segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Conto S/N: Conto Particular.



Dos pés a cabeça: eu diria que eu sou insanidade por inteiro.

Não se aproxime demais, posso dar pequenos choques em horas erradas. E normalmente me apaixono por aqueles que conseguem suportar cada novo choque com um sorriso na face e esses eu chamo de amigos. E deles sou eu que me aproximo.

Tenho idéias enroladas na minha cabeça – e isso alguém já disse antes sobre si. Minha mente é fertilizada com sonhos inóspitos todas as noites e ela acredita que se aqueles sonhos existiram é porque tinham razão de estarem ali, então eles me deixam um tanto mais louca e delirante.

Meus olhos vêem o entre. Meus ouvidos escutam coisas que não deveriam ter sido ditas e muito menos ouvidas. Sinto odores e não me incomodo em falar sobre eles. Minha boca fala... Ah! Ela fala mesmo...

- “Escrotona!” – Tudo por culpa dela: minha língua.

Meu corpo arde, minha mente delira e minha língua reúne tudo isso e produz sons que outros pensaram produzir, mas o pudor e/ou o escrúpulo os impedem. Não que eu não tenha pudor ou escrúpulo, eles estão por aqui em algum lugar e vez ou outra se manifestam.

Meu coração faz batucada quando quero [e eu quero!], da minha pele brotam espinhos a cada arrepio [começam na nuca.], engulo sapos [até que os vomito.] e quando dou sorte engulo borboletas [que fazem festa em meu estômago e me trazem a angústia de pensar que lá vem... lá vem... lá vem de novo!]. E digo, foda [transa, sexo, trepada, fazedura de amor – seja lá qual termo você prefira] só existe de fato quando há saliva.

Tenho pés errantes. Pés de bandoleira sem destino. Sou da rua. Da madrugada. Dos gemidos intrépidos que surgem em muros vizinhos. Contudo, não troco as quatro paredes do meu quarto por nenhuma falsa liberdade que possam me oferecer dizendo: “Vamos subir o mais alto dos montes, abrir os braços e nos sentir livres!”. Eu direi: “Vá em paz, querido [a], pois eu em meu quarto, deitada sobre minha cama vou até o sol e não me queimo, danço nos anéis de saturno e não me canso.”

Eu sou aquela que arranca o Cristo da cruz, coloco-lhe uma túnica nova e lhe digo: “Fuja, amado. Vá para longe, bem longe. Afinal, ficar sangrando 2010 anos não deve ser muito confortável.”

Não nasci para ser amada, nasci por pirraça. Nasci para tentar fazer minha alma entender que não importa quantas vezes ela volte, ela sempre vai encontrar um corpo marcado, uma língua traiçoeira, um olhar atravessado. E para que ela entenda que viver nem é tão complicado como se pensa.

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