sábado, 25 de dezembro de 2010

Que seja Rock’n’Roll!

 

Row Row Row… Um Final de ano Rock’n’Roll para todos vocês.

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Eu não poderia encerrar o ano sem vir aqui. Desejo a todos vocês e para mim mesma um novo ano bem Rock’n’Roll…

Daqui a pouco estou indo para o rock. Beber e começar a me livrar das frustrações do ano de 2010, exorcizar esse ano que foi horroroso, cansativo e choraminguento.

Quando eu desejo um ano Rock’n’Roll eu quero dizer que desejo um ano cheio de novidades, grandes saltos e energia, para gritar quando sacanearem com o seu dia e para silenciar e contemplar um bom solo de guitarra. Liberando energia negativa e gerindo energia da boa.

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Divirta-se muito no final desse ano e acumule energia da boa para o próximo. Eu já começo o novo ano com várias coisas para fazer, a qualquer momento eu volto no próximo ano. Aguarde e confie.

Feliz Virada!

 

See u!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Escrever-por-escrever

 

Eu sempre gostei de escrever. Começou a ficar intenso demais dos 13 anos em diante. Escrevia, escrevia… Muitas vezes textos reclamativos. Que reclamavam de mim, internamente e do meu ao-redor!

Escrever um blá-blá-blá sem fim, como eu faço na maioria das vezes aqui, é fácil. Não tem rigor, é apresentação de palavras que contam aos leitores coisas novas ou repetidas. 1384098322_f6d0d9ac51_o

No começo, quando eu tinha 13 anos, eu sonhava em escrever com a máquina de escrever. Achava lindo. Tanto que com uns 15 anos eu fiz o curso de datilografia.

Sim!! Eu digito com os 10 dedos. Mais bonitinho… E dou porrada no teclado do computador também, quem aprende a digitar datilografando cria um hábito de socar as teclas.

Escrever sempre foi um ato romântico para mim. Esse aspecto só se perdeu quando entrei para a academia e comecei a escrever artigos, ensaios e monografia – apesar que quando escrevo ainda me sinto a mesma romântica.

Minhas palavras expressam um idealismo, uma vontade, uma ânsia: desejo de mudança. Eu não sou extremamente mutável, mas anseio pela mudança, considero a mudança valiosa.

Mas hoje escrevo para dizer que vou acabar dando uma pausa por aqui. Preciso escrever em outros papéis, com palavras que se distanciam um pouco das que apresento aqui, preciso escrever ensaios e ensaios. Preciso ensaiar outras escritas. Infelizmente não ganho a vida sendo blogueira – não acharia ruim. O blog é apenas uma brincadeirinha, um lugar para depositar algumas palavras que não se bastam ao serem ditas, precisam se materializar na escrita.

Assim que aparecer um tempinho eu volto! Creio que não demoro muito.

Sugiro algumas [re]leituras de postagens passadas:

Os meus contos - aqui;

Da fidelidade conjugal à Violência: Manutenção da Subordinação;
Flanelar a Foda!

Poeminha: Sensualmente Curto.

Algumas das postagens que mais gosto!

See u!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

“Flores de Plástico não morrem”.

 

caovadio11022004

A necessidade de ter alguém que seja seu que seja igualzinho a você é de plástico.

Sabe, coisas de plástico passam uma idéia de perfeição. A artificialidade é perfeição.

Tudo isso me faz lembrar uma historiazinha que vivi com minha sobrinha – que hoje tem 15 anos – quando ela tinha por volta de 8 acerolaanos de idade. No quintal de casa tinha um pé de acerola e ela amava chupar acerola [mesmo as azedas] e eu encontrei uma linda, grande, vermelha e brilhante: perfeita.

Colhi e levei de presente para ela. E ela disse: – Essa parece de plástico, tia Cá.

E foi uma viagem. Porque a perfeição se assemelha ao estado inânime do plástico? Porque a beleza plena não pode ser vida plena com suas imperfeições?

Viajei bastante no dia e me lembrei agora. img

E vejo muitos casais ou pessoas por aí viajando na artificialidade da perfeição de plástico. A busca por alguém que seja exatamente igual a você, a buscar por pessoas que pensam igual a você, que se guie pelo mesmo sistema moral, que se empolgue com as mesmas coisas, que fique triste na mesma intensidade, isso tudo é plástico.

Plástico que não tem vida e por isso não morre. Há quem diga que o saco plástico que você pega no supermercado e depois joga no lixo – se não for reciclado – ficará na natureza por pelo menos 450 anos. comparando a média de vida humana isso é uma eternidade. Nesse sentido eu até posso dizer que a artificialidade do plástico é eterna.

Vida de plástico não existe. Mas muitas pessoas preferem não existir a ter que enfrentar as imperfeições, os dramas, as diferenças que surgem na convivência de carne, não de plástico.

media-35183-127993A vida de plástico poupa trabalho:

Flores de plástico não precisam ser trocadas;

Sacolas, copos, pratos de plástico não precisam ser lavados.

Eu vejo uma relação de descarte fácil entre os homens e o plástico. Não nos apegamos muito a coisas de plástico. Então porque nos apegaríamos à relações de plástico?

Eu não sei quão confortável pode ser enfeitar uma casa com flores de plástico, mas na minha casa eu quero um jardim e flores que morrem.

=D

See u!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O significante: Sobre segredos.

 

segredo

O segredo não existe.

[Tem dias que tenho divagações digna de uma mega viagem regada a tóxicos.]

Sabe aquele lance de signo + significante = significado. É um lance louco aí que diz que é necessário a materialização [de alguma forma] unido ao som para que algo tenha sentido. Isto é, para que exista de fato [na minha concepção], pois penso que a existência só é efetiva se há sentido, significado.

Não é o que se busca o tempo todo? O sentido de nossa vida? Pois bem, é como se ao não entender qual o sentido da vida não existamos.

Contudo, se pensarmos a partir daí percebemos que um segredo, aqueles clássicos segredos que devem ficar ocultos, para que ninguém saiba, sejam os mais cruéis ou os mais estúpidos, ele não pode ser materizalizado e sonorizado, para assim não ter significado e, portanto, não existir.

O segredo não existe de duas maneiras.

1.  Se você compartilha o segredo ele ganha significado, ganhando significado ele começa a existir. E se ordena no mundo, entra no fluxo das coisas que têm significado [vide imagem acima], no entanto, deixa de ser segredo, pois segredo que é segredo não deve cair na boca do mundo.

2. Se você não o materializa e o sonorifica ele não terá significado e não o tendo ele não existirá, você corre o risco até de se lembrar que esse segredo exista. Ele se perde entre o mundo das coisas sem significado e assim não existirá.

Alexander Rodchenko, Lily Brik. Portrait for the poster Knigi, 192

Então se você quer que o segredo não exista da segunda maneira. Ou seja, que ele não caia na boca do mundo não dê significado a ele. Não o materialize, sonorificando-o. A maneira de materializar o pensamento que temos é a fala e a escrita. E mesmo que o segredo seja repleto de ação, participação de outros e etc. não o sonorificar é uma maneira bastante eficaz de ocultá-lo, exilá-lo no mundo do não-significado.

Boa sorte com os seus segredos! Smiley piscando

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Moda Boyfriend: Sobre a dobra no Short.

 

A moda boyfriend trás um tendência de roupas, principalmente jeans, mais “desleixadas”, com rasgões, cortes irregulares, dobras e/ou corrosões, além de serem largas.

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Eu não sou a pessoa indicada a falar sobre moda, pois sempre fui um pouco do tipo moda boyfriend desproposital, então, a minha tendência é ter um look mais desleixado, apesar que hoje em dia há quem diga que eu sou hype. Nhé-nhé Whatever… Que seja o que for!

Eu quero falar não da moda boyfriend, mas da dobra. Não a dobra na calça, mas a dobra no short. Ou a tesourada na calça velha para virar short.

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A moda permite que compremos um short já com dobras, mas antes desse aspecto ser tendência da moda já víamos mulheres com shorts dobrados por aí.

A dobra tem um ar de “quero mostrar mais. Ainda estava comprido!”. E acredito que deva ter um efeito equivalente nos homens. Acho que olham e pensam “ela quer mostrar mais” e alguns mais ousados talvez até pensariam “ela gostaria de mostrar muuuuito mais”.

A dobra no short é inevitavelmente sensual.

É um sinal de alerta, um sinal de “vejam! Eu sai de casa e dobrei o short para que vejam”. As pernas são constantemente alvo de apreciação de homens e mulheres. Pernas bonitas, grossas – em alguns casos peludas – malhadas, fortes e tesudas.images

Quem já não ouviu um homem elogiar as pernas da Viviane Araújo: grossas, malhadas, pelos descoloridos e pele morena? [É só um tipo de exemplo, sei que haverá quem vai dizer que não é um bom exemplo, mas… ]

A dobra do short é um convite para as pernas.

Um convite para as pernas de alguém pode  ser um convite oculto para uma noite – ou manhã, ou tarde – de muito sexo. Pois há de ter pernas fortes para participar efetivamente de sessões de sexo.

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Tudo isso pode ser loucura da minha cabeça delirante que só pensa naquilooo… [Dizem que Freud explica… Eu não tenho certeza].

Contudo, vejo a possibilidade de fazer uma ligação entre moda boyfriend –> short dobrado –> foco nas pernas –> sexo cavalgado. Uhul…

Talvez um simples short pode fazer várias promessas por você, quem sabe até promessas que você não poderá ou não quererá cumprir. A roupa fala por você, convida por você, a roupa insinua muito mais do que você pode ter pensado insinuar ao sair de casa, então se você é do tipo que gosta de saber a que veio, cuidado com o seu guarda-roupa, ele pode fazer convites que você não teve a intenção de fazer ou desfazer convites que você tenta fazer por séculos.

No entanto, se você preferir que algo diga ou convite em seu lugar, use e abuse dos significados que esse signo – a roupa – pode conter. Eu sou um tanto confusa com as minhas, mas talvez seja por causa da minha tendência a oscilar. Uma hora eu entro no eixo. Smiley piscando

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Paradigma educacional, pra quê te quero?

 

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Eu tenho sido professora no ensino médio de rede particular de ensino e, por isso, também estou convivendo com professores do ensino fundamental.

[Ah! Já fui solicitada a realizar uma “aula show”.  Smiley surpreso Que porra é essa?? Eu lá sou artista?]

 

Ouvi essa semana um papinho nos bastidores de um aluno com uma colega de trabalho, o jovem estava no pátio da escola e essa colega estava encaminhando-o de volta a sala de aula. Ao recusar o retorno ela tentou o argumento de que ele precisava estudar, pois “lá vem o vestibular!” e ele simplesmente disse que não precisa estudar, pois um amigo era trocentos mil anos repetente, sempre foi o baguceiro na escola e que havia terminado o ensino médio a trancos e barrancos, mas isso não o impediu de fazer faculdade, ele havia passado no processo seletivo de uma faculdade particular, em um curso de engenharia não-sei-o-quê.

Além desses jovens nascidos na década de 90 terem esse tipo de pensamento sobre a vida educacional, há mais o que se dizer sobre as repercussões acerca das alterações nos paradigmas educacionais. Os pais desses jovens não aceitam o fracasso do filho ou a preguiça, ou o não interesse dos filhos. E nesse sentido toda “falha” do filho torna-se culpa dos professores.

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Os pais e os alunos esqueceram-se que o professor está lá como um livro aberto, mas o conhecimento do livro não entra na sua cabeça só pelo fato de ele estar diante de você aberto. Você precisa ler, raciocinar, indagar sobre coisas que estão ali e você não entende, buscar o significado de alguma palavra que você não conhece. e34e1f75

Esqueceram que avaliação é confeccionada pelo professor, mas ela não vem com as respostas, são os alunos que têm que solucionar as questões daquela avaliação. No entanto, agora, o processo avaliativo do aluno quando demonstra que o aluno está se saindo mal torna-se um processo de avaliação sobre a competência do professor.

Talvez a geração que nasceu na década de 80 e se tornaram professores também estejam passando por um dilema acerca da postura profissional. A tal alternância do paradigma educacional: do conservador ao inovador. Acredito que parte de nós tenhamos sentido falta da proximidade dos professores conosco e queiramos proporcionar isso aos alunos, mas quando nos aproximamos não conseguimos manter constante a postura de “mestre” da classe.

A hora do intervalo ou a hora de distração durante a aula se confunde constantemente com uma postura de relaxamento do ensino. A busca por estereótipos comportamentais fechados são constantes e cansativa, para mim.

Eu me preocupo com essa geração não só como professora, mas como indivíduo nessa sociedade. Onde estão os heróis dessa geração?? Os meus morreram de overdose ou melancolia. E venho buscando outros… 

Essa semana eu ouvi: “O que sei do cazuza é que ele era viado e drogado!”

E quem será Renato Russo? Quem será Cássia Eller? Quem será Restart? Quem será Florbela Espanca? Quem será Clarice Lispector? Quem será Luan Santana?

No Programa do Jô eu ouvi o garoto com cara de desenho animado mal traçado do Restart dizer: “É muito difícil fazer Rock no Brasil hoje!” Deve ser mesmo… Muito! Pois não vejo nada que me surpreenda, nenhuma postura rock’n’roll na mídia hoje.

Enfim, para que paradigmas educacionais, para quê?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Acordar para a vida: Sobre flores e escolhas.

 

Vi um filme:

“Quanto mais você fala sobre uma pessoa como uma construção social ou como uma confluência de forças ou como sendo fragmentada ou marginalizada, o que você faz é abrir um novo mundo inteiro de desculpas. E quando Sartre fala de responsabilidade, ele não está falando de algo abstrato. Ele não está falando sobre o tipo de “eu” ou “almas” que os teólogos falam. Ele está falando de você e eu, conversando, fazendo decisões, fazendo coisas, e recebendo as consequências. […] Resumindo, eu penso que a mensagem aqui é que nós nunca deveríamos nos subestimar ou nos vermos como vítimas de várias forças. A decisão por sermos quem somos é sempre nossa.“

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Wanking Life é o seu nome. Esse aí é um trecho do filme, para falar a verdade é o único trecho do filme que eu prestei verdadeiramente atenção, no mais eu me perdi na arte do filme, que é o que há de melhor nele. Pesquei outras palavras. O resto foi blá-blá-blá típico de quem está sonhando com coisas desconectadas e interrogativas que esperam a noite para explodir.

O filme todo é uma indagação filosófica, sem fim…

Só que não quero falar apenas sobre o filme, quero falar da responsabilidade sobre si mesmo. Não há responsabilidade maior; justificar as ações que você tem em relação ao outro, ao externo é simples. As motivações podem ser inúmeras: moral, emoção, preguiça, egoísmo e etc. A motivação em relação ao outro pode ser, também, justificada com uma mentira. Agora responder por suas atitudes para consigo mesmo pode ser uma ciranda sem fim. Justificar escolhas difíceis, sentir as consequências baterem no peito e dizer: “E daí? É isso é ponto final!”

Ah! Tem mais…

É possível justificar as suas escolhas sobre sua própria vida, seu próprio caminho com mentiras. Mentiras que vamos criando, mentiras que dizem que somos frutos do meio, ou que o que somos foi construído socialmente, que “filho de peixe, peixinho é”, vamos criando desculpas para nossa morbidez, para as escolhas que não nos agradaram quando chegaram as consequências. Vamos dizendo para nós mesmos que a culpa por aquela escolha não é nossa. Eu culpo minha mãe que não eremissao_penascolheu a vida adequada para eu viver, eu culpo o meu professor que não ensinou direito o conteúdo, eu culpo… Culpo. E outros me culpam também, vamos assim vivendo uma vida de remissão. Um velar das más escolhas. Um enterro que não acontece.

Todos os dias tentamos nos desculpar. Tentamos nos soltar das nossas culpas, pois não soubemos ser sábios o suficiente para escolher o caminho certo. Por não fazer a pergunta certa e assim ter encontrado a resposta rapidamente.

Essa prisão em que nos colocamos faz com que encontremos sempre mais e mais des-culpas para os nossos atos ou não atos. Tudo isso cria em nós um tipo de vida-ilusão. Uma vida em que o que nos guia é a ilusão de que não temos maneiras de modificar o que acontece conosco e a partir daí começamos com os “porquês”, criamos perguntas e acreditamos que quando encontrarmos as respostas estaremos livres. O problemas é quando elaboramos mal as perguntas.

Livrar-se das perguntas erradas pode levar anos, talvez seja necessário encontrar a resposta certa através desse caminho errado para depois perceber por quanto tempo você fez a pergunta incorreta. Nem sempre as perguntas nos ajudam a entender as coisas, o que nos faz entender as coisas é escolher a maneira certa de responder.

Ih! Achei que o filme não era tão bom, mas os dilemas pós-modernos-hippies & filosóficos-existenciais do filme me fizeram encontrar uma resposta estranha à uma pergunta errada antiga.

Talvez você demore muito a encontrar as respostas, mas uma hora ela vem. Smiley sarcástico

Um brinde as respostas certas às perguntas erradas!

domingo, 14 de novembro de 2010

E se eu resolvo…

… aprender a andar na corda bamba?

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Andar na corda bamba é um exercício que só se pode executar se for capaz de encontrar o seu ponto de equilíbrio. Eu ainda não encontrei o meu, sempre me desequilibro, sempre fui mais do tipo que tomba na cama elástica.

A corda bamba exige um silêncio, concentração, ninguém pode lhe ajudar a andar na corda bamba, nunca vi alguém passando na corda bamba junto com outra pessoa. É um caminho solitário, ensimesmado.

Estou nesse momento ensimesmado. Se eu pudesse eu deixaria tudo que faço e ficaria em mim. Mas as coisas na ordem do dia não podem parar quando a gente quer, infelizmente.

Eu fico cansada de conversar, de explicar o que está acontecendo…

Peço perdão aos meus amigos por, mais uma vez, eu estar vivenciando esse momento. Nesse período eu costumo abandoná-los. E isso só ocorre porque eu não posso me esconder por um período longo, pensar sobre mim e aprender a andar na corda bamba.

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O meu silêncio nunca consegue se completar, nunca consegui fechar um desses ciclos de maneira satisfatória para minha maneira de experimentar a vida. Não consigo encontrar o que devo experimentar de maneira plena para que eu não entre nesse ciclo novamente e quebre o vício.

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- Silênciiiiiio! Ela gritou. Todos riam e falaram mais. Ela não entendeu, mas alguém explicou: - Aqui o silêncio é pedido em silêncio.

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Estou cansada de pedir silêncio gritando. Estou cansada de ter que explicar que preciso de silêncio e solidão em alguns momentos. Talvez se todos pudessem compreender a necessidade assombrosa - que acontece em mim - de ficar só. Talvez assim fosse mais fácil vivenciar essa solidão, fosse mais fácil escrever e explicar o que ela significa.

Minha alma precisa sentir o mundo e quando eu o sinto se afastar ela entra em desespero: trêmula e fria. Minha pele é quente, em brasa: o tempo todo. Minha alma fica na superfície, nos poros, na entrada do corpo, no que se pode sentir pelo toque. E eu preciso ser tocada pelo mundo constantemente.

E o que me mantém quente é ainda saber que existem pessoas que cuidam calorosamente de mim, enviando-me energias, soprando a brasa em mim para que ela continue a esquentar. Obrigada por me manterem viva, mas eu preciso ficar só.

SOCORRO! Eu preciso de solidão…

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Para não ser lido: Sobre ser duas.

 

Acredito que quase todas as pessoas já se sentiram divididas, em si mesmas, divididas. Como se fossem duas pessoas dentro de uma só. Esse tipo de coisa acontece comigo ordinariamente.

Dividida

Quando eu percebi que isso acontecia comigo frenquentemente eu comecei a brincar que eu era duas: ora Cassi ora Anne. Mas há momentos que eu sou uma só, com um pouquinho de cada: Cassi[Anne].

Como é isso? Bem… As coisas podem estar indo bem, dias divertidos, sorrisos, carinhos, bem ao molde da Cassi [que é quem eu tento manter com mais força, mas as vezes ela me escapa] e de repente, como se estivesse se sentindo acuada a Anne se solta e sai revirando tudo. A Anne é phoda. Mal humorada para caralho, entristecida, instrospectiva, silenciosa, amargurada, solitária e taciturna. A Anne preza a solidão com tanta força quanto a Cassi preza estar rodeada de pessoas.

Como se a Anne fosse uma serpente, rasteira e solitária. Capaz de espreitar por horas. Vingativa, auto-confiante, arrogante e muito, mas muito, independente. Ela não tem problemas em magoar os outros, desde que ela não se magoe. Por isso precisa ficar na solidão, pois seres humanos sempre magoam um ao outro. A Anne tem uma sensualidade devorativa. Um desejo que devora.

Ela é a taurina em sua face mais terrível.

A Cassi é doce, simples e tranquila. Deixa que as pessoas a magoem, pois acredita que a justiça chega cedo ou tarde. Não é uma justiceira, mas é justa, mesmo que para ser justa com o fluxo das coisas ela precise ser injusta consigo mesma. A Cassi cuida, ama, ama com a facilidade de uma menina. Ela é elevada, transcendental e plena. Mas ninguém nunca terá conhecimento disso, pois sua mansidão oculta qualquer tormento para o outro. E conhecer alguém tão em paz com certeza causa tormento/inveja. Restam-lhe os passos silenciosos, os carinhos e afagos nos que ela chama de amigos, a paciência, a quietude e a não-ação. Ela vive como se não precisasse de nada, mas assiste cada dia passar lentamente, como se estivesse aqui só para compor a cena, pois na verdade não faz parte de nada.

Ela é a aquariana em sua face mais sublime.

fire Sentir que está com dois diferentes dentro de si é tão terrível quanto a iminência de um incendio catastrófico.

Quando há equilíbrio entre as duas é quando passo meus melhores momentos, meus momentos mais lúcidos. No entanto, há dias em que uma predomina mais que a outra, nunca uma fica em evidência sendo a única, sempre a outra está em diálogo, buscando o convencimento, persuadindo ao equilibrio.

O único problema é a paciência da Cassi diante da Anne e a arrogância da Anne diante da Cassi, o que acaba por deixar a Cassi em uma luta desgastante, pois ela sabe que o predomínio da Anne é destruição da vida social, é morte, choro e agonia, ela não pode se ausentar.

É um tipo de delírio, tudo isso. É um tipo de fertilidade e criatividade contida em minha mente. Meus dias há muito são devaneios, incertezas e fadiga. Explicações sobre o sentido da vida.

Filosofia Zen;

Cartomante;

Horóscopo;

Cabala;

Oráculo;

Ciência;

Ficção;

Realidade;

Medicina;

Evolução;

Éden;

Maçã;

Paraíso;

Medo;

Pecado;

Conhecimento.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Gozo Feminino: Sobre o Faz-de-Conta.

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A phoda não tá boa? Perdeu o clima no meio do caminho, mas não tem coragem de dizer ao parceiro para parar e começar tudo de novo? Não está com paciência para começar tudo de novo?

Atenção, por favor!

Agora você vai aprender como fazer de conta que está gozando em 5 lições.

Lição Prévia: Verifique se ele está se importando com suas reações, porque se ele não estiver você não precisa aplicar as outras lições. Está livre para o recreio.

Lição n. 1: Faça de conta que ainda está com tesão nele segurando a pele dele bem firme, aperte, como se estivesse com muito desejo.

Lição n. 2: Comece a ter suas reações faciais típicas. Se o cara não te conhecer muito bem, abrir levemente a boca, esticar o pescoço e fechar os olhos já funciona bem.

Lição n. 3: A gemida. Ela não pode ocorrer aleatoriamente, porque se não o cara vai perguntar no final se você gozou – o que é chato pra K-ralho - então fique atenta e quando ele fizer determinado movimento, ou seja, quando o kct passar por determinado ponto solte o gemido, como se dissesse: “é aí que tá bom, querido!”

Lição n. 4: Fale. Se você costuma falar. Fale que está bom, que ele é gostoso e blá-blá-blá. É bom que vai ativando o gozo dele logo e você acaba com isso, ou seria ele que acaba com isso.

Lição n. 5: Peça que ele acelere, que “meta” mais. E continue aplicando as etapas acima, logo ele terminará a masturbação – porque sexo só existe se for a dois e você tem que concordar comigo que ele está sozinho nesta – e você ficará livre desse momento chato.

bazzinga!

Mulher com calcinha arriada - Jorge OliveiraBem! Fora a brincadeirinha acima, se você começou uma phoda chata e não está com vontade de começar de novo e não é adepta ao gozo de plástico você pode ajudar o rapaz.

E para isso, primeiro você tem que sentir nua. Digo, sentir que estar nua é delicioso. Concentre-se em você e será uma rápida e prazerosa masturbação a dois – [ironia]já que não vai rolar sexo mesmo[/ironia].

Quando você sentir o tanto que você é uma delícia nua leve sua mão até a perseguida e toque suavemente o botãozinho de emergência. O rapaz irá continuar o serviço dele e você continuará o seu. Daí você não irá precisar das lições aí acima. E no fim tudo ficará delicioso.

[ironia]Só não vale contar para o rapaz no final que você não gozou com ele, mas como você mesma. [/ironia]

Divirta-se!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Conto nº 5 – Sem Banho Juntos

 

Recebi um telefonema logo cedo. Vamos à BH! – disse um dos amigos ao telefone. Uma amiga vai dar uma festa e sua casa é ótima para festas. Parece que recebeu ontem uma velha amiga que não via há muito tempo. As amigas dela costumavam ser aquele tipinho chato que não se enturma essa não deve ser muito diferente, mas vale pela festa.

Pegamos a estrada, em 40 minutos estávamos na entrada da cidade. E quando chegamos a festa já havia começado. Bebidas, churrasco, rock na vitrola e piscina. Muita diversão.

Como eu imaginei a amiga era mesmo daquele tipinho na dela, porém arriscou uma ou outra risada entre os amigos da amiga.

A tardinha pausa para um baseado, alguns poucos aderiram a rodinha, não imaginei que ela aderisse, mas lá estava ela circulando o cigarro. Durante o circular do cigarro eu pude perceber como ela era delicada e bonita. Como os olhos brilhavam quando sorria e como o sorriso era suave. Resolvi então que poderia tê-la naquela noite.

observadora

Todos já estavam chapados e a noite passando, foram se dividindo em grupos pela casa e se deitando no chão a conversar baboseiras, tratei de ficar por perto dela e foi quando um casal de namorados começou a se beijar, enquanto ela falava alguma coisa sobre a sua cidade. Ela silenciou e se acomodou no sofá parecendo que iria dormir. Ela estava de saia, com aquelas lindas pernas a mostra. Resolvi atacar! Comecei passando a mão na perna dela levemente e ela não resistiu. Continuei o caminho até sua bunda e ela se acomodou para que eu tivesse melhor acesso a sua pele. Coloquei meu corpo por cima dela e a beijei. Ela me beijou suavemente, parecia estar beijando alguém que já conhecia há muito tempo. Fez um carinho na minha nuca e eu a convidei para o quarto de hospedes onde eu iria dormir. Expulsei meus amigos que estavam lá e nos amamos de uma maneira deliciosa. – Nossa! Que loucura. Linda, gostosa e parece ter gostado de mim.

Eu a abraçava como uma concha e dizia ao seu ouvido: - Pela manhã iremos tomar um banho juntos. E dormimos.

Acordei no meio da noite e ela não estava ao meu lado, talvez ela tenha ido tomar água, pensei. E continuei dormindo. Quando acordei pela manhã ela, de novo, não estava. Levantei e fui procurá-la, encontrei-a na sala, como o notebook no colo, digitando algo e rindo, parecia estar no MSN com alguém. Ela me viu se aproximar e me disse: - Bom Dia!? , sorrindo. Como se nada tivesse acontecido. E o beijo? E o banho?

banho a doisEla tinha os cabelos molhados, não me esperou. Será até mesmo que dormiu ao meu lado? Será que esteve comigo algum momento?

Respondi ao “Bom Dia” e voltei para o quarto para tomar banho. Depois do banho resolvi ir até ela e perguntar onde ela havia dormido.

Cheguei perto, encostei-me ao sofá e disse seu nome. Ela me olhou e disse: “- Diga!” E eu lancei a pergunta. Ela respondeu que não, que assim que eu dormi que ela se levantou e dormiu no sofá da sala, já que os quartos estavam todos ocupados. Perguntei o que havia acontecido, por que ela não havia dormido na cama de casal comigo. E ela disse com uma naturalidade assustadora:

- Não estressa moço! A noite foi uma delícia, mas eu sou estranha assim mesmo.

“Sou estranha assim mesmo”? – Essa frase ressoou em meus ouvidos durante dias. E o banho? Eu só queria o banho.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um ano depois …

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Há um ano atrás eu criei esse blog e eu estava cheia de tristezas: decepções, raiva e dor. Um ano de blog evidencia muito do que se pode viver no período de 365 dias [ou 366], durante o ano eu oscilei – como sempre Smiley piscando - várias vezes, mudei de opinião, me expressei verbal e facialmente várias vezes [e até em momentos em que não deveria], eu diria que a cada dia que passa eu tenho me tornado mais franca comigo mesma e, na medida do possível, com os outros.

Por que com os outros é “na medida do possível”?

Bem, eu tenho percebido cada vez mais que as pessoas se incomodam muito com a sinceridade, mesmo que a sinceridade não diga nada a respeito ao outro. É como se dizer o que pensa de verdade fosse ofensa, independente do que se tratar essa verdade. Aprenda a mentir [ou omitir]! É uma das primeiras lições que aprendemos quando criança. Você está lá entre os adultos e dispara algo super sincero para uma das pessoas algo que todos já constataram, mas que nunca diriam e você já tem a primeira lição “não pode fazer isso, as pessoas ficam chateadas”. O isso que não se pode fazer é dizer verdadeiramente o que se pensa. Nossos pensamentos devem ficar trancafiados em nossas mentes.

Eu sempre prezei muito dizer o que penso… E o blog que é uma biografia irônica ou um diário de mulherzinha é um lugar onde eu coloco o que eu penso, sem pensar muito no julgamento do outro.

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Mas ao falar o que penso no blog percebi o quanto as pessoas podem julgar as outras e se incomodam muito com pessoas que têm idéias diferentes. Podem não ouvir direito o que os outros disseram e fazer pré-julgamentos sem fundamento, ou usar algumas convenções para justificar sua opinião que contrapõe a minha opinião é algo típico de quem tem preguiça de pensar. Aprender a pensar a opinião do outro é um exercício que eu faço permanentemente, mesmo que eu discorde imediatamente eu ainda tento lembrar que não gosto de ser julgada, então eu não deveria julgar as idéias dos outros.

E, sim, eu estou usando a palavra julgar como algo pejorativo, mesmo sabendo que não é só esse o sentido que essa palavra tem.

As experiências de cada um trás maneiras de pensar sobre a vida que se diferenciam. Lógico que tem algumas coisas que as pessoas pensam que eu sempre vou achar idiota. Smiley mostrando a língua Porém, dependendo do grau de sinceridade com que essa pessoa de idéia idiota me trata eu não perco o respeito.

Enfim…

Bom mesmo é quem consegue pensar por conta própria.

“Preste atenção nas coisas que não chamam atenção!”

[André Abujamra]

Feliz Aniversário de 1 aninho para o Diário de Mulherzinha!

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sábado, 16 de outubro de 2010

Da fidelidade conjugal à Violência: Manutenção da Subordinação.

Pra começar esse post eu quero deixar bem claro que ele não propõe soluções, quero apenas levantar alguns ponto interessantes. Para isso é preciso esclarecer, também, que eu não sou feminista, não sou favorável a perspectivas que vitimizam, não estou lançando juízos de valor, não pretendo dizer quem é bom ou ruim, apresento mais um pouco sobre a estrutura.

Assedio

As minhas últimas leituras são o que fundamentam esse post. E elas são:

- Alguns capítulos de O Contrato Sexual – Carole Pateman;

- Alguns capítulos de Mulheres Invisíveis – Bárbara M. Soares;

- Reli A Dominação Masculina – Pierre Bourdieu;

- Reli A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado – F. Engels.

O que eu tenho a dizer hoje diz respeito a forma como a relação entre homens e mulheres apresentam a maneira como a sociedade é estruturada. As relações de gênero transbordam dominação e poder.

O homem, aquele que conhecemos – da sociedade ocidental – sempre teve prioridade ou era o único a ter acesso a determinadas coisas da vida em sociedade. O conhecimento, a formação e/ou a qualificação por muito tempo foram vistos apenas como algo que só poderiam ser adquiridos pelo homem.

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O único que era considerado indivíduo era o homem, a mulher era apenas uma propriedade do homem. Por que o homem se tornou proprietário da mulher? Há quem diga que houve um momento histórico em que o homem sentiu a necessidade de ter certeza de sua paternidade. Você que está lendo há de convir que só quem tem plena certeza que é genitor do filho é a mãe, o pai sabe que fez sexo com aquela mulher, mas não tem como ter certeza absoluta se foi só ele que o fez. O filho, pode então, ser filho de outro – hoje há o exame de DNA, eu sei, mas até o exame...

Desse modo, para que o homem pudesse ser dono de um filho ele teve que antes ser dono de uma mulher. E é aí que a estrutura de dominação do homem e subordinação da mulher aparece como algo “natural” na sociedade.

Durante a história o homem já utilizou diversas maneiras de exercer poder sobre a mulher e garantir a fidelidade da mesma, para que ele pudesse chamar a criança que ela carregava no ventre de filho. O controle do homem sobre os atos da mulher, a posse do corpo da mulher – até pouco tempo não se considerava violência sexual o homem estuprar sua esposa –, isto é, o direito do homem ser proprietário da mulher. O ritual do casamento cristão apresenta o quadro que ilustra essa situação, quando o pai entrega a filha para o marido vemos uma mulher que só muda de dono. No entanto, continua sob a posse de um homem.

Muitos poderiam ler o que escrevo e pensar: – “Ah! Mas isso já mudou muito…”

Sim! Mudou. Mas ainda há muito o que mudar. Muitas mulheres ainda sofrem todo tipo de violência de homens que querem a todo custo manter a subordinação feminina ao seu desejo.

E esse custo pode não ser nada interessante.

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A Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e erradicar a Violência contra a Mulher que ocorreu em 1994 definiu violência contra a mulher como qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada.

Além do mais, no Brasil temos a apelidada Lei Maria da Penha - LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006 – que criou mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Mas não é por isso que a violência do homem contra a mulher deixará de existir. O problema é muito mais de regras estruturais da sociedade do que de regras legislativas, que dizem o que pode ou não pode fazer, porque se o fizer o Estado irá lhe punir.

Alguns estudiosos chegam a dizer que o propósito desse tipo de violência é controlar as mulheres, direta ou indiretamente, por medo do ataque. Eu diria mais, eu diria que não é necessário que todos os homens batam em suas mulheres, a coragem de alguns poucos de o fazer já cria uma espécie de possibilidade que inibe a ousadia feminina diante do homem por medo de apanhar.

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Penso que grande maioria das mulheres quando começam uma briga com o marido, namorado, noivo ou seja lá o que for, e que essa briga começa a ficar muito quente acaba recuando por medo de apanhar ou só desafia o homem quando está entre outras pessoas. Inibindo a possível reação violenta dele com a possibilidade de uma represália de seu ato violento caso ele resolva tê-lo. Ou então chora, chora muito e se vitimiza para constranger o rapaz.

Mulher tem medo de apanhar sim. E, a parte das leituras que fiz, acho que a maioria das mulheres tem medo de apanhar por causa do jeito que o homem se portar quando a briga esquenta. Ele estufa o peito, cresce para cima da mulher, fala em um tom grave e imperativo, não recua e continua crescendo.

Uma vez presenciei uma briga feia de um casal de amigos meu, depois da briga ela se retirou para o quarto e eu fiquei como o meu amigo na sala, ele pediu desculpas e reclamou que ela não poderia ter começado aquela briga na minha frente, que foi muito constrangedor. Disparei que ela talvez tinha feito aquilo porque precisava dizer tudo aquilo, mas que precisava de proteção. Proteção de quê? – Ele acabou perguntando. E eu disse a ele que para mim toda mulher tinha medo de apanhar. Ele ficou descontente, disse que nunca tocaria nela, que era loucura pensar aquilo. E eu acabei mostrando para ele que mesmo na minha frente ele havia se imposto, ameaçado indiretamente através da postura corporal.

Ele pensou, depois conversamos sobre isso os três, ela pensou e acabamos o papo no boteco, bebendo e teorizando na mesa do bar.

Só que tudo isso não é papo de botequim, é real e perigoso. Pois quando lutamos por leis que protejam as mulheres acabamos lutando contra uma estrutura muito maior do que possamos imaginar. Não posso deixar de concordar com Bourdieu que parte da culpa por isso é a educação que as mulheres – responsabilizadas por educar os filhos – transmitem aos seus filhos. Isso tudo só poderá mudar de verdade quando a maneira de educar nossos filhos se modificar.

Enfim, fica-a-dica:

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Cerveja escura: Aprecio muito.

Não é muito interessante escrever esse post visto que estou impossibilitada de beber qualquer bebida alcoolica por causa do tratamento da trombose. Mas eu ando com tanta, tanta, tanta vontade de  uma cerveja, já fazem seis meses que estou restringida e hoje eu precisava de uma cerveja para descansar os ombros.

Não sou uma super fã da loira gelada, prefiro um Bacardi ou um vinho. Só que no calor que faz aqui na minha cidade – agora mesmo, fim da tarde que começa a refrescar um pouco, a temperatura está em 34° – a gente acaba aprendendo a apreciar a cerveja. Meu paladar agrada mais da cerveja escura, até um tempo atrás eu só apreciava a Malzebier – nunca gostei muito da Caracu.

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Foi então que eu conheci a Xingu. Ela não é Malzebier, não conheço muito bem de cervejas e não vou saber explicar qual a diferença, mas sei que a Xingu não é Malzebier. Tem alguns blogs por aí que explicam mais sobre cervejas. Vi que a Xingu é considerada uma Sweet Stout, mas não me pergunte o que isso significa.

O que eu sei dizer sobre a Xingu está nos meus sentidos e na minha experiência com ela. Ela é doce e amarga, a espuma dela é gostosa, é suavemente forte. Smiley piscando Sacou?

Minha boca está enchendo d’água só de olhar para essa taça. HiHiHiHiHi…

Não estou ganhando  nada para fazer propaganda da cerveja, mas estou com vontade dela hoje. Estou com vontade de beber até sentir aquela leveza de quem bebeu o suficiente para gargalhar alto, mas  também para saber que não deve paquerar descaradamente o cara da outra mesa, afinal ele está com outra garota.

É a sensação de descanso. De sossego no corpo inteiro. O cheiro da cerveja na transpiração do meu baby. Sexualmente me ativa. O hálito encharcado com o doce e o amargo, a vontade de vivenciar o sossego plenamente em momentos intensos.

Mas se não for para beber a dois e depois rolar um depois. Não tem problema…brinde

A cerveja no início da noite faz o corpo sossegar o que deve estar sossegado e intensificar o que deve ser intenso. A vida, o brinde, a gargalhada, os amigos, o amor de sua vida, a saúde, o sorriso, os olhos a brilhar, o reunir, o conversar, o reclamar, o expulsar dos demônios com toda a liberdade.

E faz falta, faz falta estar na mesa a beber, a soltar o corpo, conversar com amigos. Relembrar, planejar, discutir, discursar…

Eu preciso de um brinde… Para brindar eu preciso de saúde.

Sai desse corpo que não te pertence, Trombose!

ps.: Não estou fazendo apologia a bebida alcoolica, bebe quem tem responsabilidade. Ou seja, que pode responder pelos seus atos.

domingo, 3 de outubro de 2010

Da Subordinação: Pseudo-Liderança!

Eu estou com o tempo apertado esses dias, muita coisa para organizar. Não tenho mais final de semana para descansar, não tenho direito a tomar uma cervejinha em finais de tardes quentes [o medicamento do meu tratamento não gosta de álcool] e ando cansada, pois o álcool bem que ajuda a ir levando dias quentes e agitados.

No entanto, eu tinha que dar uma parada hoje para falar sobre o pseudo-chefe.

Eu já tive muitos tipos de chefes, desde àqueles bem camaradas até àqueles que você nem percebe que ele existe, mas sempre trabalharam em equipe ou pelo menos sentaram-se e ficaram estimulando a equipe a trabalhar. HiHiHiHi.. Por coincidência ou por benção divina eu sempre tinha trabalhado com chefes que ressaltam as qualidades da equipe, ou as minhas particularmente. Isso dá um gás, pelo menos em mim, faz você trabalhar bem, chegar na hora, queimar a cara no sol em algum serviço pesado sorrindo. Ou seja, estimula. Eu já havia ouvido falar sobre o que eu vou chamar de pseudo-chefe, trata-se daquela pessoa que presa o controle de qualidade, mas não sabe qual é a qualidade que está procurando.

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Não consegue observar qualidades no subordinado, só hiperbolizar alguma falha. Ele acha que ele sabe de tudo um pouco e que sabe muito bem. Um tipinho que fica fazendo de conta que “tá só te dando um toque!”, [ironia] afinal, ele é super seu amigo e sabe muitas coisas [/ironia], polivalente, auto-didata, o Super! Pateta.

Trabalhar com esse tipinho coordenando, chefiando, liderando uma equipe é terrível, fica um clima de terrorismo, pois ele acha bonito mesmo é o absolutismo. O que ele diz é lei, não há discussão. “Antes Temido do que Amado!” já dizia Maquiavel. Mas vai nessa pra você ver, babaca. Hoje em dia há mais pessoas que têm consciência sobre seu direito de falar. Ou seja, as pessoas têm responsabilidade.

“O termo responsabilidade vem do latim respondere e significa estar em condições de responder pelo atos praticados, isto é, de justificar as ações”.  [Vieira, G. M. G.]

Eu aprendi isso essa semana, nunca tinha pensado por esse lado. E vi que eu sou uma pessoa muito responsável. HiHiHiHi…

Esse tipo de pseudo-chefe não inspiram confiança e nem respeito, deveriam ser banidos de cargos de chefia. Eu, particularmente, não tenho paciência com esse perfil de humano. Arrogância e ilusão quando caminham juntos dá nesse tipo de caráter. É um tipo de pessoa que vive de achismos, mas acredita em seus achismos com tanta força que dá a eles certificado de garantia só pelo fato de ter sido eles a acharem.

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Eu gosto mesmo é de sentir que eu posso respeitar meu chefe, de que se ele vier me dizer alguma coisa sobre meu trabalho vai respeitá-lo antes de tudo, vai conversar comigo propondo ajuda, debate, conversas que nos levarão a soluções juntos. Eu gosto é de trabalhar com pessoas que lideram com carinho, que tem ouvidos e olhos atentos para ajudar, não para vigiar.

Há algum tempo eu escrevi um texto aqui no blog que se chamava “Ética: Artigo de Luxo” e o sentimento desse post de hoje é bem parecido com o sentimento que me guiou na feitura do post supracitado. Fico triste, fico indignada, fico machucada, de verdade. Ofendida com a pseudo-esperteza dos outros.

Para encerrar uso a sabedoria de Guimarães Rosa em duas frases de momentos distintos do livro Grande Sertão: Veredas [deixo claro, nunca li o livro – um dia vou ler -, mas também não li essas frases em sites que organizam frases, a primeira foi apresentada a mim pelo meu baby e a segunda pelo meu irmão-escolhido, ambas eu li no livro e eles estavam lendo. Smiley piscando ]

"Mas ninguém tem a licença de fazer medo nos outros, ninguém tenha. O maior direito que é meu - o que quero e sobrequero -: é que ninguém tem o direito de fazer medo em mim.
[…]
A gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesmo nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é”.

***

Fato é que há de se ter muita paciência nesta vida!

Um brinde à paciência, com fanta uva, pra fazer de conta que é vinho! Smiley mostrando a língua

domingo, 26 de setembro de 2010

Das Diferenças: Brigar e Dar Porrada.

 

Preparando uma aula de sociologia sobre movimento feminista para a galerinha do 3º ano do ensino médio comecei a pensar em exemplos para falar sobre comportamento feminino e comportamento masculino visto como padrão. Daí pensei em falar um pouco sobre violência doméstica, patriarcado, dominação masculina e deu certo. Durante a aula chegamos até o fato de o homem falar tanto de brigas, de ficar se gabando sobre dar porrada e etc. e tal.

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E chegamos à um tipo de “normalidade” em brigas masculinas que seria: homem quando se sente ofendido por outro homem ele dá porrada; pensa em subjugar o corpo, em destruir o físico do outro, em dar porrada até ver o outro homem sem condições de sair do chão, muitas vezes saem em grupo, para destruir o outro rapidamente e evitar a possibilidade que ele saia machucado e tenha que admitir que ele também apanhou durante a briga. Dentro desse tipo “normal” fica evidente uma necessidade de exercer poder sobre o corpo do outro, em silêncio. A humilhação do outro vai ocorrer quando o corpo do outro receber olhares e puder ser constatado que ele é mais fraco do que alguém.

Mas aí pensamos: Mulheres também brigam. images

Chegamos também à um tipo de “normalidade” em brigas femininas, em que as mulheres costumam gritar, evidenciar enquanto brigam o motivo da briga, coisas do tipo: - “Vagabunda! Você vai aprender a não mexer com o homem de outra”. Então o ataque não é tão físico, é uma bagunça e um barulho que destrua a moral da outra, destrua a sua ‘imagem’, que evidencie que aquela com quem brigo merece ser estigmatizada, mantida longe do grupo, pois ela não merece confiança, é indigna e amoral. É, portanto, uma agressão moral.

A mulher não quer provar que é mais forte fisicamente do que a outra, que tem mais capacidade de subjugar o corpo da outra, mas quer que seu círculo social conheça o motivo que levou a esse ato.

Chegamos a conclusão na sala de que até a construção social sobre como se deve brigar depende de com qual sistema reprodutor nasceu. Meninos vão aprender socialmente a “brigar como homem” e as meninas vão aprender a não brigar, pois isso é coisa de meninos. Cheguei a ouvir em sala que achavam que não, que era biológico mesmo e que brigar era como um instinto do homem. Instinto?? Eu sou uma aspirante a antropóloga, não venha me falar sobre atitudes instintivas. Nem sempre o homem briga sozinho, algumas vezes briga em bando. E muitas vezes só conseguem subjugar o corpo do outro homem se estiverem em bando, se não também apanharia muito. Então as mulheres também poderiam aprender a dar porrada em grupo, ligar para as amigas para pegar a “vagabunda” em um beco qualquer e destruir seu belo rostinho (isso eu nunca vi e nem nunca ouvi falar entre mulheres), mas não, as mulheres ainda preferem o escândalo, o gritar para todos o porquê de estar estapeando a outra.  Aí sim, quando a outra passar no meio de todos vai saber que a outra venceu, pois quem a olha diz com os olhos “vagabunda! Mereceu a surra que levou”, mesmo se a “dona da briga” tiver apanhado mais.

Normatividade das atitudes de homens e mulheres é algo que constantemente me atrai. Muitas vezes tenho muita pena dos homens, pois minha reflexão me leva a crer que o fardo normativo pelo qual eles passam são muito mais pesados do que o fardo normativo da mulher. Mas eu acredito que isso está mudando e [re]mudando. Espero que eu possa presenciar um período bacana, às vezes eu sinto que está próximo, porém depois eu penso que está tão longe de acontecer.

Eu gosto de reinventar!

Smiley piscando