terça-feira, 16 de novembro de 2010

Acordar para a vida: Sobre flores e escolhas.

 

Vi um filme:

“Quanto mais você fala sobre uma pessoa como uma construção social ou como uma confluência de forças ou como sendo fragmentada ou marginalizada, o que você faz é abrir um novo mundo inteiro de desculpas. E quando Sartre fala de responsabilidade, ele não está falando de algo abstrato. Ele não está falando sobre o tipo de “eu” ou “almas” que os teólogos falam. Ele está falando de você e eu, conversando, fazendo decisões, fazendo coisas, e recebendo as consequências. […] Resumindo, eu penso que a mensagem aqui é que nós nunca deveríamos nos subestimar ou nos vermos como vítimas de várias forças. A decisão por sermos quem somos é sempre nossa.“

wakinglife2

Wanking Life é o seu nome. Esse aí é um trecho do filme, para falar a verdade é o único trecho do filme que eu prestei verdadeiramente atenção, no mais eu me perdi na arte do filme, que é o que há de melhor nele. Pesquei outras palavras. O resto foi blá-blá-blá típico de quem está sonhando com coisas desconectadas e interrogativas que esperam a noite para explodir.

O filme todo é uma indagação filosófica, sem fim…

Só que não quero falar apenas sobre o filme, quero falar da responsabilidade sobre si mesmo. Não há responsabilidade maior; justificar as ações que você tem em relação ao outro, ao externo é simples. As motivações podem ser inúmeras: moral, emoção, preguiça, egoísmo e etc. A motivação em relação ao outro pode ser, também, justificada com uma mentira. Agora responder por suas atitudes para consigo mesmo pode ser uma ciranda sem fim. Justificar escolhas difíceis, sentir as consequências baterem no peito e dizer: “E daí? É isso é ponto final!”

Ah! Tem mais…

É possível justificar as suas escolhas sobre sua própria vida, seu próprio caminho com mentiras. Mentiras que vamos criando, mentiras que dizem que somos frutos do meio, ou que o que somos foi construído socialmente, que “filho de peixe, peixinho é”, vamos criando desculpas para nossa morbidez, para as escolhas que não nos agradaram quando chegaram as consequências. Vamos dizendo para nós mesmos que a culpa por aquela escolha não é nossa. Eu culpo minha mãe que não eremissao_penascolheu a vida adequada para eu viver, eu culpo o meu professor que não ensinou direito o conteúdo, eu culpo… Culpo. E outros me culpam também, vamos assim vivendo uma vida de remissão. Um velar das más escolhas. Um enterro que não acontece.

Todos os dias tentamos nos desculpar. Tentamos nos soltar das nossas culpas, pois não soubemos ser sábios o suficiente para escolher o caminho certo. Por não fazer a pergunta certa e assim ter encontrado a resposta rapidamente.

Essa prisão em que nos colocamos faz com que encontremos sempre mais e mais des-culpas para os nossos atos ou não atos. Tudo isso cria em nós um tipo de vida-ilusão. Uma vida em que o que nos guia é a ilusão de que não temos maneiras de modificar o que acontece conosco e a partir daí começamos com os “porquês”, criamos perguntas e acreditamos que quando encontrarmos as respostas estaremos livres. O problemas é quando elaboramos mal as perguntas.

Livrar-se das perguntas erradas pode levar anos, talvez seja necessário encontrar a resposta certa através desse caminho errado para depois perceber por quanto tempo você fez a pergunta incorreta. Nem sempre as perguntas nos ajudam a entender as coisas, o que nos faz entender as coisas é escolher a maneira certa de responder.

Ih! Achei que o filme não era tão bom, mas os dilemas pós-modernos-hippies & filosóficos-existenciais do filme me fizeram encontrar uma resposta estranha à uma pergunta errada antiga.

Talvez você demore muito a encontrar as respostas, mas uma hora ela vem. Smiley sarcástico

Um brinde as respostas certas às perguntas erradas!

5 comentários:

  1. Gosto do que escreve, sinto este dilema me atordoar de vez em quando. Acho que escrevi sobre isto num post, mas não me recordo o titulo. É sobre pegar fogo em nosso circo, nós somos os palhaços e temos sempre que apresentar um espetáculo que agrade o publico... deixei meu circo pegar fogo, já não aguentava mais remendar a lona, apresentar um espetáculo monótono. E sentimos uma dor infinita ao tomarmos consciencia de nós mesmos.

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  2. Obrigada, Omar!
    Essa dor existe, existe principalmente quando tomamos consciência de que somos nós que cuidamos do nosso destino.

    Mas essa dor sossega, às vezes!
    Beijo,

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  3. Cassi

    É... somos nós os responsáveis pelo nosso destino. Escolha a escolha. Até mesmo o catolicismo aborda isso, com a questão do livre-arbítrio.

    Acho que sempre estamos sujeitos a fazer escolhas erradas. Acontece. Então acredito que o fundamental mesmo é que, certas ou erradas, elas sejam escolhas CONSCIENTES.

    Beijos,
    Deb.

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  4. Haja peito para segurar as conseqüências.
    Flores e escolhas me fazem tão bem! ;)

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