sexta-feira, 26 de março de 2010

Sonhos, blues e morfina.

 

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“Love me tender, love me sweet!”

Eu percebo o tanto que sou romântica quando sonho. Meus sonhos são fantasticamente delicados quando se trata de amor. É uma delicadeza do dia-a-dia. Algo possível de ser vivido, com a suavidade de um blues. Quando tenho esses sonhos com ele acordo com vontade de ouvir Norah Jones. Fico repetindo, repetindo minhas músicas favoritas na voz dela… Uma voz suave e forte.

NorahJones

Ela é um docinho e me acompanhou [e acompanha] em várias manhãs pós-sonhos do tipo blues. Antes sua música funcionava com um analgésico, uma forma de sanar a dor que aqueles sonhos causavam, pois eu já não acreditava que podia vivê-los. Agora eu estou ouvindo a Norah Jones cantar e minha vontade é de ser pateticamente romântica. O amor romântico é patético e eu também sou. Combina?! ;)

Sou insegura e medrosa. Mas, algumas vezes, tenho ímpetos de coragem e nessa hora tento colher toda essa coragem e engarrafá-la para usar nas horas apropriadas. Ou seja, tento manter a motivação da coragem viva em mim. E agora, neste exato momento, é esse amor romântico e patético que está me encorajando. Dando me paz e força.

E quero não ter que procurar, nunca mais, por algo para me acalmar como quem procura desesperadamente por morfina. Enfim, algo dentro de mim me dizia que no outono tudo ficaria bem.

E eu estou fantásticamente feliz…

Mais quatro noites de sonhos e poderei tocar o blues!

[com todos os sentidos que essa frase possa ter.]

quinta-feira, 25 de março de 2010

Assim Disse:




Caio Fernando Abreu


"Ah! Fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suícidios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não conseguirás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro o cheiro preciso dele (...) mas sabes, principalmente, com uma certa misericórdia doce por ti, por todos, que tudo passará um dia, quem sabe tão de repente quanto veio, ou lentamente, não importa. Só não saberás nunca que neste exato momento tens a beleza insuportável da coisa inteiramente viva."



E me encontro re-namorando?!


.. hum ..

terça-feira, 23 de março de 2010

Cinderela Mexicana.



Eu vi todas as novelinhas mexicanas da Thalia que a personagem se chamava Maria. HaHaHahahaAHAha.. Contos de fadas, um ata-desata dos romances, maldades, ganância, simplicidade, pobreza versus riquezas. Um dramalhão só… O conhecido dramalhão mexicano.

Ontem eu conversei com um rapaz mexicano que adicionei no facebook por causa do joguinho FarmVille [sim, eu jogo. blééé.. ] e ele veio conversar com a ‘brasileira’ para aprender a dizer palavras de amor em português para a sua ‘novia’. Eu achei aquilo tão bonitinho… Um rapaz de 20 anos querendo aprender novas formas de dizer que a amada está linda. E eu ensinei: “Você está muito formosa!” So sweet.

Voltando as novelas mexicanas. Lembrei-me delas por haver falando com o rapaz mexicano romântico.

A primeira foi Maria Mercedes. Uma sofredora… Arrimo de família. Aí começamos a conhecer os galãs com nomes duplos, surge o Jorge Luís.

Depois veio Marimar, essa eu já não gostava tanto, talvez por ser novela de praia. Sei lá… e o mocinho não tinha nome duplo. Era só Sergio.


Aí teve a preferida… Maria do Bairro, foram duas fases. Novela que não acabava mais. E o mocinho Luís Fernando fez a Maria sofrer várias vezes durante a novela, separa, volta… choro e vela, ranger de dentes, mas no final um felizes para sempre.

Nessa época Thália começava a despontar como cantora e o hit Amandote estava na cabeça da garotada. Por um longo tempo, Thália usa um biquini rosa [que já era horroroso na época, agora então!] dando início a nova safra de clipes com vadiazinhas rebolativas e semi-nuas. HauhaUAHAuaahuahaua…

Enfim, Thália fez parte da minha vida dos 10 aos 17 anos mais ou menos… Eu me divertia muito.

É só um post nostalgico.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Fórmula do amor.


Eu ligo a tv e vejo um filme, no filme tem um casal e o casal está brigando. Brigam… Brigam… Brigam…

Se ofendem, choram, gritam. Depois se reconciliam no final do filme, apaixonadamente. Fim. Até aí está tudo normal, na realidade tudo é assim mesmo…

O problema é a sensação que a gente tem com o filme acabando com a reconciliação apaixonada. A sensação é de que tudo ficará bem para sempre. É a mesma sensação que temos com os contos de fadas. As princesas passam por perrengues enormes, tristezas, quase-mortes e no fim, zás! O príncipe vem e a rouba do sofrimento e a leva para um lugar seguro, onde é esse lugar? Qualquer lugar, desde que ela esteja junto dele.

Mas e o pós? O que vem depois? Mais brigas? Mais lágrimas? Mais ofensas? Ciclos????

Nãããããããão! SOCORRO!

Odeio ciclos… odeio com toda a minha força. Eles me cansam com uma força tão grande, me fazem ficar fadigada, sugam minha energia. Não que eu seja a pessoa mais dinâmica do mundo inteiro. Só que eu tenho a percepção de quando é que o ciclo voltou ao início. E isso me causa um pavor, um pânico enorme. É como acabar de ver um filme – como Baixio das Bestas, lembra?! - que lhe causou um transtorno para pensá-lo e ser obrigada a assisti-lo imediatamente de novo.

O saber o que vem lá é uma tortura. Só que ver a vida vindo não é mesma coisa do que ver o filme. Eu sei…

Vai que no meio do ciclo da vida acontece da tesoura do destino cortar alguns nós. Ou que o laço da vida, reto e perfeito, resolva se embolar no meio do caminho. É só pela imprevisibilidade da vida que ainda me permito estar em um ciclo. Permito-me ser feliz… alguns instantes talvez, até começar as partes chatas.

E nada me impede de respirar fundo, meditar e pedir ao meu anjinho da guarda que guarde minha mente louca e delirante. Já é!

ps.: Anotar no caderninho: Se tiver uma filha nunca deixá-la assistir filmes com finais felizes de casais e nem ler contos de fadas até que ela complete 18 anos. ;)

domingo, 14 de março de 2010

Lágrimas da Lua

 

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… e repentinamente eu senti o calor em meus lábios.

Eu estava recostada no banco, com a cabeça inclinada para trás, sentindo a brisa suave da manhã no meu rosto e ouvindo o silêncio.

E como se não bastasse a perfeição daquele doce momento ele veio tocar meus lábios.

Em um susto inicial acreditei ter sido transportada para um universo paralelo. E pensando, agora, enquanto escrevo acredito que não foi nada além de um beijo roubado.

O seu calor não tocou parte nenhum do meu rosto, como por magia, aqueceu meus lábios, apenas eles. E vibrou em mim com um amor tão singelo que não pude negar a mim aquele lascivo momento.

Senti seu toque quente atingir meu coração como um corisco. Minhas mãos gelaram, disritmia! Era amor, paixão… Ou seria, nada mais, nada menos do que volúpia.

Esse calor que tocou-me a boca era o sol, o sol do início da manhã que sentiu-se seduzido pela minha tranquilidade de viajante sem pressa e beijou-me a boca sorrateiramente. Surpreendeu-me com uma sensação inteiramente nova. Um gemer estranho e intensamente cruel.

Afinal, sei que aquele momento vai ficar preso naquele tempo e naquele espaço, naqueles segundos de prazer ao me conectar sensualmente com o universo, naquela estrada, na passagem, na travessia: fronteira. Não haverá repetições. Sem bis.

- Não precisa chorar, Lua! Foi apenas um ínfimo instante promíscuo do sol.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Resposta a sua promiscuidade.

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O que me importa, docinho, se você é promíscuo.

Quero sua língua promíscua – agora - na minha nuca.

E não venha me pedir para não me apaixonar.

Vou me apaixonar a cada novo toque.

E você irá ouvir os meus longos suspiros.

 

E meus dedos vão se perder entre os fios de seus cabelos.

Suas mãos vão se perder por baixo de minha saia.

Vou querer você todos os dias.

E não me importa, docinho, se você é promíscuo.

Desde que sua língua esteja na minha nuca.

 

Venha, docinho!

Pare de se justificar.

Esqueça esse papinho de morte.

De tristeza e de melancolia sufocada com sexo.

 

Eu vou fazer você querer viver milhares de dias.

E serão dias promíscuos.

Serão dias deliciosos, como você, docinho!

sábado, 6 de março de 2010

Menina bonita não chora!

 

Lá vem o outono, eu amo essa estação desde pequena. Afinal, nasci no outono. Nessa época do ano eu me sinto mais inspirada. É certo que o nosso outono não é parecido com o outono que começa em setembro no hemisfério norte.

untitled Esse jeito sombrio, esse ar melancólico pode continuar existindo nessa estação por aqui. São as águas de março que vem trazendo o outono e fechando o verão [como já disseram uma vez] e o mês de abril, maio e junho. São dias nublados misturados com dias de sol. Sol e chuva, casamento da viúva! E a vontade de ficar em casa, quieta, vai ficando grande. E com essa quietude vêm as lágrimas. Danadas! Se aproveitam de minha fragilidade para sairem. Tenho tentado lembrar que "menina bonita não chora!”, “êêêÊ! Tá chorando?? Vai ficar feia!”. Quantas vezes não ouvi isso quando era criança. E eu era uma criança muito chorona.

menina_chorando1 Mas hoje minhas lágrimas surgem por outros motivos, podem parecer birra também, ou um tipo de chilique. Afinal, se o motivo do choro é algo que nos causa sofrimento por não poder estar por perto, ou seja, ser nosso, não deixa de ser uma birra. Por que nunca nos acostumados com a perda? Ficamos a vida toda dando birra, chorando por não poder ter o que queriamos à nossa disposição.

Vou pedir um presente para o meu outono desse ano. O desapego. Sim… O desapego das coisas que não podem ser minhas. Isto é, tudo. Talvez eu não vá me desapegar de mim. Se eu não puder me considerar minha, ora essa, lascou!

“E as lágrimas que choro, branca e calma. Ninguém as vê brotar dentro da alma! Ninguém as vê cair dentro de mim!” [Florbela Espanca]

quarta-feira, 3 de março de 2010

Questão de gênero?

amanda Era uma vez, em dias de carnaval no passado próximo [2001, talvez], uma menina que percebe a presença de um menino na sala de palestras. Inquieto, comunicativo, um artista. Tal menina, naquela época, saia do norte de minas e passava os dias de carnaval em BH em uma comunidade missionária católica em um encontro de formação religiosa. Tempo que lá ficou. Pois bem, a menina conheceu o menino e acabaram se encontrando no mundo virtual. Ah! O mundo virtual… aTóóóóóóronnn!

E o papo era irregular, vez ou outra trocavam algumas palavras tímidas, sem intimidade, sem muito de vida. Até que um dia ele resolveu dizer que também gostava de meninos. No princípio achei que era brincadeira, sarcasmo venenoso escorrendo no canto da boca, pois pessoas da capital costumam achar que pessoas do “interior” vão ter um piripaque só de ouvir falar dessas coisas bizarras que são coisas de pessoas modernas da capital. Ou seja, achei que ele estava querendo causar, me chocar. Fiquei na minha, prestando atenção, afinal, eu nunca tive problemas em conceber que pessoas experimentam o sexo de diversas formas. Aqui no interior os meninos costumam fuder animais: égua, vaca, cabra e até cadelas [dependendo do porte]. Eu cresci ouvindo dizer “fulano pegou a cabra de ciclano lá no lote vago da rua tal hoje” e eu pensava “melhor seria se fosse com humanos, mas tudo bem!”. Quando a gente não ouve um caso ou outro de incesto pai-filha.

Voltando a revelação: Fui percebendo que não era brincadeira e que deveria estar sendo um pouco constrangedor para ele me confidenciar isso, afinal ele me conheceu sendo uma menina católica praticante e do interior. Se ele resolveu falar sobre isso comigo era porque de algum modo lhe inspirei confiança e fiquei lisonjeada por isso.

Tão logo ele me adicionou no msn dela, o seu outro eu, a Amanda Maruan [Que agora tem um blog!]. E desde então é mais comum eu conversar com a Amanda do que com aquele menino. A Amanda é uma mulher safadinha cheia de atitude. E a primeira vez que entrei no msn e dei de cara com a frase: “Ser mulher não é só uma questão de gênero, mas de espírito”, eu pensei em quanta vontade há nessa frase, quanto desejo, quantas dúvidas e, talvez, receios.

O desejo de ser mulher e com isso ser tudo que esse signo pode inspirar. As dúvidas que rondam essa vida que são duas discaradamente. O receio de escolher e através da escolha entristecer pessoas que ama.

Eu, que nasci com vagina, posso me levantar para ir trabalhar e passar um lápis no olho e um batom na boca. Mas ela, que tem a mesma vontade, não pode. Só porque nasceu com pênis. Tem que se montar como homenzinho todos os dias. É… isso mesmo! Essa mulher tem que se entitular uma Crossdressing, um homem que se veste com roupas de mulher quando as circunstâncias permitem. Mas para mim é uma mulher que tem que se vestir de homem ordinariamente. Pois quando ela está vestida de mulher é quando ela se sente a vontade, então, por que dizer que ela se montou de mulher?? Ela se vestiu. Apenas… Ela se monta quando tem que escolher roupas que indiquem que ela é um homem heterossexual, para assim poder ir trabalhar.

Questão de espírito! Somos limitados demais para entender o espírito alheio, posso tentar entender o que vejo, fisicamente, mas nunca vou entender o que ela sente, o que realmente pensa, o que a leva a agir assim. O que rege seu mundinho particular. Mas tenho certeza que terei o privilégio de acompanhar várias mudanças na vida da Amanda… E não será no Diário de Mulherzinha que você poderá ler sobre essas mudanças, será talvez em um livro que nos falará sobre uma antropologia da volúpia [usando o termo criado pela Melzinha]. HiHiHiHiHiHiHi…

Simboraaaaaaaaaa, Amanda… causar demais! Porque você sabe intimamente que eu atóóóóronnnn saber dos babados. =D

[Uma homenagem simples, porém singela.]

terça-feira, 2 de março de 2010

Paixafobia.

 

fantasia_sexual_5“ Era disso que eu tinha medo, do que não ficava para sempre.” [Antonio Bivar]

Bateu uma saudade, uma saudade do que não existe. E bateu um medo também, medo de me apaixonar e ao mesmo tempo medo de perder a capacidade de me apaixonar. Paradoxal, não? Mas, no fim, o medo de perder a capacidade de me apaixonar é maior do que o medo de me apaixonar. Como alguém pode viver sem sentir vez ou outra borboletas no estômago? Acho que há alguns dias vomitei a última borboleta que vivia no meu estômago. Deve ser por isso que muitas pessoas afogam suas mágoas amorosas com álcool, uma tentativa desesperada de matar tais borboletas e vomitá-las. Expulsá-las do estômago sem que elas possam ter alternativa.

Paixão dói quando começa… Pois a gente fica naquela apreensão se vai ou não conseguir respirar o hálito do [a] culpado [a] pelas borboletas, se será possível sentir o gosto da saliva, se os pêlos do corpo vão se trançar. E depois a paixão dói quando acaba… Dói uma dor, assim, redundante. Uma dor que comprime o coração com uma força sufocante, seca a garganta e acaba. E lá se vão momentos de intimidade absurdos, trocas de fluídos: suor, saliva…  E quando acaba. Que bizarro! Você terá que voltar a ter pudor com alguém que já lhe viu das maneiras mais inusitadas. Quando se encontrarem na rua será beijinho no rosto, tapinha nas costas e um singelo “como você está?”, mas você também nem quer saber como está de verdade, como um dia quis saber. Antes queria saber de tudo, cada detalhe… Cada nova conquista. Agora, um “estou bem” já basta. E você atravessa a rua e continua…

A única coisa escrota da não existência do “… e viveram felizes para sempre!” é que eu não posso voltar a ficar nua na frente dele, naturalmente, como antes ficava. Não poderei mais dividir uma cama com ele e dormir de verdade, sem sexo, só carinho, como muitas vezes foi. Não poderei nunca mais espremer cravos em sua testa. E terei que fazer de conta que não conheço cada detalhe do seu corpo… Não poderei nunca mais manifestar em uma mesa que sei que ele tem uma mancha ou uma pinta ou uma cicatriz assim assado em tal lugar. Principalmente se esse lugar for um lugar “oculto”.

Aí vem uma nova paixão… E com ela o despir. Os detalhes do corpo do outro sendo conhecidos, as marcas corporais, as belezas e as feiuras. E o despir… a leitura da alma, a exposição dos segredos mais íntimos, as marcas da existência, as qualidades e os defeitos. E o coração vai… vai… vai…

Mas a mente, bem lá no fundo, sabe que há a possibilidade do fim.

Estou com medo! E com uma leve saudade do medo inicial de me entregar quando as borboletas já estão a bagunçar meu estômago.