terça-feira, 3 de agosto de 2010

Conto nº 1 - Expectativa de Quase-fim de Festa

Em meio a uma brincadeira ligaram para ela. - “Vou chamá-la para cá”, disse alguém. Eu não criei muitas expectativas, mas algo a mais na noite melhora a diversão.

Ela disse que viria, mas passaram-se quase duas horas e ela não chegou. Fiz bem em não criar expectativas. - “Vou ligar de novo”, alguém disse. E lá foram buscá-la . Ela chegou. Será que devo criar expectativas?
Ela não tem uma beleza estonteante, mas tem sua beleza. Já chegou sorrindo. Brincando e até gargalhando, parece aberta a diversão.

De repente ficamos alguns momentos a sós. Amenidades, monossílabas, um sorriso e fim ao enfim sós. Parece que ela não se sentiu muito a vontade ao ficar sozinha comigo. A vi dar um sinal para a amiga que ficasse por ali.

Vou encher meu copo. Afinal beber é mais fácil do que flertar. Bebidas, música, risadas, brincadeiras, armaram o cerco e lá estávamos a sós novamente. Dessa vez ela me pareceu mais constrangida ainda. Parecia não saber o que fazer e eu também não queria fazer muita coisa. Ela resolveu tocar meu rosto e direcionar meu caminho com um só dedo. O caminho me levou até sua boca e nos beijamos, beijamos e beijamos. Em silêncio até os primeiros sons de brincadeiras dos amigos que entraram pela janela. Sorrimos dentro da boca um do outro. E nos beijamos mais. Seus dedos entre os fios de meu cabelo. Carinho entre quase-estranhos. E ela continuava disposta a gargalhadas com a mesma intensidade que continuava disposta a ficar perto de mim. Ela tinha algo no olhar que não sei dizer o que era. Talvez um descontentamento. Talvez uma expectativa.

Vodca é bom, mas eu já estava indo para o mundo inconsciente dos ébrios. E logo eu estava deitado como uma criança no colo de sua mãe. Há silêncio... Quebrado vez ou outra por uma gargalhada. Pedi que ela se deitasse também. Faz de conta que já nos conhecemos a mil anos.

Um comentário:

  1. Se mostrasse esse conto para uma professora minha, de portugues, ela diria que: "esta se segurando e fugindo, entregando se ao deus Baco." Talvez ela tenha razão; nos avançamos apenas até onde nos sentimos seguros, depois damos um jeito de sair pela tangente. Também já fiz isto.

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