terça-feira, 17 de agosto de 2010

O Usurpador: Sobre o Menino-Homem.

Ah! Temos um traidor neste lugar,
Um rebelde estranhamente audacioso,
Um sujeitinho gago, risonho e de passos hesitantes
Que não tem mais que quatro anos de idade.

E lembrar que eu que governei sozinho
E orgulhoso no passado
Tenho que deixar meu trono
Para meu próprio filho, enfim!

Ele anda daqui para ali, traidor,
Como só os bebes sabem ser
E diz que quando for um "homem bem grande"
Vai ser a beleza da mamãe ... !

Garoto mesquinho! Você teve sempre
Um pouco do coração dela,
Será que deixou para seu pobre papai
O menor cantinho?

A mamãe, tristemente, vejo,
Inclina-se por sua parte
Como se uma dupla monarquia
Devesse governar seus sentimentos.

Mas quando os anos da juventude vierem
O barbado esquecerá, aposto,
Que um dia prometeu
Ser o tesouro da mamãe.

Renuncie à traição, filhinho.
Deixe para mim o coração da mamãe
Pois alguém há de haver no futuro
Exigindo a sua lealdade.

E quando ela chegar até você
Deus mandará um amor que brilhará
Por toda a vida - belo e verdadeiro
Como brilha hoje o meu por sua mãe!

FIELD, Eugene, "To a Usurper", 1904. (Poema traduzido para o livro "Macho e Fêmea" de Margaret Mead, 1971. P. 96 - 97)

Estou aqui estudando minha antropologia e deparo com esse poema, esse poema para falar um pouco sobre o complexo de édipo, que não se aplica em todas as sociedades. Mead (1971) diz nesse livro que estou lendo que talvez o complexo de édipo se aplique em nossa sociedade porque a mulher de nossa sociedade busca no filho homem suprir carências afetivas que o seu homem não supre. Eu gostei dessa hipótese...

Penso que seja real que quem cria a dependência e a disputa entre os homens é a própria mulher/mãe. Se não ocorre a fomentação da disputa não ocorre o complexo de édipo. Muito coerente.








Um brinde a Margaret Mead.


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