quarta-feira, 26 de maio de 2010

Delicado Furor

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Eu gosto de correr suaves perigos, aqueles muito intensos me deixam tão confortável quanto uma dor de barriga antes da prova.

Eu gosto é de sentir o gosto do implorar por mais, eu gosto do friozinho na barriga que tem fim. Não gosto de me sentir presa à vida através dos meus ombros e de meu pescoço, gosto de ter os ombros soltos, o pescoço móvel para olhar livremente para todos os lados.

Eu gosto é da insinuação, gosto do que parece que vai acontecer, do que parece que vai ser exposto, gosto da sedução, do sentir vontade, do ficar curiosa. Gosto de desvendar segredos, gosto daquilo que não conheço, mas que tive vontade de conhecer. Gosto do mistério, da noite, do que se revela no escuro.

E não ouso dizer que isso não seja gostar de intensidade. Gosto de um tipo de intensidade que me deixa solta… Nua… Trêmula… Arrepiada!

Quero querer um pouco mais, mas que ninguém venha me oferecer tudo em uma bandeja. Gosto de desejar, de ansiar pela posse, gosto de salivar antes de sentir o sabor.

Gosto de sentir meus pêlos se arrepiarem a espera do toque. O arrepio é o esticar dos pêlos tentando alcançar o que deseja. Gosto de sentir essa expectativa positiva. E gosto de não frustrá-la.

Gosto da delicadeza que o risco possa oferecer.

Um comentário:

  1. Concordo plenamente com o que diz. Nada mais broxante que ter que dirigir o ato, como se fosse uma comédia.

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