sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O Falo e o Carro: das irritações.

Sinceramente, não tem coisa que me irrite mais do que essa relação do homem com o carro. Ou mais especificamente, com o som do carro.

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O diabo do homem compra um carro e entope o porta-malas de auto-falantes e liga um funk, ou um pagode, um axé, um sertanejo bem fuleiro e dá-lhe rua.

- Owww! Desgraça, você vai ficar surdo!!

- heimmmmm??

Não há nada que você diga que convença a misera a abaixar o som e sair por aí disparando alarmes dos outros carros, vibrando as janelas das casas, um terremoto ambulante e é bem isso que ele quer ser.

- Venham e vejam como eu sou um ciborgue bem potente.

Donna Haraway que me perdoe, mas que tipo de ciborgagem mais filha-da-puta! O carro como extensão do próprio homem, pode ser visto sim como uma aprimoramento das suas capacidades de deslocamento e velocidade, mas daí conferir a essa extensão um aspecto de aprimoramento do desejo. Uh! Tenso demais.

Tenso porque eu não sou obrigada mesmo a ter que conviver com toda essa barulheira, ainda mais sendo barulho de má qualidade, porque não tem um sujeito desses que ouça uma música interessante [que vai virar barulho do mesmo jeito]. Eu já disse que eu sou uma velhinha quando se trata de barulho, já passei da fase de ouvir a música gritando em meu ouvido. carros-saiba-como-economizar-combustivel-cidade-08-180x135-br

E deixa eu contar um segredinho para vocês, homenzinhos que gostam de som para carros, eu e mais zilhões de mulheres não sentimos tesão em barulho. NÃO MESMO!

E tem mais, a extensão masculina do “deseje-me” pode ser vinculada a marcha do carro também.

A marcha permite que você desenvolva o veículo, se você precisa de mais velocidade você muda a marcha e Tchanam! olha você metendo bronca. Pois bem, quem de vós, mulherzinhas, sentadas no banco da frente ao lado do motorista, nunca sentiu uma cutucada nas pernas na hora que o cara está passando a marcha. Quantas vezes eu vi a mão espalmada na marcha. Hoje eu ainda as vejo quando preciso sentar no banco ao lado do motorista em viagens a trabalho. Minha vontade é dizer logo: – “Quer pegar na coxa? Pega logo, capeta! Talvez assim nas próximas viagens eu não tenha que ficar levando cutucadas”.

Tá certo que eu tenho muita coxa e que é quase inevitável que rocem em mim quando vão mais adiante com a marcha, mas mãozinha aberta para passar a marcha? Não tem justificativa senão dar uma cutucada. De verdade, cutucadas com a mão espalmada só colam quando a gente é menina-moça de uns 15 anos e apaixonadas, aí qualquer encostadinha faz surgir um suspiro e estampa um sorriso no rosto. Mas com mulher, brega demais.

É só porque eu precisava dizer que eu fico irritada, levemente irritada, porque eu estou exercitando a leveza. =p

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. ahhahah... essa da passada de marcha é ridícula mesmo. Coisa de adolescente - de todas as idades... porque tem homem que se comporta como adolescente vida afora...

    E o som de carro nas alturas... cara, também me irrito demais com isso. É de uma breguice sem-fim. Isso sem falar no desrespeito e no nível de egocentrismo exacerbados desses caras, que acham que todo mundo tem de ouvir o que eles querem. O fim da picada.

    Beijos,
    Deb.

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