nunca será tão bom quanto o daquela pessoa estupenda que está na sua frente.

Sexta Lição: Aprenda a controlar as suas reações faciais. Sabe quando alguém chega com aquele expressão super alegre e diz: “Nossa!!! Estou tão feliz, minha cachorrinha pariu seis cachorrinhos saudáveis!” E você faz aquela cara de “Pufff.. E eu com isso, minha filha!” Pois então, segure a onda. Aprenda a controlar e diga com grande alegria: “Que lindo! Eles devem ser uns fofos!” E tudo ficará bem!

Sétima e última Lição: Se você não souber dar saltos de alegria. Aprenda! Os saltinhos são a marca de quem é um entusiasta por natureza. Todo entusiasta que se preze salta.

Bazzinga!

Se você encontrar um entusiasta sincero por aí, dê-lhe parabéns por mim. Admiro muito as pessoas que têm em si a empolgação de um canguru hiperativo.

Contudo, muitas vezes esquecemos que nossas vidas existem em rede.individualismo[1]

Que estamos conectados uns aos outros. Que temos diferenças mil e que talvez o esforço não deva ser só no sentido de conseguir fazer com que o outro se encaixe na norma. Nem sempre quem está dentro do padrão de comportamento socialmente aceitável é quem tem a autoridade para determinar como o outro deve agir. Ser quem se é não deveria ser tão complicado e quando eu vejo pessoas se esforçando em fazer com que outras sejam o seu espelho, ou pior, que sejam o seu refúgio no agradável [confortável] eu fico profundamente irritada.

Não gosto muito que toquem e tentem transformar meu espaço, se você diz que eu tenho que mudar, está aí mais um motivo para eu continuar a ser o que sou. A pirraça faz parte de mim. Agora se você não focaliza, não tenta forjar minhas atitudes de acordo com o que você pensa ser o correto eu vou mudando, me transformando, virando outra coisa. O que me dói, me irrita, me machuca é acatar a imposição alheia à minha vida. Preciso acreditar que sou autônoma, mesmo que não seja. Por isso, não coloque o seu dedo no meu prato de sopa.

Eu acredito que a receita para se viver bem é: respeito ao indivíduo que o outro é.

Respeitar a diversidade não é mudar o bailado de acordo com a música que toca. Respeitar a diversidade é continuar o seu bailado e não impor ao outro o seu bailado. A beleza está no inacabado, no imperfeito, no disforme. Bonito é reinventar o feio. Smiley piscando

See u!

ps.: Foi um devaneio muito pessoal, mas pode ser útil para alguém. Polegar para cima

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Menina bonita também joga lixo no chão!

 

Alguns dias atrás passei por uma situação um pouco constrangedora, só não foi mais por não ter sido diretamente comigo. Eu estava andando pelas ruas da cidade com uma colega de trabalho e ela tirou dois bombons da bolsa, me deu um e abriu o outro para ela. Eu abri o meu, comi o bombom, dobrei o papel e coloquei no bolso [eu tenho o hábito de guardar os lixinhos] elixo_lugar01 ela abriu o dela e jogou no chão, o senhor que vinha logo atrás de nós disse:

- Que coisa feia! Uma moça bonita jogando lixo no chão.

Eu fiquei super vermelha por ela, mas não comentei, porque eu apoiaria o senhor, não tive coragem de falar nada com ela, mas sempre considero essas atitudes muito estúpidas. E não tenho o costume de chamar a atenção das pessoas sobre isso, justamente porque acredito que já há informação o suficiente para que todos parem com essa mania horrorosa.

Ficamos em silêncio e terminamos o caminho, até que cada uma foi para o seu lado. Eu acho que se fosse comigo eu pediria desculpas e recolheria o papel e nunca mais iria ter coragem de fazer novamente.

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Além do lixo no chão, há outra situação: existem pessoas lindas e atléticas que fazem caminhadas junto com seus cachorros e vão deixando a cagada pelo caminho. Quantas vezes eu já tive que desviar do cocô alheio durante a caminhada. Acho isso muito inconveniente, visto que quando vamos caminhar procuramos justamente o local na cidade que tem menos defeitos na calçada e o mais plano possível. Isso tudo para que possamos caminhar tranquilos sem nos preocuparmos se iremos tropeçar ou nos machucar. Mas por causa da falta de educação de muitos a caminhada vira uma caminhada-com-obstáculos, e obstáculos bem nojentos. Cagadanorecolher_thumb10

EU SUPLICO: Pessoas que amam seus bichinhos, não se esqueçam que as vias são públicas e ninguém merece pisar no cocô do seu cachorro. Infelizmente, não podemos obrigar o próprio animal a se educar e recolher sua cáca, nesse sentido, cabe a você – o dono – realizar esse serviço.

Sem contar outras sujeiras que encontramos pela cidade.

mantenha a cidade limpaComo os famosos urinódromos que quase todas as cidades têm.

Alguns homens acham que só porque têm uma torneirinha que podem sair mijando em qualquer lugar e deixando alguns lugares da cidade com aquele fedor insuportável. Quem conhece Belo Horizonte, por exemplo, e já passou nas ruas próximas a rodoviária do centro já pôde desfrutar dessa fragrância peculiar.

Algumas partes do centro do Rio de Janeiro também não fogem a regra.

Aqui onde moro, Montes Claros – MG, também existem esses lugares fedorentos e, normalmente, são os caminhos de pedestre dos viadutos. Terrível.

Por favor, pessoal, existem alguns banheiros públicos por aí, além do mais, acredito que alguns restaurantes ou bares não vão negar que usem o banheiro. Cuidem do cheiro da sua cidade.

E olha que nem vou começar a falar dos rios que viraram e viram esgotos a céu aberto, que deixam a cidade super cheirosa. Smiley nauseado Mas essa parte a gente já sabe que exige uma organização coletiva para cobrar dos governantes uma atitude bacana.

Contudo, eu peço:20f55d8554e054c58c037faac4b57f75

São só alguns pequenos hábitos individuais que devem ser modificados e não vai doer nada.

Hábitos como:

- Levar os lixinhos cotidianos no bolso ou na bolsa até a próxima lixeira.

- Levou os bichinhos para passear, o bichinho usou a calçada como banheiro para número 2, recolha, coloque em uma sacolinha e deposite na lixeira mais próxima.

- Ficou com vontade de aliviar a bexiga, peça socorro no estabelecimento comercial mais próximo. Se o dono achar ruim, explique que é pelo bem da cidade, que você não gostaria de urinar na rua. E seja educado ao usar o banheiro dos outros.

Vamos cuidar da higiene da nossa cidade e assim cuidar da nossa higiene também, pois lixo trás consigo doenças, bichos peçonhentos e outras coisitas.

See u!

sábado, 16 de abril de 2011

Silêncio! Ouço ela vindo.

lotus

Quando eu disser: “Por favor, me deixe sozinha!” Não é o momento correto para você acreditar naquele e-mail idiota que diz que mulheres só dizem isso para pedir que você fique.

Deixe-me só e fique tranqüilo!

Prometo que vou continuar lhe amando, não estou procurando um lugar para me esconder. Nem fugindo de você. Longe e só eu não penso mais em nossas burradas do que quando estamos juntos. Quando quero ficar só é porque preciso de um tempo para ser egoísta, para me livrar dos fantasmas que estão na minha cabeça. E, sinceramente, sua presença constante e impositiva pode se tornar um fantasma.

Eu queria não ter necessidade de ficar só, não queria mesmo.

Sempre achei lindas as historietas encantadas que terminam com “juntos para sempre” ou “felizes para sempre”.

Mas é um equivoco pensar que eu sou uma pretensa princesa. Minhas dores são reais, não acredito na boa senhora que me oferece a maçã [envenenada]. Meus sonhos são estruturais, minha vida é de touro.

Acredite em mim, eu lhe peço!

Eu preciso ficar só.

Lamento por esse pedido com uma dor colossal, mas não há outra maneira de se encontrar se não no silêncio.

O silêncio solitário da noite.

O silêncio que possibilita a escuta.

O silêncio da madrugada habitada por uivos de cães.

O silêncio temido e profundo.

Por favor, me deixe em silêncio, preciso, ferozmente, ouvir as batidas do meu coração.

 

***

“Parem, por favor! Isso dói…” 

[La Maison de Dieu – Renato Russo]

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A Política do Lacaio: sobre pseudo-hierarquia

 

A cada dia que passa eu organizo em minha mente as maneiras políticas de se [con]viver. Quem não conhece a famigerada política do favor, em que tudo gira em torno de um toma lá e dá cá?

Banquete, pratos anunciados com trompetes 900

No entanto, arrisco-me a falar sobre a tal Política Lacaiesca que de acordo com meus devaneios de pessoa singela e pensante trata-se da relação estabelecida entre pessoas, atualmente, através de uma pseudo-hierarquia referente a situação social, digo pseudo pelo fato dessa relação entre essas duas pessoas – amo e lacaio – ocorrer entre pessoas que ocupam os mesmos cargos em  um determinada instituição. Contudo, uma delas vê-se por algum motivo inferior a outra e por isso torna-se seu lacaio. Um tipo de servo fiel, que irá fazer o serviço pesado, tapa os buracos e até leva a culpa pelo o quê não fez.

lambe-botas-imagemPor ser lacaio a pessoa recebe um tipo de proteção daquele que ela julga superior. Uma proteção que não é bem um proteger, mas um o ter voz, já que o lacaio se vê como inferior e incapaz projetar a sua própria voz.

E, muitas vezes, enganasse quem pensa que a política lacaiesca é uma demanda do “inferior”, a demanda é do pretenso amo que não consegue viver sem ter uma lacaio ao seu lado, alguém que ele possa vez ou outra humilhar, colocar em posição inferior, exercer sua pseudo-soberania e voltar para casa feliz.

Lacaio bom é aquele que está sempre disposto a ser a agenda, o faz-tudo, o guarda costas do amo.  O pretenso amo não tem amigos, ele é soberano demais para ser amigo de alguém, ele é o mais inteligente, o mais esperto, aquele que saberia fazer tudo, mas prefere evitar a fadiga – na verdade é alguém muito tapado que não consegue colocar uma linha na agulha e por isso cria essa psedo-hierarquia.

Nesse contexto, o pretenso amo pode escolher uma pessoa e a pessoa, muito inocente, achar que aquela relação é uma amizade e que os favores que fez são frutos dessa amizade, porém, em algum momento, ele poderá perceber que está, na verdade, sendo tratado como lacaio. Durante tal percepção, o pretenso lacaio acaba por assustar o pretenso amo, que bruscamente se afasta e trata de destruir aquela relação atual e qualquer tipo de vínculo futuro. Por exemplo: concordar que seria melhor para a empresa que todos começassem a vir de uniforme, se o ex-pretenso-lacaio concordar com isso o pretenso amo vai discordar, comprar a briga sozinho, se necessário, conseguir uma maneira de fazer o ex-pretenso-lacaio se passar por louco, estúpido, desinteligente.

Por isso, tomem cuidado com essa forma política de [con]viver…

E como já dizia uma tia avó: – “Quem muito abaixa a cabeça, mostra o toba!”  Smiley piscando

See u!