terça-feira, 2 de março de 2010

Paixafobia.

 

fantasia_sexual_5“ Era disso que eu tinha medo, do que não ficava para sempre.” [Antonio Bivar]

Bateu uma saudade, uma saudade do que não existe. E bateu um medo também, medo de me apaixonar e ao mesmo tempo medo de perder a capacidade de me apaixonar. Paradoxal, não? Mas, no fim, o medo de perder a capacidade de me apaixonar é maior do que o medo de me apaixonar. Como alguém pode viver sem sentir vez ou outra borboletas no estômago? Acho que há alguns dias vomitei a última borboleta que vivia no meu estômago. Deve ser por isso que muitas pessoas afogam suas mágoas amorosas com álcool, uma tentativa desesperada de matar tais borboletas e vomitá-las. Expulsá-las do estômago sem que elas possam ter alternativa.

Paixão dói quando começa… Pois a gente fica naquela apreensão se vai ou não conseguir respirar o hálito do [a] culpado [a] pelas borboletas, se será possível sentir o gosto da saliva, se os pêlos do corpo vão se trançar. E depois a paixão dói quando acaba… Dói uma dor, assim, redundante. Uma dor que comprime o coração com uma força sufocante, seca a garganta e acaba. E lá se vão momentos de intimidade absurdos, trocas de fluídos: suor, saliva…  E quando acaba. Que bizarro! Você terá que voltar a ter pudor com alguém que já lhe viu das maneiras mais inusitadas. Quando se encontrarem na rua será beijinho no rosto, tapinha nas costas e um singelo “como você está?”, mas você também nem quer saber como está de verdade, como um dia quis saber. Antes queria saber de tudo, cada detalhe… Cada nova conquista. Agora, um “estou bem” já basta. E você atravessa a rua e continua…

A única coisa escrota da não existência do “… e viveram felizes para sempre!” é que eu não posso voltar a ficar nua na frente dele, naturalmente, como antes ficava. Não poderei mais dividir uma cama com ele e dormir de verdade, sem sexo, só carinho, como muitas vezes foi. Não poderei nunca mais espremer cravos em sua testa. E terei que fazer de conta que não conheço cada detalhe do seu corpo… Não poderei nunca mais manifestar em uma mesa que sei que ele tem uma mancha ou uma pinta ou uma cicatriz assim assado em tal lugar. Principalmente se esse lugar for um lugar “oculto”.

Aí vem uma nova paixão… E com ela o despir. Os detalhes do corpo do outro sendo conhecidos, as marcas corporais, as belezas e as feiuras. E o despir… a leitura da alma, a exposição dos segredos mais íntimos, as marcas da existência, as qualidades e os defeitos. E o coração vai… vai… vai…

Mas a mente, bem lá no fundo, sabe que há a possibilidade do fim.

Estou com medo! E com uma leve saudade do medo inicial de me entregar quando as borboletas já estão a bagunçar meu estômago.

2 comentários:

  1. Acho que não deve temer a paixão amiga. Pessoas boas como você tem o direito de se apaixonarem. Na verdade o dever. Essa sensação ruim, esse gosto amargo na boca vai sumir. essa ultima borboleta que vomitou era a ultima das dele. Outras vão nascer e remexer seu estomago ao avistar outro, aquele que te merecer, aquele que vai te compreender.

    Força ai amiga pois você merece muito mais.

    Ps: Não esqueci a promessa hein?

    BEIJOS PERUA

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  2. eu ia querer já estar mortinha.. se não fosse o fato de ser mãe. pois é,... pra que mesmo????

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