segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Conto nº 4 - Do desejo assexuado

sofá velho2

Hoje é dia de diversão, por enquanto estou aqui sozinho, mais um pouco ela chega, estou um pouco ansioso. Estou cansado, solitário, precisando de dedos femininos entre os fios de meus cabelos.

Ela é linda, sabe! Do tipo boa. Muito boa. Ela vem com outros amigos, não tive coragem de convidá-la sozinha.

A campanhia toca, abro a porta e lá estão eles. Ela vem com aquele sorriso largo, que lindo sorriso largo. Um abraço e eu já posso sentir o tanto que ela gosta de se doar, doa sorrisos, doa decote, doa formosura.

- Caralho! Como não desejar essa mulher.

Risos no sofá, amizade de anos e tudo que eu posso ser é um amigo. Sentei-me do lado dela com o violão, canto olhando em seus olhos e ela não desvia o olhar. Parece aceitar que canto para ela. Eu sinto-me mergulhar naqueles olhos. Fim da cantoria. E eu deito em seu colo, ela coloca seus dedos entre os fios de meu cabelo.

Eu precisava apenas que ela dormisse comigo, ao meu lado, sem sexo, sem saliva, só fios de cabelo e dedos.

Desejei. Desejei que ela aceitasse dormir comigo e que acreditasse que não se tratava de um convite para sexo. O que eu queria era mais profundo, mais intenso, mas explosivo do que qualquer coisa que poderia existir em uma noite de sexo sem amor, eu queria sua alma a me esquentar. Eu queria seu coração em sintonia com o meu, eu queria dormir protegido pelo seu carinho.

Enquanto ela acariciava meus cabelos eu pude imaginar nosso acordar no outro dia, como seria aconchegante acordar e ver aqueles olhos cuidadosos, como seria bom tê-la perto de mim.

Quis cantar uma última música, um convite cantado para ela e eu disse olhando em seus olhos “Vem meu amor, vem para mim, me abraça devagar, me beija e me faz esquecer”. Seus olhos disseram de algum modo “SIM!”

E continuou o cafuné. Até que é chegada a hora de partir, ela se foi, deixou um beijo no meu rosto, um abraço aconchegante e em meu rosto uma expressão de “bem que se quis”.

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Só um esclarecimento sobre esses textinhos meus que eu chamo de “conto nº **”, eles sempre estão na primeira pessoa e o eu é masculino. Eu gosto de escrever esses textos/confidências com a voz masculina e com sentimentos sensíveis. Só para fragilizar o masculino e normalmente é inspirado em algum momento que eu vi de fato acontecer. Mas com um quê de delírio meu, visto que estou imaginando o que poderia estar passando na cabeça do ser masculino da cena. Meio ficção, meio real.

=D

2 comentários:

  1. :-( Fiquei com peninha do moço. Mulher má essa que não ficou.
    E lá se vai o último romântico...

    Beijos!
    Deb.

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  2. Interessante! A este tipo de homem, costumam as mulheres chamar de frouxos...

    nota: foi pirraça sim

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