sábado, 14 de agosto de 2010

Inventando uma nova classe média.



Sabe aquela família do comercial de margarina? Pois então, aquela família é da classe média. Todos parecem ter um plano de saúde fabuloso, seus dentes são lindos e brancos, sua aparência muito saudável e olhem! Eles são todos brancos. Essa é uma família feliz da classe média.
Quer dizer então que black people não é classe média? Sim, é. E também podem ser igualmente felizes como uma linda família de comercial de margarina.
O que está por trás dessa imagem feliz de família é o que me preocupa, ser classe média nos leva a querer padronizar as coisas, as roupas, o modo de pensar e agir das pessoas, padronizar os sorrisos – que é o pior.

A classe média é, as vezes, o topo mais alto do alpinismo social praticado por alguns. Chegar a classe média e quem saber dizer: “Sou classe média alta”, é como dizer “Está vendo, sou quase rico”. E nesse mundinho capitalista e blasé ser quase rico é tudo que uma família feliz acha que pode desejar ser.
Daí vem um outro tipo de gente da classe média, são aqueles que não estão nesse alpinismo social para chegar a ser quase-rico ou rico, mas que também não querem se abster dos luxos que o “ser classe média” possibilita. Tem um certo tipo de preguiça revolucionária, mas na verdade, no fundo do coração, torcem para que o mundo seja melhor. Essa galera é a parte da classe média que está indignada com a atual situação da sociedade, que está estudando, são os intelectuais do nosso tempo. Dentro do seu mundinho confortável eles pensam e repensam sobre como a sua sociedade pode melhorar, mas na realidade quando ficam diante da real pobreza estão apenas fazendo um tipo de programa educativo que poderia ter o seguinte slogan: “Caravana Pés no Chão, aqui você verá coisas que você nunca imaginou que existia a dois quarteirões da sua casa”. E assim começa o safari. Voltamos (porque eu me incluo dentro dessa parcela da classe média) para casa com lágrimas nos olhos, entristecidos e indignados, mas o quê fazemos? Vamos para o boteco com um punhado de amigos falar das mazelas sociais e pensar em soluções. 
Bem… convivendo com uma norte-americana que fala português nesses últimos dias aprendi um termo – que surgiu de um erro dela ao usar a língua portuguesa – que exprime a categoria em que essa parcela da classe média se encontra, somos então da meia-classe ou como eu apelidei, depois das gargalhadas e das reflexões de alguns membros do grupo sobre o erro acertado, a classe do meio. Aqueles que tem uma simpatia pelas causas populares, pelo ter que fazer algo, mas não querem sair do seu conforto para fazer algo, precisam manter seu padrão de meia-classe e por isso não têm tempo para luta de classes. Enfim, estão em cima do muro. Não trepam e nem saem de cima. Não cagam e nem saem da moita. E esse é um tipo de posição muito mediocre.
Marx que me perdoe, mas ainda estamos super longe do “proletários de todo o mundo, uni-vos!”.

Um comentário:

  1. Já estive entre os proletários e a união é facilmente trocada por um prato de sopa quente.
    Mas, se há confronto, será apenas entre quem tem muito e quem não tem nada ou como dizia-se a muito tempo: Burguesia x Proletariado.

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