segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Poetisa



Florbela Espanca, portuguesa, sargitariana, 36 anos tumultuados e vividos.

Quando comecei a ouvir - sim, ouvir, pois minha mente lê os poemas dela para mim - os poemas de Florbela me apaixonei. Intensifiquei minha existência ouvindo cada letra escrita no agora atemporal de Florbela.

Ser poeta, disse ela:

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!



É estar longe de um tempo, de um espaço, é um não haver fronteira, contenção. É tudo que se permite fazer brotar do coração, sem pudores, rancores ou algum sentimento que já tem rótulo. Poesia é algo novo que chega e faz um rombo na mente e na vida. Ganhar um poema de presente é ganhar parte da alma do outro. Há de se cuidar desse pedacinho de alma.

Florbela é ardência:

Lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era q'rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Falar de Florbela não me causa tristeza. Falar de Florbela causa em mim um contentamento de saber que não sou tão só, que no mundo há com quem se conversar. Que há com quem falar sobre amenidades e sobre intensidades. Há sempre de termos com quem se identificar, um novo sorriso a se conhecer, um novo olhar que nem em sonhos imaginou-se acessar. Há de ter novidade na vida e vontade de viver anos tumultuados, permitindo sempre que esse sentimento que não se pode expressar se expresse. Há de se trocar fluidos.

Estou em um estado de espírito sublime.

;)

Um comentário:

  1. Florbela me acalma muito também. quando eu tô me achando louca, sozinha, isolada, fora desse planeta, eu leio. e sinto. e ela me fala muito, parece um espelho às vezes. aí pronto, tô tranquila.

    bjosmeliga.

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