quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

“Flores de Plástico não morrem”.

 

caovadio11022004

A necessidade de ter alguém que seja seu que seja igualzinho a você é de plástico.

Sabe, coisas de plástico passam uma idéia de perfeição. A artificialidade é perfeição.

Tudo isso me faz lembrar uma historiazinha que vivi com minha sobrinha – que hoje tem 15 anos – quando ela tinha por volta de 8 acerolaanos de idade. No quintal de casa tinha um pé de acerola e ela amava chupar acerola [mesmo as azedas] e eu encontrei uma linda, grande, vermelha e brilhante: perfeita.

Colhi e levei de presente para ela. E ela disse: – Essa parece de plástico, tia Cá.

E foi uma viagem. Porque a perfeição se assemelha ao estado inânime do plástico? Porque a beleza plena não pode ser vida plena com suas imperfeições?

Viajei bastante no dia e me lembrei agora. img

E vejo muitos casais ou pessoas por aí viajando na artificialidade da perfeição de plástico. A busca por alguém que seja exatamente igual a você, a buscar por pessoas que pensam igual a você, que se guie pelo mesmo sistema moral, que se empolgue com as mesmas coisas, que fique triste na mesma intensidade, isso tudo é plástico.

Plástico que não tem vida e por isso não morre. Há quem diga que o saco plástico que você pega no supermercado e depois joga no lixo – se não for reciclado – ficará na natureza por pelo menos 450 anos. comparando a média de vida humana isso é uma eternidade. Nesse sentido eu até posso dizer que a artificialidade do plástico é eterna.

Vida de plástico não existe. Mas muitas pessoas preferem não existir a ter que enfrentar as imperfeições, os dramas, as diferenças que surgem na convivência de carne, não de plástico.

media-35183-127993A vida de plástico poupa trabalho:

Flores de plástico não precisam ser trocadas;

Sacolas, copos, pratos de plástico não precisam ser lavados.

Eu vejo uma relação de descarte fácil entre os homens e o plástico. Não nos apegamos muito a coisas de plástico. Então porque nos apegaríamos à relações de plástico?

Eu não sei quão confortável pode ser enfeitar uma casa com flores de plástico, mas na minha casa eu quero um jardim e flores que morrem.

=D

See u!

2 comentários:

  1. Cassi

    Adorei esse post. Me fez pensar em um monte de coisas aqui...

    Também tenho essa impressão quando vejo modelos de revista ou filmes pornô... coisas/pessoas de plástico. Onde está o real?

    Aceitar a imperfeição parece uma tarefa cada vez mais difícil, nessa nossa sociedade que cobra perfeição a cada instante.

    Beijos, linda
    Deb.

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  2. Que bom que gostou, Deb.

    Pensamentos borbulhando sempre!

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