sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Extra! Extra!

Ontem fui dormir, como de costume, beirando as 3 da madrugada. No entanto, sem despertador, sem toc-toc na porta do quarto, sem janela aberta e sol na cara, sem barulho estranho no vizinho, nem cachorros latindo, acordei bem disposta as 7 e meia, fiquei na cama, pensando. Acabei cochilando e acordando as 9. Tão disposta quanto antes.

Continuei pensando em mim, absorta… Comecei a realizar as obrigações de professora de hoje, funcionei até bem, não costumo funcionar muito bem pela manhã.

Estou aqui pensando em máscaras. Isso porque aconteceu algo “extra” na minha vida ontem que não vem ao caso, esse caso “extra” é só meu. =D

Fiquei pensando a partir do “extra” e de alguns momentos do passado conectados displicentemente ao “extra” e pensei: “Há coisas que todo mundo aprendeu que eu nunca consegui aprender!”  Usar várias máscaras ao mesmo tempo é uma delas.

ITALY-CARNIVAL-VENICE

Por exemplo: Pessoas aprendem [grande parte, utiliza] a serem anjos de candura na frente do objeto da paixão e quando a pessoa vira as costas ela se torna um pouco mais livre, um pouco mais desbocada, menos contida, mais ela mesma. Não aprendi a fazer isso. Muitas vezes sou pega quando ainda estou ajeitando a máscara e enrubeço, fico sem jeito, tiro a máscara…

arte

E acabo ficando com cara de “ops! Me pegaram…” Resta-me a persona que normalmente sou.

Pensando isso fui a minha humilde estante e tirei um livro de antropologia – eu costumo fazer terapia solitária lendo trechos dos meus livros de antropologia – da editora CosacNaify, que são os meus prediletos, sinto um prazer gigantesco ao manusear um livro da referida editora, os livros são livros para dormir abraçadinho e sonhar que se está aprendendo por osmose. Pois bem, Sociologia e Antropologia de Marcel Mauss e procurei pelo texto Uma Categoria do Espírito Humano: A Noção de Pessoa, a de “EU”. E lá estava a palavrinha que me fez ir até esse livro: Persona.

A grosso modo e no meu escasso entendimento [sou apenas uma aspirante], Mauss faz uma reflexão sobre como as sociedades determinam a maneira de ser do “eu”. Ou, como são fabricadas essas máscaras fixas que são utilizadas como que naturalmente pelas pessoas. Persona [etimologia]: “lat. persóna nom. de persóna,ae 'máscara; figura; papel representado por um ator; pessoa, indivíduo'”.

Tudo isso quer dizer que tenho consciência que utilizo máscara – ou máscaras – não tenho a pretensão de me tornar especial afirmando que estou insenta de qualquer máscara, pois dizer que se usa máscara, que se vive por trás de uma máscara tem sentido pejorativo nessa sociedade em que vivemos. A máscara tem forma única e por trás de uma máscara com um largo sorriso pode haver rios de lágrimas. A máscara esconde o que realmente existe. E ser persona é a uma estratégia para se viver em sociedade, tendo em vista que cada ser humano é um universo particular que confronta o outro.   

carnaval_veneza

Contudo, eu ainda não aprendi a hora certa de usar uma nova máscara e acabo por usar aquelas antigas, já batidas, conhecidas por todos que de mim são próximos e até um pouco previsíveis para aqueles que pouco me conhecem. Talvez minha dificuldade seja a de adquirir novas máscaras e me desapegar das antigas.

“Extra! Extra!”

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários moderados.