quarta-feira, 14 de abril de 2010

Análise de Gênero por Beyoncè?!

 

Estava aqui estendida no sofá com o laptop no colo trabalhando num material para a próxima aula, respondendo email e com a TV ligada na Multishow, ouvindo algumas músicas do TVZ. Começou um clipe da Beyoncè, coloquei os olhos na TV e comecei a ler a tradução da letra da música e prestar atenção no roteiro do clipe.

Eu estudo gênero há algum tempo e quando eu comecei a estudar gênero as primeiras coisas que li foi sobre “papéis sociais” do gênero, o que é ser homem e o que é ser mulher, aí vem teorias que constroem e outras que destroem muitas coisas que passam pela nossa cabeça.

Nessa música interpretada por Beyoncè – If were a boy, diz que se ela pudesse ser homem por um dia ela exerceria plenamente o estereótipo masculino, faria as mesmas coisas que um homem faria, mas talvez ela saberia entender/cuidar melhor [de] sua amada, já que ela saberia como dói algumas coisas que os homens fazem.

O roteiro do clipe mostra uma inversão desses “papéis”, Beyoncè é um policial descolado, cheio de intimidade com o colega de trabalho do sexo oposto e o ator que faz o personagem de esposo dela é um profissional de escritório que recusa investidas do colega de trabalho do sexo oposto e suporta passivamente a indiferença do parceiro até que algo desperta o ciúmes e explode uma briga que finaliza com a seguinte frase: “Mas eu nem estou dormindo com a garota!”

E a lágrima final no rosto da Beyoncè mostra que não é isso que importa para uma garota. Não é o “nem estou dormindo com a garota”, mas o que ela não se permite fazer para não o desagradar e que ele parece não se importar com o que a incomoda. Parece que o raciocínio masculino [comum] é regido pelo certo ou errado, não pelo sentimento, pela vibração no peito, pelo se preocupar e cuidar do outro, talvez por isso a justificativa final seja “mas eu nem estou dormindo com a garota!”, ou seja, “não estou fazendo nada de errado, não quebrei as regras”. Não quebrou?? Mas aí entra uma marca do estereótipo feminino: cuidar faz parte da regra. E se o outro não cuida, não se preocupa com o sentimento do outro entendesse que houve quebra de regra. E taí o motivo da lágrima, do sofrimento.

Mas a letra da música já diz: 

“Mas você é só um garoto,
Você não entende!”

E nós, mulheres, também não entendemos. Somos só garotas.

domingo, 4 de abril de 2010

Onde está o ato de questionar?

 

Menina de treze anos estuprada por causa de uma pulseira? Quem são os adolescentes de hoje? A mídia aborda há alguns dias o caso da menina de Londrina/PR que foi estuprada por causa da “pulseira do sexo”.

Antes do caso de Londrina eu já havia ouvido falar sobre as pulseiras e achei extremamente idiota a importância que estavam dando aquela situação. E continuo achando uma besteira esse reboliço sobre a pulseira. O problema é a pulseira ou o ato humano? Quer dizer que se em uma casa com cinco pessoas e só uma diabética não poderá haver açúcar e todos terão que seguir a dieta do diabético.

O que é a pulseira do sexo?

A “brincadeira” das pulseiras funciona da seguinte forma: um jovem coloca diversas pulseiras de silicone coloridas no braço e outro jovem tenta arrebentar um dos adereços. Cada cor representa um “carinho”, que vai desde um abraço até a prática de sexo; quem arrebentar receberá a “prenda” do [a] dono [a] da pulseira.hhhA reportagem diz que um grupo de meninos abordou uma menina que não conheciam no ponto de ônibus e arrebentou uma pulseira preta do seu braço e que ela se sentiu “obrigada” a ir junto com eles para pagar a tal “prenda”.  E agora com a denúncia de abuso a prefeitura resolveu proibir as pulseiras para menores de 18 anos.

Eu fico aqui pensando, será que proibir as pulseiras resolve? Será que o problema é a pulseira? O que acontece no cotidiano dessa menina de 13 anos que a faz pensar que tem que se submeter a uma regra só porque ela existe em  um grupo restrito? Cadê a atitude reflexiva dessa menina?

Bem, vocês podem estar pensando por que eu não estou me perguntando sobre a atitude dos meninos, de terem violentado a menina, revezado entre eles o sexo com a menina, etc... Não me pergunto sobre eles porque houve atitude reflexiva entre eles. Pense: talvez eles tenham pensando “vamos testar, se ela cair. Bingo!” e ela “caiu”. E se por acaso eles tivessem pensado outra coisa do tipo: “mesmo se ela não quiser nós vamos levá-la, porque ela tem que obedecer as regras do jogo”. Essa segunda situação legitimaria mais ainda a violência deles. A intenção deles de obterem sexo de qualquer jeito. E talvez não fosse necessário “pulseira do sexo” para isso.

Pergunto-me por que essa menina não se negou, pois nenhuma reportagem que li diz que ela se negou, apenas foi, pois essa era a regra. Talvez ela realmente quisesse sexo, só que não queria de forma violenta. Talvez!

pulseixe

Quando eu era adolescente eu me lembro que se o menino apertasse minha mão e passasse o dedo do meio na palma da minha mão era como se dissesse “vamos fazer sexo?!”. Tudo bem que era um convite, não uma regra. Passou o dedinho tem que ter sexo. Mas quantas vezes meninos engraçadinhos que passaram o dedo na palma da minha mão e levaram tapas dessa mesma mão.

Quem são essas meninas de hoje?? Por que elas não são informadas sobre o direito delas de questionar as coisas? Será que vou ter que começar a acreditar que os pais dessa geração estão falhando?

Ninguém mais diz aos filhos: - “Não fale com estranhos!”?

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