domingo, 14 de março de 2010

Lágrimas da Lua

 

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… e repentinamente eu senti o calor em meus lábios.

Eu estava recostada no banco, com a cabeça inclinada para trás, sentindo a brisa suave da manhã no meu rosto e ouvindo o silêncio.

E como se não bastasse a perfeição daquele doce momento ele veio tocar meus lábios.

Em um susto inicial acreditei ter sido transportada para um universo paralelo. E pensando, agora, enquanto escrevo acredito que não foi nada além de um beijo roubado.

O seu calor não tocou parte nenhum do meu rosto, como por magia, aqueceu meus lábios, apenas eles. E vibrou em mim com um amor tão singelo que não pude negar a mim aquele lascivo momento.

Senti seu toque quente atingir meu coração como um corisco. Minhas mãos gelaram, disritmia! Era amor, paixão… Ou seria, nada mais, nada menos do que volúpia.

Esse calor que tocou-me a boca era o sol, o sol do início da manhã que sentiu-se seduzido pela minha tranquilidade de viajante sem pressa e beijou-me a boca sorrateiramente. Surpreendeu-me com uma sensação inteiramente nova. Um gemer estranho e intensamente cruel.

Afinal, sei que aquele momento vai ficar preso naquele tempo e naquele espaço, naqueles segundos de prazer ao me conectar sensualmente com o universo, naquela estrada, na passagem, na travessia: fronteira. Não haverá repetições. Sem bis.

- Não precisa chorar, Lua! Foi apenas um ínfimo instante promíscuo do sol.

2 comentários:

  1. Lindo texto, obrigado pelas palavras bonitas, e por falar do nosso amigo sol .

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  2. Que lindo amiga, anda meio romantica ultimamente ou impressão minha?

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Comentários moderados.