sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Paradigma educacional, pra quê te quero?

 

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Eu tenho sido professora no ensino médio de rede particular de ensino e, por isso, também estou convivendo com professores do ensino fundamental.

[Ah! Já fui solicitada a realizar uma “aula show”.  Smiley surpreso Que porra é essa?? Eu lá sou artista?]

 

Ouvi essa semana um papinho nos bastidores de um aluno com uma colega de trabalho, o jovem estava no pátio da escola e essa colega estava encaminhando-o de volta a sala de aula. Ao recusar o retorno ela tentou o argumento de que ele precisava estudar, pois “lá vem o vestibular!” e ele simplesmente disse que não precisa estudar, pois um amigo era trocentos mil anos repetente, sempre foi o baguceiro na escola e que havia terminado o ensino médio a trancos e barrancos, mas isso não o impediu de fazer faculdade, ele havia passado no processo seletivo de uma faculdade particular, em um curso de engenharia não-sei-o-quê.

Além desses jovens nascidos na década de 90 terem esse tipo de pensamento sobre a vida educacional, há mais o que se dizer sobre as repercussões acerca das alterações nos paradigmas educacionais. Os pais desses jovens não aceitam o fracasso do filho ou a preguiça, ou o não interesse dos filhos. E nesse sentido toda “falha” do filho torna-se culpa dos professores.

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Os pais e os alunos esqueceram-se que o professor está lá como um livro aberto, mas o conhecimento do livro não entra na sua cabeça só pelo fato de ele estar diante de você aberto. Você precisa ler, raciocinar, indagar sobre coisas que estão ali e você não entende, buscar o significado de alguma palavra que você não conhece. e34e1f75

Esqueceram que avaliação é confeccionada pelo professor, mas ela não vem com as respostas, são os alunos que têm que solucionar as questões daquela avaliação. No entanto, agora, o processo avaliativo do aluno quando demonstra que o aluno está se saindo mal torna-se um processo de avaliação sobre a competência do professor.

Talvez a geração que nasceu na década de 80 e se tornaram professores também estejam passando por um dilema acerca da postura profissional. A tal alternância do paradigma educacional: do conservador ao inovador. Acredito que parte de nós tenhamos sentido falta da proximidade dos professores conosco e queiramos proporcionar isso aos alunos, mas quando nos aproximamos não conseguimos manter constante a postura de “mestre” da classe.

A hora do intervalo ou a hora de distração durante a aula se confunde constantemente com uma postura de relaxamento do ensino. A busca por estereótipos comportamentais fechados são constantes e cansativa, para mim.

Eu me preocupo com essa geração não só como professora, mas como indivíduo nessa sociedade. Onde estão os heróis dessa geração?? Os meus morreram de overdose ou melancolia. E venho buscando outros… 

Essa semana eu ouvi: “O que sei do cazuza é que ele era viado e drogado!”

E quem será Renato Russo? Quem será Cássia Eller? Quem será Restart? Quem será Florbela Espanca? Quem será Clarice Lispector? Quem será Luan Santana?

No Programa do Jô eu ouvi o garoto com cara de desenho animado mal traçado do Restart dizer: “É muito difícil fazer Rock no Brasil hoje!” Deve ser mesmo… Muito! Pois não vejo nada que me surpreenda, nenhuma postura rock’n’roll na mídia hoje.

Enfim, para que paradigmas educacionais, para quê?

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