terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Eu-centrismo: Bagatelas para ti.

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Uma coisinha de nada. Uma folha que cai na cabeça. Bagatelas para outros, um furacão para quem está sentindo. Para quem já está com a mente sobrecarregada, uma leve pena já é a medida para o desmoronamento de tudo, para que tudo venha abaixo, para que as lágrimas corram, para que se deseje entrar na caverna novamente e não ter conhecimento sobre ninguém e nada.

Depois de pensar, doer, gritar, remoer, desenhar um sorriso na face e sair por aí tentando se divertir. Veja! Ocorre um esbarrar repentinamente com algo que lhe faça voltar ao começo de tudo. E você a pensar, será que foi excesso de lucidez ou foi loucura? Será que sou lúcida ou louca? E não adianta nem pensar em alguém que lhe possa responder a essas perguntas, essas respostas não existem. Cada ser é um universo impar. E o que eu vejo, vejo a partir de minhas experiências, dos meus dias, dos meus momentos, dos distúrbios, das lembranças, das ações e das não-ações, do grito sufocado, do escândalo inesperado, da fadiga, da risada descontrolada, dos bilhetinhos nunca enviados, das amizades que passaram e daquelas que ficaram – e provavelmente não irão nunca –, dos dias cinzas, dos dias de sol e chuva, da lambada dançada, da primeira lágrima por paixão, das dores inevitáveis, das alegrias inenarráveis. O que eu vejo é a partir do ponto da minha vista, o que eu sinto é em mim que toca ou é o que eu toco, o que eu de fato penso é uma penumbra para o outro, minhas ações só dependem da medida do meu querer e, desse modo, viver em mim é um tanto eu demais. É um sufocar no que transborda do núcleo desse mundo que sou eu. Lava e mel. Ardência e doçura. Vulcão em erupção. Colmeia guardada por abelhas venenosas.

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E o tempo que tenho em mim é em mim que ele passa. O que para mim pode ser muito tempo, para você pode não ter sido nada, pode ter sido um tempo pífio, que rapidamente se foi e você nem viu passar. Ou vice-versa. A cada novo grão de areia que sufoca minha vida - que expõe que o tempo de ser, de agir, de pensar, de sentir está escorrendo – eu suponho que por mais que planeje eu só conseguiria viver tudo que eu gostaria de viver se eu vivesse pelo menos 150 anos saudavelmente. Entretanto, a média de vida da brasileira está entre os 80 anos, mas eu não tenho uma vida tão saudável assim, bebidas, cigarro [vez ou outra], barulho, sedentarismo, carnes e o mais grave dos transtornos, tenho uma mente fértil e delirante, por isso, talvez, eu nem alcance os 80 anos. 2062. Não sei se meu coração me permitirá sorrir vivendo a assombrosa realidade que prevêem para o mundo na década de 60 do século 21.

Então, meus caros, só me resta sossegar meu coração agora, esquecer a merda do futuro, dar um tempo para planos a longo prazo e tentar viver coisas que podem ser contempladas dentro da meu campo de visão, dentro da minha possibilidade de toque e, assim, intensamente perceber que nem importa o que virá, pois a medida do que vou sentir lá na frente faz referência a tudo o que eu já vivi até ali chegar. É impossível viver sem o passado.

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